Por que há pessoas que acreditam nas pseudociências?

Por que há pessoas que acreditam nas pseudociências?

maio 31, 2017 em Psicologia 189 Compartilhados
Por que há pessoas que acreditam nas pseudociências?

É curioso ver como há pessoas, inclusive com cursos superiores e acesso à informação, que se sentem tremendamente atraídas pelas pseudociências. A homeopatia, o reiki, as constelações familiares ou a astrologia chamam a atenção de um público que espera encontrar respostas às suas perguntas em âmbitos que nada têm a ver com a ciência ou com a verdade.

Psicólogos, cientistas e sociólogos não deixam de se perguntar por que as pessoas acreditam em algo que não podem demonstrar. O escritor e historiador de ciências Michael Shermer comenta em seu livro “Por que as pessoas acreditam em coisas estranhas?” que entre as causas está a falta de pensamento crítico, a queda do hábito da leitura e o aumento da televisão, o medo da ciência ou a educação recebida.

Mas parece que existe outro motivo ainda mais surpreendente: as pessoas acreditam nas falsas ciências porque se sentem bem fazendo isso, elas gostam e isso as reconforta.
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É evidente que quando algo nos atrai, é porque existe um reforço positivo de base e isso os gurus que se dedicam a divulgar essas teorias sabem muito bem, mesmo que não exista nenhum estudo científico para apoiar.

A comodidade das pseudociências

Acontece que as pessoas se sentem muito cômodas seguindo diferentes pseudociências porque são, digamos assim, fáceis de colocar em prática. Por exemplo, quando alguém começa um tratamento psicológico, tem inevitavelmente que colocar em prática diferentes estratégias ou técnicas, comprovadas cientificamente, que não são nada agradáveis, mas que finalmente farão a doença desaparecer.

homeopatia

Pelo contrário, as pseudociências não te farão experimentar frustrações, aumento das emoções nem irão te expor ao medo. Resultado? A pessoa fica viciada pelo simples fato de que se sente muito cômoda sendo compreendida e sem sair da zona de conforto. Ela não tem que realizar o esforço exigido pelo tratamento ou sofrer as consequências dos medicamentos.

Ela não cura, mas estar em contato com a pseudociência é como um reforço negativo, já que elimina o incômodo, o esforço ou o sacrifício. No fim, o cliente pensa que é a única coisa que conseguiu ajudar de verdade.

Essas pessoas acabam acreditando que não puderam escapar do seu distúrbio ou doença porque, no caso delas, não era possível; quando na realidade é porque não dr colocaram nas mãos de profissionais reais por medo do que poderia acontecer.
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A pseudociência ajuda a aliviar a dissonância cognitiva: a contradição que existe às vezes entre o que pensamos e o que realmente fazemos. É muito mais fácil pensar “o meu caso não tem solução” do que se expor ao sofrimento momentâneo que os tratamentos podem envolver. O que essas pessoas buscam é poder confirmar suas crenças, que por outro lado não têm fundamento.

Mas as pseudociências não são fáceis apenas para o paciente. Quem as coloca em prática também não precisa de muito esforço para chegar a ser um “profissional”. Não são necessários títulos, anos de esforço, práticas oficiais ou concursos: ter alguém que lhe ensine algumas noções já é o suficiente.

Elas acabam atribuindo a si mesmas uma espécie de autoridade que lhes faz sentir importantes e acreditar ainda mais no que disseminam.
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As pseudociências e o desespero

A crença nas pseudociências não é só devido à dissonância cognitiva ou à comodidade. O desespero que algumas pessoas sofrem de não ver saída ou cura para sua doença ou para a de algum familiar faz com que recorram a aparentes soluções alternativas.

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Quando uma pessoa já não tem nada a perder, ela se agarra com unhas e dentes, quase sem se importar com as consequências. O problema é que, na maioria das vezes, as consequências são o agravamento do estado do paciente – as pseudociências criam iatrogenia – e a falência financeira. Costuma-se dizer que a necessidade tem cara de herege, e nesses casos isso se encaixa perfeitamente.

O que as falsas ciências buscam é um público inseguro, perdido na falta de esperança e que chegou no fundo de um poço tão profundo e escuro que está disposto a assumir quase qualquer excentricidade.
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Talvez se essas pessoas aprendessem a aceitar as duras derrotas que às vezes a vida nos lança de forma tão bruta, tudo seria muito mais simples. A realidade é que a ciência é a única que é capaz de dar resposta aos problemas que encontramos, seja problemas de índole psicológica ou física, e se em algum momento ela estiver limitada, é porque até agora não existe maneira de solucionar a questão.

O problema é a falta de informação. Portanto, informar-se sempre com estudos científicos antes de tomar qualquer decisão ou até consultar com um profissional – que não deixa de ser um cientista – é o que temos que fazer se não quisermos acabar nas garras dos charlatões.

Vamos tentar praticar o pensamento racional acima de tudo e vamos confiar naquilo que é empírico. Existem muitos profissionais trabalhando todos os dias para encontrar soluções, verdades, causalidades… tudo o que sai disso é pura fantasia.

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