Que relação existe entre personalidade e emoções?

· agosto 23, 2017

Cada um de nós é como é, igual a ninguém que já foi, isso é evidente. No entanto, alguma vez você já se perguntou até que ponto o seu jeito de ser influencia a forma como você se sente ou o fato de aparecerem na sua vida mais emoções positivas ou negativas? Até que ponto a sua personalidade influencia a inclinação desta balança?

Se somos felizes, nossa saúde mental será melhor, sentiremos um maior bem-estar subjetivo, e nossa própria satisfação com a vida será maior. Descubra se os seus traços de personalidade fazem a sua felicidade ser maior ou, se ao contrário, fazem com que predominem as emoções negativas na sua vida!

“Quem sou eu? Estou tentando descobrir.”
-Jorge Luis Borges-

Por que o afeto positivo é benéfico?

O afeto positivo é a propensão a vivenciar mais emoções positivas do que negativas ao longo do tempo. Estas emoções agradáveis fazem com que as pessoas tenham um repertório de condutas mais amplas e ricas do que aquelas que sentem mais mal-estar emocional. Além disso, promove hábitos de vida saudáveis, de modo que é uma forma eficaz de prevenção.

Isto faz com que a satisfação com a vida seja maior. Esta satisfação é a percepção que temos, cada um de nós, da quantidade e da qualidade da felicidade que desfrutamos. Mas, que importância tem isto no nosso bem-estar? Muita. E não somente a nível psicológico, mas também a nível físico. Uma alta satisfação com a vida está relacionada a uma maior expectativa de vida, saúde e longevidade.

Que relação existe entre personalidade e emoções?

De fato, implica uma vantagem no equilíbrio hormonal, assim como em outros indicadores tanto do sistema fisiológico quanto imunológico. Também está associado a uma maior satisfação com os relacionamentos sociais (tanto as amizades quanto os relacionamentos amorosos) e com o próprio salário e trabalho. Por fim, faz com que tenhamos estratégias de enfrentamento adaptativas, direcionadas à solução de problemas.

A personalidade e a felicidade

Foram realizadas diversas pesquisas a respeito de como os traços de personalidade influenciam os tipos de emoções que predominam em nossas vidas. Então, descobriu-se que a neurose está relacionada com a afetividade negativa, enquanto a extroversão está relacionada com a positiva. Em outras palavras, as pessoas introvertidas costumam pontuar mais alto em afeto negativo e as extrovertidas em afeto positivo.

“Os pensamentos são os tijolos com os quais você haverá de construir o edifício da sua personalidade. O pensamento determina o destino. O mundo que o rodeia é o reflexo dos seus próprios pensamentos.”
-Swami Sivananda-

Agora vejamos os diferentes tipos de personalidade afetiva. Existem quatro. O primeiro é o das pessoas autoconstrutivas, que pontuam alto quanto a afeto positivo e baixo em negativo. Este primeiro tipo, como é evidente, apresenta maiores níveis de felicidade ou bem-estar subjetivo.

O segundo tipo de personalidade é o afetivo-alto. Aqui estão as pessoas com afeto intenso, tanto para o polo positivo, quanto para o negativo. São os que seguem, em termos de mais felicidade. A seguir vêm os do terceiro tipo: os afetivos baixos. Quem são eles? Os que apresentam baixos níveis de ambos tipos de afeto.

Que relação existe entre personalidade e emoções?

Por fim, os menos felizes são os do tipo de personalidade afetiva autodestrutiva. Estas pessoas apresentam baixos níveis de afetividade positiva, mas altos níveis de afetividade negativa. Isto posto, não é difícil imaginar que seus níveis de bem-estar subjetivo sejam os mais baixos.

A personalidade e a resiliência

Estas pesquisas também descobriram que o tipo autoconstrutivo apresenta uma pontuação elevada em extroversão e poucos pontos em neurose. Mas não só isso, também obtém elevadas pontuações em outro aspecto que não mencionamos até agora: a responsabilidade.

“Às vezes, diante do mau comportamento dos outros, a gente se sente orgulhoso de ser como é.”
-André Maurois-

Este perfil de personalidade não apenas se relaciona com níveis mais elevados de felicidade, mas também se associa a uma maior resiliência: a capacidade de ver as dificuldades como desafios a superar e dos quais sair fortalecidos, em vez de enxergá-los como muralhas intransponíveis ou ameaças.

Então, as pessoas que não se consideram capazes de enfrentar as situações se enquadram no perfil de vulnerável ou inibido. Ou o que é o mesmo: com o tipo autodestrutivo. Isto visto, é possível supor que a personalidade tem uma forte relação com a nossa saúde global, influenciando os diferentes âmbitos de nossas vidas, como o estado emocional, com tudo que isto significa.

Imagens cortesia de Lesly B Juarez, Haley Phelps e Brooke Cagle.