A pessoa altamente sensível e o complexo mundo do trabalho

A pessoa altamente sensível e o complexo mundo do trabalho

8, janeiro 2017 em Psicologia 1902 Compartilhados
A pessoa altamente sensível e o complexo mundo do trabalho

A pessoa altamente sensível (PAS), muitas vezes sente o ambiente de trabalho como um cenário hostil e complexo. A competitividade, a rigidez estrutural, as críticas, os sons e as conversas forçadas esgotam a sua mente e a sua energia. Raramente eles param para apreciar as suas capacidades excepcionais.

Daniel H. Pink é um especialista na área de motivação do trabalho e autor de vários livros de sucesso sobre o mundo da psicologia aplicada aos negócios. De acordo com ele, o futuro pertence ao “hemisfério direito” do cérebro. Chegamos a um ponto em que a sistematização, a computação e a automatização estão evoluindo rapidamente para abrir caminho para novas habilidades conhecidas como de “alto conceito”, integrando a intuição, a criatividade e a empatia.

“Não despreze a sensibilidade de ninguém. A sensibilidade de cada um é o seu verdadeiro gênio”.
-Charles Baudelaire-

Sabemos que, atualmente, estes novos ambientes de trabalho não são apreciados, não são vistos e dificilmente são encontrados. A pessoa altamente sensível (PAS) é muitas vezes obrigada a se integrar em um ambiente muito estruturado onde é incapaz de “florescer” profissionalmente.

Dessa forma, acabam esgotados física e emocionalmente pelo seu esforço contínuo para se encaixar em um contexto difícil e até mesmo contrário à sua essência, a sua personalidade. Uma realidade delicada da qual falaremos abaixo.

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A pessoa altamente sensível (PAS) e seus problemas no ambiente de trabalho

A Dra. Elaine Aron, uma especialista na questão da alta sensibilidade, indica que, na realidade, poucas PAS se sentem bem em seu trabalho. Na verdade, em muitos ambientes de trabalho a sensibilidade é vista como uma característica passiva e inútil para a empresa.

Sabemos que toda pessoa, seja PAS ou não, precisa sentir-se valorizada e respeitada no trabalho para ser produtiva, para dar o melhor de si. No entanto, a sensibilidade elevada precisa de mais do que isso. Precisa de seu próprio “habitat”, onde possa se desenvolver e se sentir bem emocional e mentalmente; precisa ajustar seu coração a um determinado contexto.

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Principais problemas dos ambientes de trabalho atuais para pessoas com alta sensibilidade

A pessoa altamente sensível é como um “radar”. Qualquer alteração, desacordo ou disfunção no ambiente de trabalho será percebido pela PAS em primeiro lugar. Estas situações a submetem a um estado de ansiedade constante.

  • Um ambiente de trabalho com sons excessivos, luzes ou onde a interação pessoal é contínua sobrecarrega o seu sistema nervoso; eles ficam esgotados em poucas horas.
  • Outro aspecto interessante é que a alta sensibilidade é capaz de antecipar qualquer necessidade que surja no seu ambiente de trabalho. Dessa forma, a pessoa acaba assumindo a responsabilidade dos outros. No entanto, ela não o faz pela simples necessidade de agradar aos outros, mas porque entende que deve ser feito. Algo que a longo prazo aumenta ainda mais a sua sobrecarga.
  • Por sua vez, o departamento de Recursos Humanos nem sempre cuida do “clima” do ambiente de trabalho ou é receptivo a essas sutilezas que cercam a pessoa altamente sensível. O que acontece muitas vezes é que tenham ideias equivocadas sobre este tipo de personalidade: acreditam que são vulneráveis, incapazes de alcançar o sucesso e a liderança.

Isto é completamente errado, e neste artigo vamos esclarecer por quê.

O futuro das organizações inteligentes e de alta sensibilidade

Como falamos no início, o modelo atual das grandes empresas e organizações está mudando. Elas precisam de pessoas mais intuitivas, criativas e sensíveis ao ambiente para antecipar o que a sociedade precisa. Esse suposto viés cultural que tratava as pessoas altamente sensíveis como um setor “passivo” está começando a mudar.

  • A sensibilidade elevada é uma ferramenta valiosa para perceber e antecipar novos mercados. São pessoas capazes de empatizar com o cliente para saber o que ele deseja.
  • As empresas do futuro procuram gerir melhor a diversidade do seu pessoal. Os ambientes de trabalho não desejam ter um exército de “profissionais semelhantes”. Agora, eles precisam de pessoas diferenciadas, que podem fornecer um capital humano único e excepcional, onde a criatividade e a intuição são duas estratégias muito poderosas.

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As pessoas altamente sensíveis também integram essa habilidade conhecida como “alto conceito”, que mencionamos no início do artigo. Este é um aspecto que caracteriza os bons líderes. Porque, para a surpresa de muitos, as PAS têm um perfil ideal para liderar: elas são visionárias, intuitivas e capazes de antecipar os fatos, nunca de forma irresponsável, tendenciosa ou reducionista.

Elas planejam muito bem e criam um bom ambiente social; estão sempre vigilantes, buscando a excelência em tudo o que fazem e fomentam um espírito consciente e inovador, que será sem dúvida a chave para o futuro em muitas organizações.  As PAS só precisam acreditar mais em si mesmas para que, mais cedo ou mais tarde, o mundo descubra tudo o que pode oferecer esse olhar que entende a vida a partir do coração e através do hemisfério direito do cérebro.

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