Ser rico é ter tempo entre os dedos

julho 19, 2019
O que fazemos com o nosso tempo? Nós realmente o utilizamos de uma forma inteligente? Por quanto estamos dispostos a vendê-lo? Essas são perguntas que costumamos responder com o nosso comportamento, mas sobre as quais poucas vezes refletimos.

O que significa ser rico? No romance “E Se Fosse Verdade” de Marc Levy, o escritor propõe uma curiosa situação relacionada, a princípio, com o tempo. Imagine que você tem uma conta no banco e todos os dias, ao acordar, tem um saldo positivo de R$ 86.400. Só existem duas regras que você deve cumprir para receber essa oportunidade:

  • Não é permitido transferir o dinheiro de um dia para o outro, ou seja, todas as noites o seu saldo voltará a ser zero, mesmo que você não tenha conseguido gastá-lo durante o dia;
  • A segunda das regras consiste em saber que um dia a sua conta deixará de ter esse valor diariamente, mas você não sabe em que momento isso vai acontecer, ninguém vai te avisar.

O que você faria? Você acha que gastaria esse dinheiro todos os dias? Tenho certeza de que todos nós aproveitaríamos esta oportunidade maravilhosa.

Ser rico é ter tempo?

Todos nós temos essa conta, todos nós somos clientes dela e somos inscritos nela assim que nascemos. Este banco se chama vida, e a conta de investimento se chama tempo.

No primeiro segundo de cada dia são creditados em nossa conta 86.400 segundos, os quais podem ser gastos em 24 horas. Todas as noites, o que sobrou em sua conta voltará a ser zero.

Não é permitido acumular o saldo da conta para o dia seguinte. Todas as manhãs, sua conta será reiniciada e todas as noites o que sobrar será apagado. Não há como voltar atrás.

Cada um pode investir esse valor no que quiser e no que lhe fizer mais feliz: família, sucesso, amigos, hobbies. Mas lembre-se, você só tem uma vida (não há sinal de outra vida, a não ser pela fé). O importante não é quanto tempo você tem, e sim o que você faz com ele.

Mulher feliz ao ar livre

Quem é mais feliz: quem tem mais tempo ou quem tem mais dinheiro?

Qual opção você escolheria: ter uma jornada de trabalho menos extensa, que lhe permitisse dedicar mais tempo a sua família, a suas atividades pessoais, ao seu parceiro, etc., ou receber mais dinheiro pela jornada de trabalho mesmo que isso o impedisse de dedicar tempo ao que citamos anteriormente?

Esta pergunta foi motivo de estudo e os resultados foram publicados na revista Social Psychological and Personality Science. Quase 4500 norte-americanos responderam se valorizavam mais o dinheiro ou o tempo para alcançar a felicidade.

64% das pessoas que participaram do estudo declararam que preferiam ter mais dinheiro. No entanto, a pesquisa também mostrou que aqueles que davam mais importância a ter mais tempo eram aqueles que tinham mais satisfação na vida, o que se traduz em um maior nível de felicidade.

Passar tempo livre desfrutando daquilo que gostamos nos dá muito mais satisfação a longo prazo. Existem dados que afirmam que investir em experiências nos proporciona um nível maior de felicidade do que quando fazemos isso com coisas materiais.

Nós somos seres sociais que vivemos e nos nutrimos das relações, da vida social, das risadas com os amigos, do tempo com o parceiro, com a família, e fazendo o que mais gostamos.

Mas nós nos esquecemos de que esse tempo acaba. Um dia ele vai desaparecer e, infelizmente, não somos capazes de saber quando ele vai acabar.

Continuamos nos convencendo de que somos seres eternos e desperdiçamos a oportunidade de investir alguns segundos. O tempo passa, a vida passa, por isso, vamos vivê-la!

“Nós somos o tempo que nos sobra”.
-José Manuel Caballero Bonald-

Mulheres se abraçando

Nós valorizamos mais o tempo quando ficamos mais velhos

Uma pesquisa realizada pela Universidade de British Columbia em Vancouver, no Canadá, mostrou que valorizar mais o tempo do que o dinheiro está associado a maiores níveis de felicidade, principalmente quando é preciso enfrentar longas jornadas de trabalho para conseguir esse dinheiro.

Assim, quanto mais velhos ficamos, mais alta costuma ser a posição do tempo na escala de prioridades. 

À medida que o tempo passa, nós nos tornamos mais conscientes do valor do mesmo e, pelo contrário, o valor do dinheiro vai diminuindo. No fim, ser rico realmente é ter tempo.

O tempo é algo que não podemos recuperar, pertence a nós e nós somos os donos para decidir como queremos investi-lo. Não permita que outros decidam sobre o seu tempo em segundo plano, não permita que o tempo escape por entre os seus dedos.

Não permita que chegue o dia no qual você vai se arrepender de não ter aproveitado esse tempo.