O que é o paradoxo da felicidade e como ele funciona?

· janeiro 5, 2018

A palavra felicidade é uma das mais utilizadas no mundo. Na cultura atual, ela representa o maior objetivo de muitas pessoas, mas nem sempre foi assim. Em épocas passadas, o propósito essencial tinha a ver com a virtude, com a descendência ou com a propriedade. Na era moderna, no entanto, o paradoxo da felicidade assumiu o papel principal.

O paradoxo da felicidade consiste no fato de que quase todos queremos ser felizes; no entanto, se alguém perguntar o que é felicidade, dificilmente conseguiremos defini-la. Se formos um pouco mais além e perguntarmos para que queremos ser felizes, o mais provável é que a resposta seja um silêncio ou hesitação. Aparentemente, a resposta seria óbvia devido ao objetivo desejado. No entanto…

“A alegria da vida consiste em sempre ter algo para fazer, alguém para amar e alguma coisa para esperar”.
-Thomas Chalmers-

Se quisermos continuar complicando a vida, poderíamos fazer uma terceira pergunta: como se alcança a felicidade? Há muitas respostas que podem aparecer, de acordo com os desejos de cada um. Falaríamos sobretudo sobre realizações profissionais, sucesso e plenitude no casal, mas sem definir de forma concreta como é essa felicidade que buscamos ou o que esperamos que aconteça quando a encontrarmos.

Então, em suma, estamos em um momento em que quase todos buscamos a felicidade, mas a maioria não sabe o que é ou por que a quer e só tem pequenas suspeitas sobre o caminho que deve ser seguido para alcançá-la. Esse é o grande paradoxo da felicidade.

Bola com rosto de sorriso

O paradoxo da felicidade e a insatisfação

A doutora Iris B. Mauss, professora da Universidade de Denver, conduziu dois estudos para investigar o funcionamento do tema da felicidade nas pessoas. Os resultados desses estudos são realmente desconcertantes e nos aproximam do que é o paradoxo da felicidade.

No primeiro estudo, ela realizou uma análise de três aspectos:

  • O grau de importância que cada pessoa dava à felicidade;
  • As condições externas em que viviam os participantes, ou seja, posição social e profissional, satisfação de necessidades básicas, etc.
  • A relação entre boas condições externas e a sensação de felicidade.

O resultado foi que as pessoas que davam um enorme valor à felicidade se sentiam mais insatisfeitas, mesmo se tivessem excelentes condições externas em sua vida. Por outro lado, aqueles que eram mais neutros ou não davam tanta importância à busca da felicidade se sentiam mais satisfeitos; isso acontecia mesmo se as circunstâncias de vida dessas pessoas fossem mais difíceis. Essas conclusões mostram a essência do paradoxo da felicidade.

Mulher apreciando paisagem

A felicidade e a solidão

No segundo estudo realizado na Universidade de Denver, foi feito algo semelhante ao anterior. No entanto, neste caso não mediram a satisfação, mas sim como aquelas pessoas que davam grande importância à felicidade e aquelas que não davam experimentavam a solidão.

O resultado foi semelhante ao do primeiro estudo. Os que perseguiam intensamente a felicidade se sentiam mais sós, enquanto quem não dava tanta importância a esse objetivo não experimentava essa sensação. Ou seja, não se sentiam particularmente sozinhos.

A conclusão inicial a este respeito é de que aqueles que estão ocupados buscando a felicidade se concentram excessivamente em si mesmos. Sua busca por conquistas e sucesso quebra o vínculo com os outros. Isso fortalece o sentimento de solidão. Novamente, aqui podemos verificar o paradoxo da felicidade.

Mulher observando por do sol

As coordenadas da felicidade

A partir destes estudos, podemos tirar conclusões interessantes. A primeira delas, e talvez a mais importante, é que as conquistas externas não são uma fonte de felicidade como tal. Por isso muitas pessoas, quando obtêm algo que desejavam muito, sentem um desconforto que as leva a propor a si mesmas uma nova meta, em um ciclo sem fim.

Portanto, a felicidade é um processo realizado dentro de nós mesmos . Uma realidade que tem a ver apenas parcialmente com realizações externas. Talvez muitos busquem incansavelmente essa felicidade com o desejo secreto de acabar com a insatisfação “eterna” que os habita. Eles não percebem que é dentro deles, e não fora, que está o paraíso que buscam ou o inferno de onde fogem.

Por outro lado, os estudos permitem concluir que a idealização do conceito de felicidade só traz frustração. As pessoas que aceitam que o que chamamos de felicidade é apenas uma parte da vida são mais leves e conseguem se sentir mais satisfeitas. Aquelas que aceitam que não se pode desejar um estado permanente de felicidade, porque essa aspiração é precisamente a primeira condição para que ela não exista. Isso nos ajuda a aceitar de forma mais fácil a realidade tal como ela é e, portanto, a nos sentirmos satisfeitos com mais frequência.

O que chamamos vagamente de felicidade, esse sentimento de alegria e satisfação, é algo que só ocorre ocasionalmente. Em qualquer caso, é mais fácil que ela nos visite quando tivermos tomado a decisão de ser a melhor versão de nós mesmos.