Um pai pode desempenhar vários papéis, mas nunca deixar de ser um pai

Um pai pode desempenhar vários papéis, mas nunca deixar de ser um pai

Março 6, 2017 em Psicologia 1569 Compartilhados
Pai e filho

O papel do pai mudou ao longo dos anos, e nos tempos atuais não parece estar muito definido. Antes ele era mais claro: eram os provedores financeiros do lar e aqueles que tinham a última palavra. Eram a voz suprema da autoridade, mas pouco se ocupavam da criação dos filhos e muito menos das tarefas domésticas. Tudo parecia estar em ordem.

As últimas décadas têm transformado radicalmente a figura masculina e, claro, também a figura paterna. No entanto, há um ponto em que, tanto antes como agora, os pais se sentem profundamente envolvidos: o sucesso de seus filhos.

Anteriormente eles se preocupavam em formar pessoas honestas e trabalhadoras para se tornarem cidadãos úteis. Agora, mas a partir dessa mesma lógica, alguns pais optaram por se transformar em uma espécie de “gerente” para os seus filhos. Não apenas querem que sejam bons cidadãos, mas também aspiram que se tornem o melhor dentro de uma determinada área. Como no esporte, por exemplo.

Pode-se observar isso com clareza nas arquibancadas dos torneios de fim de semana das crianças. Sempre estão aí, nos bastidores, dirigindo a atividade do seu filho para que ele se torne o melhor. Tornam-se tão envolvidos com isto que focam toda a criação na direção dessas conquistas e até mesmo administram seu afeto em função disso. São pais que projetam suas fantasias de sucesso para os seus filhos e que, até certo ponto, deixam de ser pais para se transformarem em treinadores do talento de seus filhos.

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A pressão direta e indireta do pai

A visão masculina do sucesso é muito mais exigente e limitada que a feminina. Por isso, muitos pais acham que é difícil estabelecer uma diferença entre criar um filho bem-sucedido e criar um filho feliz. Para boa parte deles, um é sinónimo do outro e, por isso, de muito boa fé, focam a educação dos filhos para suas realizações, especialmente se significam competência.

Estes pais querem sentir-se orgulhosos das realizações dos seus filhos. Às vezes, eles não conseguem diferenciar o seu próprio desejo dos desejos de seus filhos. As crianças geralmente querem agradar a estes pais e aprendem a ler os seus sorrisos e expressões de satisfação quando ganham uma medalha, ou chegam mais rápido, ou fazem um gol, ou tiram 10 em matemática. O fato de que seus pais se orgulhem delas as faz sentir-se seguras. Então facilmente rendem-se a essas aprovações ou a essas reprovações.

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Acontece que, se as crianças não se destacam naquilo que o pai espera, surge uma onda de indiferença. Talvez eles não a repreendam diretamente, ainda que muitas vezes o façam. Em qualquer caso, raramente economizam nas expressões decepção. E muitas vezes eles se afastam desse filho que os decepcionou.

O pai que não terminou de educar a si mesmo

Os pais que se enquadram nesse tipo de comportamentos são, na verdade, crianças que procuram ser reivindicadas. É provável que tenham sido vítimas de uma educação semelhante: tinham grandes expectativas colocadas sobre eles e talvez não cumpriram todas. E se cumpriram, fizeram-no a partir de renúncias rígidas ou grande sofrimentos.

Seus filhos os remetem a essas crianças que eles também foram um dia. Querem consertar o que “falhou” com eles, o que não lhes permitiu ser o “Messi” da equipe, ou o prodígio da classe, ou o empresário mais rico. Sentem-se em dívida e transferem essas faltas aos seus próprios filhos. Fazem isso de maneira inconsciente e com as melhores das intenções. Verdadeiramente acreditam que seu desejo é de conseguir com que seus filhos sejam melhores do que eles mesmos, que tenham uma vida mais elevada.

pai e filha

O problema em toda esta equação é que um fator crucial é excluído: o amor genuíno. Esse amor que é o único capaz de respeitar os processos, os tempos e os erros. É também o que basicamente aceita o outro como ele é, com todo o pacote completo: sucessos, erros, triunfos e fracassos.

O amor do pai “gerente” pode ser muito profundo, mas nem por isso deixa de ser egoísta. Um pai assim está mais preocupado consigo mesmo e com sua felicidade do que com o verdadeiro bem-estar de seu filho. Primeiro de tudo, um pai deve prover uma mão firme que encha seu filho de confiança e proporcione uma certeza: não importa as circunstâncias, é alguém valioso que merece ser reconhecido tanto nas conquistas como em qualquer outra eventualidade de vida.

Imagens cortesia de Brett Cole.

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