Perdoar como ato de libertação pessoal

· abril 19, 2015

O perdão: para que serve? Que função ele tem e como consegui-lo?

Implica em soltar a dor

Se alguma coisa nos doeu muito significa que a pessoa que nos feriu é importante ou que o fato em si mexeu com princípios rígidos dentro de nós, que faz com que estremeçam.

São muitas as ocasiões nas quais escutamos alguém dizer “não permito que você diga ou faça determinadas coisas”, como se o fato de não estarem dispostos a que ocorram pudesse evitar que elas acontecessem. Isto é curioso porque, além disso, esta frase costuma ser usada uma vez que o agravante já tenha acontecido.

O perdão é útil, nunca deve ser entendido como um ato de vulnerabilidade frente ao outro, e sim de flexibilidade para consigo mesmo, suas emoções e prioridades. O rancor nos amarra ao passado, não nos permite avançar e nos laça à dor, com tal força que, por causa dela, deixamos que a vida passe sem tomar parte dela.

Algumas pessoas se aferram a esse mal estar que lhes provoca a lembrança do ocorrido para não voltar a se envolver emocionalmente com outras pessoas, como se esse escudo pudesse servir positivamente. Contudo, essa defesa apenas cria um muro entre elas e suas oportunidades. Ao optar por esta opção você fica sozinho com seu rancor e sua dor, alheio ao mundo e a tudo de agradável que há nele.

Quando me deparo frente a pessoas que apresentam esta problemática, me vem à mente a imagem de um pedreiro construindo um muro, colocando tijolo sobre tijolo, de forma automática cada vez que se coloca diante dele a oportunidade de conhecer alguém que considera que pode ter a capacidade de voltar a feri-los.

Se transformam em especialistas na arte de colocar tijolos, tantos que constroem parede sobre parede, transformando sua “zona de conforto” em algo cada vez menor, angustiante e solitário.

É uma pena esse esforço, a sua eficácia… tanta energia para evitar o sofrimento e tudo em vão, já que essa parede jamais conseguirá que as emoções deixem de estar dentro de si. De fato, a sensação que dá é a de que você se amarra a um espiral de angústia, que lhe afasta do presente e de um futuro melhor. O passado é o que conta, e a tristeza impera.

Deixando de lado as consequências de viver com base na dor, retomemos de novo o perdão. Um erro muito comum é assumir que a pessoa que me causou o dano tem que carregar sua culpa enquanto eu me lembrar que ela me feriu. Refrões para isto encontramos também na nossa cultura popular, “perdoo mas não esqueço”.

Dicas para perdoar

De onde vem a dor?

– Da importância que tem essa pessoa pra mim.

– Do que essa pessoa fez.

– Da contrariedade entre o que realmente aconteceu com o que eu gostaria que tivesse acontecido.

Temos apenas o presente em nossas mãos para atuar, por isso devemos nos fazer estas perguntas para compreendermos de onde surge tanta tristeza. Assim, poderemos optar pelo caminho prático, lutar pelos nossos próprios interesses, deixando de colocar tijolos que se interpõem entre o que queremos e o que temos.

Perdoar implica atuar com base no que queremos conquistar para nós mesmos, e não com base no que o outro nos fez ou deveria sentir.

Se isso fosse fácil, certamente não seria preciso que você estivesse lendo este artigo, por isso se trata de priorizar o que é que você quer fomentar com cada um dos seus atos.

Avaliar se o que você faz lhe afasta ou aproxima de uma vida que valha a pena, e se amplia ou reduz a sua zona de conforto.

Tudo para poder agir independentemente de como você se sente agora, sendo valente para continuar. Se a vida e o tempo seguem seu curso, que seja você a dirigir seu rumo.