As performances de Marina Abramovic

· novembro 18, 2018

Marina Abramovic é uma artista sérvia conhecida como a madrinha da arte de performances. As suas experiências buscam explorar a relação entre o artista e o público, bem como as limitações físicas e mentais do ser humano.

No início da sua carreira, Marina Abramovic considerou que a pintura não era suficiente para expressar os seus sentimentos e optou por transformar o seu corpo em um meio de expressar tudo o que sentia e experimentava.

As produções artísticas mais importantes de Abramovic foram ‘Os Ritmos’, realizados entre 1973 e 1974. Segundo a artista, as palavras que caracterizaram as performances foram som e tempo, consciência e inconsciência.

O ritmo 0 foi a última experiência desta série. Esta foi a mais importante e experimental de todas. Ela procurou testar os limites sociais e o livre arbítrio. Tanto a artista quanto os espectadores nunca imaginaram os resultados desse experimento.

Em que consistiu a experiência de Marina Abramovic?

A performance experimental de Abramovic consistiu em permanecer completamente imóvel por 6 horas. Das 8 da noite até as 2 da manhã. O show não podia ser interrompido de forma alguma.

Performances de Marina Abramovic

Ao seu lado havia uma mesa cheia de objetos, 72 ao todo. Entre eles, havia uma grande variedade de ferramentas para proporcionar prazer ou dor. Por exemplo, entre os objetos de prazer destacavam-se flores, uma rosa, um sabonete, uma pena, um grampo de cabelo e um lenço, entre outros. Entre os objetos de dor havia um martelo, uma tesoura, uma faca, um chicote e um revólver.

  “Há setenta e dois utensílios sobre a mesa que poderão ser usados em mim como desejarem. Eu sou o objeto”.
-Marina Abramovic-

A única ordem para os espectadores era que eles usassem os objetos como quisessem. Marina Abramovic assumiu total responsabilidade por tudo o que poderia lhe acontecer no desempenho da performance.

O objetivo principal desse tipo de performance era responder à pergunta: O que o público faria em uma situação com total liberdade para fazer o que quisesse?

Quais foram os resultados da performance de Marina Abramovic?

A experiência que Marina Abramovic viveu foi calma no início, mas muito intensa no final. Durante as primeiras três horas não ocorreu nenhum problema. Em vez disso, todos os espectadores eram muito respeitosos e amigáveis. Um deles até a beijou e outro lhe entregou uma das rosas da mesa.

Nas últimas três horas, tudo foi mudando progressivamente. Os espectadores se tornaram imprevisíveis e até violentos. Um homem fez um corte no seu pescoço. Outro escreveu fim na sua testa com batom. Eles também cortaram com tesoura as roupas que ela usava, entre outros tipos de humilhação.

No entanto, o limite aconteceu quando um dos espectadores carregou a arma e apontou para Marina. Nesse momento, o público se dividiu em dois grupos: os que defendiam e os que queriam continuar com os abusos. Isso fez que os guardas do museu jogassem a arma pela janela, intervindo no desenvolvimento da performance.

No final das seis horas de espetáculo, Marina Abramovic começou a se mexer e tentou se aproximar do seu público, mas todos saíram da sala por medo de represálias da artista. Marina deixou de ser um sujeito passivo para um sujeito ativo, capaz de responder às humilhações sofridas.

Marina Abramovic e suas performances

Reflexões finais sobre a performance de Marina Abramovic

De alguma forma, a experiência revelou a face oculta da psique humana quando não existem limites a nível social. O que aconteceu nos leva a refletir sobre liberdade, responsabilidade, autoridade e respeito. Até que ponto nos deixamos levar pelos nossos desejos e interesses pessoais? O que somos capazes de fazer quando nos sentimos autorizados e sem limitações?

O experimento de Marina Abramovic mostrou como é fácil para algumas pessoas mostrar uma atitude violenta em relação a alguém que não pode se defender e está desprovido de proteção. A artista foi humilhada e desumanizada pelos seus espectadores.

Desde o início da performance, ela sabia que corria grandes riscos. Ela até confessou que estava disposta a morrer durante a experiência. Ao final da apresentação, ela declarou que os resultados foram inesperados e que deixar o controle nas mãos do público pode levar a experiências tão perigosas quanto a possibilidade de morrer.