Ser a ovelha negra em um rebanho de ovelhas brancas

· julho 18, 2015

Vivemos em uma sociedade que critica o diferente, na qual estamos acostumados a pensar como os demais,  a sermos ovelhas brancas. Pensamos e acreditamos no que nos metem na cabeça, sem reorganizar os nossos pensamentos em muitos casos, porque tomamos como verdade a opinião da maioria. Não queremos ser “ovelhas negras”.

Nossos pensamentos são determinados pela nossa aprendizagem, pela educação e pela cultura… assim, muitas vezes, abrimos o nosso próprio campo de pensamento, não reformulamos as nossas opiniões para atuarmos de outra maneira. Por que? Bom, se todo mundo pensa, faz e diz “isso” sobre “esse assunto”…

Em muitos âmbitos da nossa vida, vivemos sob uma forte manipulação do pensamento.

Mas o que é um pensamento?

É aquilo que é extraído da existência por meio da atividade intelectual, produto da mente.

Distinguem-se diversos tipos de pensamentos, segundo a atividade em questão:

Pensamento dedutivo: que vai do geral ao particular.

Pensamento indutivo: que vai do particular ao geral.

Pensamento analítico: consiste na separação do todo em partes identificadas ou categorizadas.

Pensamento sistemático: uma visão complexa de múltiplos elementos com as suas diversas inter-relações.

Pensamento crítico: avalia o conhecimento.

Pensamento criativo: aquele que utiliza a modificação de alguma coisa, induzindo a novidades.

Pensamento interrogativo: pensamento através do qual são feitas perguntas, identificando o que é interessante para alguém sobre um determinado tema.

Pensamento social: o pensamento que cada pessoa tem dentro da sociedade.

A ovelha negra e o pensamento divergente

O pensamento divergente, também conhecido como lateral, será definido como aquilo que difere, diverge ou separa, ou seja, a busca de alternativas ou possibilidades criativas e diferentes para a resolução de um problema. O pensamento divergente seria incluído dentro do pensamento criativo, já que está mais relacionado à imaginação. O termo pensamento divergente foi embalado por Eduward De Bono, que afirmou que ele é uma forma de organizar os processos de pensamento por meio de estratégias não ortodoxas. Ele pode ser treinado com técnicas que ajudem a olhar um objeto a partir de diferentes pontos de vista, promovendo uma mudança e uma superação, tanto social quanto pessoal.

A pessoa criativa (com pensamentos divergentes), não difere dos que não o são por serem mais inteligentes. A diferença básica está nos traços de personalidade, através de muitas qualidades como características cognitivas, sensibilidade de percepção, imaginação, capacidade crítica, curiosidade intelectual, características afetivas, autoestima, desenvoltura, paixão, audácia, profundidade, tenacidade, tolerância à frustração, capacidade de decisão…

Como exemplo, proponho-lhes duas charadas. Ao final do artigo, colocarei as soluções:

BRINCO NO CAFÉ. Esta manhã caiu um brinco no café. Mesmo a xícara estando cheia, o brinco não não molhou. Como é possível?

DUAS LATAS COM ÁGUA. Temos duas latas cheias de água e um grande recipiente vazio. Existe alguma forma de colocar toda a água dentro do recipiente grande de forma que se possa distinguir qual água saiu de cada lata?

Após explicar o significado do pensamento divergente e de todo o que o caracteriza, podemos ver muito claramente que ele é minimamente promovido em nossa educação atual (ainda que seja algo que varia culturalmente e de uma família para a outras). No âmbito social educativo, brilha por ausência. Geralmente, somos instruídos para que pensemos de forma CONVERGENTE (já que, dessa maneira, a população é mais manipulável), tachando, em muitas ocasiões, as pessoas criativas como rebeldes ou indesejáveis por não se submeterem às regras, aos pensamentos e às soluções propostas pela maioria.

Um exemplo claro é o de que as crianças criativas (ativas, independentes e muitas vezes incômodas para seus educadores) são consideradas com transtornos de déficit ou superávit de atenção, quando, na maioria das vezes, elas só precisam de um tipo de estímulo mais criativo, rico e que difere da educação tradicional.

Precisamos fomentar o pensamento divergente; não podemos ser um rebanho de ovelhas brancas. Pule o tradicional, não importa o que os outros vão pensar; seja a “ovelha negra” porque ser diferente não é algo ruim ou desagradável. Ser diferente nos abre à criatividade, inquietude e oportunidade de conhecer novas experiências.

Soluções para as charadas

A presunção errônea é que o café significa “líquido”. O brinco caiu em uma xícara de café em grãos.

Pense em gelo. Congele o conteúdo das latas e coloque o conteúdo no recipiente como dois pedaços de gelo.

Foto cortesia de Lee O’Dell