Gostemos ou não, os imprevistos acontecem

· julho 2, 2018

Qual é o propósito da vida: vivê-la ou controlá-la? A primeira opção sempre nos trará satisfação, enquanto a segunda nunca será capaz de fazê-lo completamente. Então, por que não aproveitar ao máximo as experiências e extrair o que acontece de bom a cada momento? É claro que os imprevistos acontecem, mas aprender a antecipá-los e a nos prepararmos para lidar com eles irá nos ajudar a tirar um maior proveito daquilo que não podemos controlar.

Normalmente, a palavra “imprevisto” é usada para descrever algo que nos surpreende. Por exemplo, quando acontece algo que pensávamos que não poderia acontecer. Agora, precisamos saber diferenciar o que é imprevisto de algo que pode ser previsto. Não podemos nos enganar chamando situações previsíveis que, devido à preguiça ou ao esquecimento, não quisemos nos esforçar para evitar. A falta de previsão sempre leva à improvisação, que nem sempre pode correr bem.

O pior dos imprevistos é que, depois de terem acontecido, estamos tão ocupados procurando uma solução que nos esquecemos de nos perguntar se não poderíamos tê-los previsto. E quando percebemos que é tarde demais para resolver o que aconteceu, geralmente caímos em desânimo e desamparo.

“O acidente é apenas um pedido imprevisto”.
-Novalis-

Os imprevistos acontecem, mas podemos nos preparar

Às vezes, a vida se encarrega de interromper tudo, inclusive os problemas que acreditamos ter. A existência não é o que pensamos ou queremos, é o que acontece conosco. Apenas atuando sobre o que acontece conosco, não sobre o que imaginamos ou desejamos, poderemos lidar com os imprevistos que forem surgindo.

Mulher preocupada com imprevisto

Não é fácil sobreviver aos imprevistos, mas também não é impossível. Antes de mais nada, temos que deixar claro que situações inesperadas estão e sempre estarão lá. Isso significa que, quando elas chegam, é melhor estarmos preparados e ter recursos adicionais para usar. A seguir você encontrará quatro conselhos que ajudarão a lidar melhor com os eventos inesperados da vida:

  • Prepare um plano B. Não permita que seu sucesso aconteça apenas de uma certa maneira. Você sempre deve ter vários caminhos abertos.
  • Antecipação. Pense em quais são os eventos mais prováveis ​​que possam ocorrer e prepare um plano de contingência para cada um deles.
  • Tome decisões com autoconfiança. Mesmo que você não tenha todos os dados diante de um evento imprevisto, confie que você saberá o que é o certo em cada situação.
  • Peça ajuda. Não há nada de errado em reconhecer que algo o pegou desprevenido e que seria bom que lhe dessem uma mão.

“Não há manual: o mundo das sensações e dos relacionamentos é cheio de imprevistos.”

Há pessoas que, de tanto controlar, se esquecem de viver

Algumas pessoas vivem pensando que podem controlar tudo. Essa crença está relacionada com as falhas habituais da nossa memória, que às vezes nos enganam, ao julgar os fatos e tomar como únicos os dados que avaliam a conclusão a que havíamos decidido chegar anteriormente. Às vezes, isso pode levar ao que é conhecido como a falácia do controle.

Homem preocupado com imprevistos que podem acontecer

Por outro lado, as pessoas que se importam excessivamente em manter o controle dão menos valor a aproveitar a vida. Pressupõem que têm uma responsabilidade excessiva por tudo que acontece ao seu redor, o que lhes dá um certo sentimento de onipotência. Ou, ao contrário, se veem como incompetentes em grau extremo para lidar com seus próprios problemas, de modo que se sentem externamente controlados pelos outros ou pelas circunstâncias.

Essas características as tornam pessoas muito obsessivas e controladoras, deixando pouco espaço para situações loucas ou engraçadas. Além disso, geralmente sofrem com o que não pode ser controlado e, quando tentam controlar, acabam superadas.

A terapia de aceitação e compromisso representa uma reflexão sobre a utilidade do controle. Embora seja verdade que a maioria das situações e eventos comuns podem ser tratados através do nosso esforço consciente, há uma porcentagem pequena, mas importante, de situações em que ocorre o oposto. Quanto mais tentamos controlá-las, mais incontroláveis ​​e traumáticas elas se tornam.

No final, a chave é adotar como mantra a frase conhecida como Oração da serenidade:

“Senhor, conceda-me serenidade para aceitar tudo aquilo que não posso mudar, força para mudar o que sou capaz de mudar, e sabedoria para saber identificar a diferença.”
-Reinhold Niebuhr-