Os limites no amor

· abril 26, 2015

Para amar não é preciso renunciar ao que somos. Um amor maduro integra o amor pelo outro com o amor próprio, sem nenhum tipo de conflito de interesse. É preciso aprender a amar sem esquecer de nós mesmos.

Os amores que são regidos pela dependência e pela entrega total sem análises fazem com que a pessoa perca o interesse por si mesma, desaparecendo por completo no ser amado, sendo totalmente absorvida. E uma vez ultrapassado o limite, fazendo da negação a nossa forma de vida, corrigir não é tão simples, porque nos encontramos em uma teia de sentimentos e pensamentos que fomos criando junto aos deveres assumidos.

É verdade que em uma relação amorosa se requer aceitação e renúncia de certas coisas, já que para estar em uma relação a dois e ter uma convivência afetiva é preciso negociar muitas coisas. Mas o problema surge quando quando essa resposta de negociação vai muito além e excede os limites do razoável, afetando de maneira direta a avaliação pessoal de alguém ou causando a sua destruição. Não existe negociação e sim relações de poder. Até onde devemos amar?

Como afirma Walter Riso em um dos seus livros, o limite está em nossa dignidade, nossa integridade e nossa felicidade. Ou seja, quando o “ser para o outro” nos impede de “ser para nós mesmos”. Aí é onde começa o lado escuro do amor, que não significa que o nosso afeto tenha que diminuir, mas que, a partir desse ponto, o amor não é suficiente para justificar o vínculo afetivo devido aos custos morais, físicos, psicológicos e sociais. E mesmo que, às vezes, não possamos nos desapaixonar, podemos deixar de manter uma relação destrutiva. Claro que, muitas vezes, enquanto estamos no olho do furacão não percebemos e o clima parece calmo e tranquilo.

Nossa cultura tem grande influência sobre nós nesses aspectos, transmitindo, em muitas ocasiões, clichês sobre o amor e sobre as relações amorosas irracionais. Ideias errôneas com base em categorias absolutas e ideias de sofrimento como condições de um grande amor, tais como pensar que se alguém não sofre por nós é porque essa pessoa não nos ama, ou acreditar que o amor é conseguido à base de sacrifícios constantes. Talvez, o amor que plantamos e que plantam seja dogmático, com grande parte de imperativos e regras, perdendo sua capacidade de se reinventar e fomentando a dependência.

Dessa forma, se passarmos para o lado negro do amor, a cada novo dia poderemos senti-lo como uma queda brusca ou uma desmotivação permanente, deixando-nos de nos sensibilizar em muitas ocasiões diante da dor e do sofrimento, servindo-nos da autossabotagem, que tem seus próprios argumentos.

Estabelecer limites no amor

Portanto, é preciso criar uma relação de mão dupla, um amor de mão dupla, por meio de um eu digno que nos permita equilibrar a troca afetiva. Não se trata de nos vestirmos de um individualismo egocêntrico ou exaltar uma autonomia rígida, mas de nos incluirmos na relação salvando o nosso amor próprio. Seu companheiro(a) é importante e você é importante, mantendo em equilíbrio a balança dos dois lados, incluindo-se ambos nesse vai-e-vem.

O amor próprio abre mais espaço para o amor, tornando-o mais maduro e mais respeitoso.

Assim, algumas das vantagens de exercer um individualismo responsável em uma relação amorosa são: o desenvolvimento do potencial humano por parte de ambos, o estímulo da reciprocidade e a busca do consenso, o fim das suposições em relação as emoções do outro, a preocupação sadia pelo outro, e o exercício de uma boa comunicação e o respeito, contando sempre com o devido suporte emocional.

O amor é de mão-dupla. Quando damos amor, esperamos amor. As relações amorosas se alimentam da troca e do equilíbrio.

Lembre-se “Enquanto se espera viver, a vida passa.” (Sêneca).