O pacote de biscoitos, uma história sobre preconceitos

setembro 2, 2019
Esta história sobre o preconceito fala sobre uma mulher que passou por um grande sofrimento e permitiu que essa dor se apoderasse para sempre do seu coração. Isso a levou a ver a realidade através de um vidro distorcido.

Esta história sobre preconceitos fala sobre uma mulher de idade avançada que tinha um poço de amargura em seu coração. Ela se sentia solitária e acreditava que os outros não se importavam com ela. Não confiava nas pessoas e evitava o contato com os outros, embora se queixasse de seu isolamento ao mesmo tempo.

Ela não havia sido sempre assim. Quando jovem, se apaixonou e se casou com o homem que amava. Teve dois lindos filhos, um menino e uma menina, e era feliz.

No entanto, seu marido morreu jovem e desde então o seu humor mudou. Ela nunca mais sorria e ficava mal-humorada, mesmo com seus próprios filhos.

Conta a história sobre preconceitos que as crianças saíram de casa assim que ficaram mais velhas. Apesar de amarem a mãe, era difícil tolerar suas exigências e críticas constantes. É verdade que eles a visitavam de tempos em tempos, mas tinham que fazer um grande esforço para tolerar seu mau humor.

“Lutando, julgando e se alterando nunca se consegue o suficiente; mas sendo justo, cedendo e observando os outros com uma simples cota de serenidade, se obtém mais do que se espera”.
– Provérbio japonês –

Mulher idosa olhando pela janela

Um convite inesperado

A filha lamentava que a mãe vivesse tão sozinha e submersa em sua amargura. Então, decidiu convidá-la para ir à sua casa durante o verão.

Talvez a mudança de ambiente lhe caísse bem, e talvez, apenas talvez, ela pudesse se sentir mais confortável com a vida e com as pessoas, mesmo que temporariamente.

A história sobre preconceitos diz que a mulher decidiu aceitar o convite depois de pensar muito. Não queria que ninguém dissesse que ela era uma mãe ruim. Então, arrumou sua mala e no dia marcado foi com ela para a estação de trem. Ela não parecia alegre, mas atormentada.

Comprou a passagem e sentou-se para esperar o trem. No entanto, os gerentes informaram que houve um atraso e que a partida seria adiada por algumas horas. A mulher resmungou, mas não podia fazer nada.

Estava quente, então decidiu comprar um pacote de biscoitos e uma garrafa de água para aguentar a espera.

Um companheiro singular

A mulher guardou os biscoitos e a água dentro da sua bolsa. Logo chegou um jovem sorridente que se sentou ao seu lado. Conta a história que ela teria preferido continuar sozinha no banco, mas também não saiu de lá para que ninguém pudesse dizer que ela era rude.

Alguns minutos se passaram e, de repente, a mulher viu que o jovem começou a comer um pacote de biscoitos. Instintivamente, ela olhou para a bolsa e viu que estava um pouco aberta.

O jovem comia, enquanto sua raiva aumentava ao pensar que ele estava apreciando os biscoitos que havia roubado dela. O jovem sorriu.

Então, tomou um gole de água. A mulher não podia acreditar. Isso significava que ele havia retirado os biscoitos e a água da sua bolsa e agora estava comendo e bebendo na frente dela sem o menor indício de vergonha.

Então, quando o jovem pousou a água ao lado dos biscoitos, ela também bebeu da garrafa. O jovem sorriu novamente.

Biscoitos recém assados

A moral da história sobre os preconceitos

Para a mulher, parecia que o tempo não havia passado. Enquanto o trem chegava, continuou comendo no mesmo ritmo que o jovem. Se ele pegava um biscoito, ela também o fazia, olhando-o desafiadoramente. Quando ele bebia, ela também o fazia.

Passou um tempo e só restava um biscoito. A mulher olhou para o jovem furiosamente. Não podia acreditar que ele teria coragem de comê-lo. O menino também olhou para ela e pegou o biscoito. Então, ele o quebrou em dois e lhe deu metade.

A mulher relutantemente o recebeu, amaldiçoando-o por dentro. Então, a mesma coisa aconteceu com o gole da água que restava.

Finalmente, anunciaram a chegada do trem que a mulher estava esperando. Com um ar de indignação, se levantou e foi tomar seu lugar no vagão. No entanto, ainda estava chocada com o que havia acontecido. Ao começar a viagem, ela foi dominada pela raiva.

Foi então que abriu sua bolsa para tirar um lenço. Ao fazê-lo, viu que ali estavam o pacote de biscoitos e a garrafa de água que havia comprado horas antes. Ela olhou pela janela e viu o jovem que ainda esperava pelo seu trem sorrindo.

  • Villegas, M., & Mallor, P. (2010). Recursos analógicos en psicoterapia (I): metáforas, mitos y cuentos. Revista de psicoterapia, 21(82/83), 6.