Os ambivertidos: metade extroversão, metade introversão

Os ambivertidos são pessoas que conseguem aproveitar ao máximo as características da introversão e da extroversão, atingindo um equilíbrio. São indivíduos flexíveis que sabem se adaptar e aproveitar tanto a solidão quanto a companhia.
Os ambivertidos: metade extroversão, metade introversão

Última atualização: 26 Janeiro, 2021

Nenhuma pessoa é totalmente extrovertida ou totalmente introvertida. Entre esses extremos há uma infinidade de nuances, ainda que, de forma geral, cada pessoa tenha traços predominantes de introversão ou extroversão. Porém, há algumas pessoas que conseguem combinar o melhor da extroversão e o melhor da introversão de forma bem equilibrada. Esses são os ambivertidos.

De acordo com a doutora Jennifer Granneman, autora do livro The Secret Lives of Introverts, aqueles que se enquadram como ambivertidos são fascinantes: pessoas que atingem um ótimo equilíbrio entre a comunicação e a escuta, bem como entre a prudência e a espontaneidade.

“A realidade dos outros não está naquilo que eles mostram, mas sim naquilo que não sabem mostrar; se quiser compreender verdadeiramente as pessoas, não escute o que dizem, mas sim o que não falam.”
-Khalil Gibrán-

O primeiro estudioso a abordar essa questão foi o psicanalista suíço Carl Jung. Os conceitos de Jung tiveram um grande impacto na psicologia e, por isso, boa parte das classificações de personalidade são baseadas em seus estudos. As categorias de introversão e extroversão foram trabalhadas inicialmente por ele, e precisamos retomá-las para entender como os ambivertidos são.

Introversão: nem timidez, nem isolamento

A principal característica das pessoas introvertidas é que elas se concentram mais em seu mundo interno do que no mundo externo. De forma natural, são pessoas inclinadas a olhar para dentro de si mesmas e que conseguem estabelecer sentido em suas ideias, sua imaginação, suas memórias e tudo o que fizer parte do seu universo subjetivo.

Na verdade, os introvertidos não são tímidos, muito menos antissociais. São pessoas que simplesmente apreciam os momentos de solidão porque o contato consigo mesmo é algo indispensável. Também não negam contato com outras pessoas, apenas são muito seletivos e não gostam de ter companhia o tempo todo. Por isso, dão preferência a ambientes tranquilos e desprezam atmosferas barulhentas.

De acordo com a perspectiva da neurociência, os introvertidos são mais sensíveis à dopamina. Por isso, ficar em ambientes com muitos estímulos pode significar um esgotamento emocional. Então, preferem atmosferas mais tranquilas.

Mulher vendo borboleta na janela

Extroversão: se nutrir dos demais

Do outro lado estão os extrovertidos, pessoas desinibidas e espontâneas que fazem amizades facilmente e não guardam o que pensam. São, no geral, muito mais aceitos socialmente do que os introvertidos. Isto se deve à facilidade com que se conectam com os demais.

O extrovertido se nutre das suas relações sociais. É uma pessoa que gosta de estar em contato com os outros e que, de fato, se nutre de vínculos para se sentir bem. A solidão lhe parece entediante e há a necessidade de ambientes que o estimulem de maneira constante. A passividade e o silêncio excessivo acabam deprimindo-os.

Esses tipos de pessoas geralmente são impulsivas e podem ser superficiais. Não é do seu interesse se aprofundar em reflexões. São pessoas de ação, que precisam de movimento e, por isso, a introspecção não é algo que as atrai. São pessoas que, por conta disso, possuem um filtro mínimo. O que pensam e o que sentem é traduzido em ações quase que de imediato.

Ambivertidos: o equilíbrio

O primeiro a falar sobre os ambivertidos foi Edmund S. Conklin, psicólogo norte-americano, em 1923. Ele observou que essas pessoas eram modelos de estabilidade e equilíbrio, definindo-as como indivíduos que combinam o que há de melhor na introversão e na extroversão. Se adaptam facilmente tanto à solidão quanto à companhia e buscam deixar ambos em equilíbrio.

O principal traço dos ambivertidos é a flexibilidade. Em situações sociais, são abertos às outras pessoas e trabalham para que suas relações sejam fluidas e espontâneas. Sabem tirar vantagem da companhia dos outros, aproveitando suas contribuições e permitindo aos demais que entrem em seus mundos. As situações sociais não os deixam tensos, nem os desgastam. Sabem tirar proveito dessas situações e consideram que são essenciais para o seu equilíbrio.

Amigos com cachorro

Da mesma forma, os ambivertidos podem lidar com a solidão sem problema algum. De fato, é algo que buscam em determinados momentos. Precisam manter o contato consigo mesmos e apreciam as contribuições da introspecção. Também são seletivos no que compartilham ou deixam de compartilhar com os demais.

São pessoais hábeis nas duas linguagens: a da introversão e a da extroversão. O psicólogo Daniel H. Pink chegou a compará-los com as pessoas bilíngues, visto que lidam de maneira fluida com dois idiomas de uma só vez, encontrando a melhor maneira de se expressar em ambos.

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  • Kirchner, T., & Amador, J. A. (1990). Relaciones entre las dimensiones de dependencia-independencia de campo introversión-extraversión y tiempos de reacción. Anuario de psicología/The UB Journal of psychology, (46), 53-64.