Paul Pugh, um caso de riso patológico

· janeiro 26, 2018

Paul Pugh é um galês que foi brutalmente atacado por desconhecidos. Um deles lhe deu um forte golpe na cabeça. Com o tempo, Paul desenvolveu um sintoma desconfortável: o riso patológico. O riso patológico é uma disfunção cerebral. Ele se expressa como um riso incontrolável, que não está relacionado com a situação que o produz. Inicialmente parece uma patologia engraçada, mas é uma doença muito dramática.

Esta condição é conhecida por vários nomes. O termo técnico é “epilepsia gelástica”. No entanto, ela também é chamada de “sorriso demoníaco” ou “incontinência do riso”. O caso de Paul Pugh fez com que o nome “riso patológico” se popularizasse.

“O homem sofre de uma forma tão terrível no mundo que foi forçado a inventar o riso.”
– Friedrich Nietzsche

Paul Pugh

O caso de Paul Pugh

Um dos casos mais conhecidos é o de Paul Pugh. Sua tragédia começou em uma noite no ano de 2007. Ele estava em uma festa com os amigos. Ele estava indo para sua casa quando se deparou com quatro homens que, inexplicavelmente, começaram a lhe bater.

Os golpes foram tão fortes que fraturaram seu crânio. Paul, que tinha 27 anos na época, ficou em coma. Ele permaneceu assim por dois meses. Ele teve que reaprender como fazer até mesmo as tarefas mais simples, como andar, comer e falar. Ele parecia já estar recuperado dos seus traumas quando algo inesperado aconteceu.

Durante uma consulta com seus médicos, eles começaram a falar sobre as sequelas deixadas pelo ataque. Paul ficou terrivelmente impressionado. Ele sentiu uma grande vontade de chorar e, em sua mente e seu coração, começou a fazê-lo. No entanto, externamente ele só conseguia rir. Ele tinha o riso patológico: estava chorando por dentro, mas rindo por fora.

A princípio, ele só recebeu uma grande rejeição social. Eventualmente os médicos perceberam o que estava acontecendo. Eles a chamaram de “doença pseudobulbar” (PBA). Uma parte de seu cérebro havia sido desligada. Quando isso acontece, uma pessoa pode ter ataques de riso patológico, e também de choro. Ao longo dos anos, Paul passou a conseguir controlar nove de cada dez ataques de riso patológico.

Riso patológico

O riso patológico e suas causas

Aqueles que têm este problema sofrem muito. Suas vidas se transformam em uma angústia constante. Por causa de seu comportamento “impróprio”, eles tendem a se isolar. Os pacientes dizem que é terrível sentir intensamente uma emoção e expressar outra que não tem nada a ver com ela.

O riso patológico ou o choro patológico aparecem por várias razões. É mais comum que surjam após um trauma, como no caso de Paul. No entanto, eles também podem ser causados por diferentes condições neurológicas anormais.

Existem casos de pessoas com esclerose múltipla que também apresentaram esses tipos de sintomas. Também foram relatados casos de riso patológico em pessoas com doença de Alzheimer. Qualquer condição que afete diretamente o cérebro pode resultar nesse sintoma angustiante.

Os tumores cerebrais também podem causar este problema. Aparentemente, o que está envolvido neste caso é uma desconexão entre o cérebro, o cerebelo e o bulbo raquidiano. Sabe-se também que o hipotálamo tem alguma relação.

Paul Pugh

Outros tipos de riso patológico

A psiquiatria também registra casos de riso patológico com causas diferentes. Trata-se do que chamamos genericamente de “incontinência emocional”. É decorrente de condições mentais em que as emoções são expressas de forma exagerada. A pessoa não é capaz de reprimir o riso, choro ou outras emoções. Também a associam a casos de demência causados por problemas vasculares.

Existem alguns tipos de esquizofrenia que resultam nesses episódios de riso patológico. Também é habitual que aconteçam devido ao consumo de psicoativos. É do conhecimento comum que o consumo da maconha causa riso incontrolável em muitas pessoas. Além disso, algumas doenças do espectro do autismo dão como resultado sintomas semelhantes.

A coisa mais triste de tudo é que aqueles que sofrem com este problema geralmente também apresentam outros efeitos colaterais. De acordo com uma pesquisa realizada no Instituto de Psicologia da Universidade de Freiburg (Alemanha), mais da metade desses pacientes apresentam outros problemas. Geralmente seu QI diminui e aparecem diferentes problemas cognitivos.

Os tratamentos para este problema são muito limitados. Basicamente, não há cura. No entanto, pessoas como Paul Pugh têm dado um bom exemplo. Ele consegue detectar o momento anterior a um ataque de riso patológico. Imediatamente, traz à sua mente cenas incômodas, e isso evita que ria. No entanto, sua vida continua a ser muito limitada por este problema.