Pessoas com deficiência: por um futuro mais inclusivo

janeiro 21, 2020
Uma pessoa com deficiência não precisa da nossa compaixão, e sim de inclusão. O que ela espera da sociedade são recursos e meios para realizar suas atividades, para se sentir competente e poder manter uma vida plena em igualdade e felicidade.

As pessoas com deficiência formam a “minoria” mais extensa da nossa sociedade. Segundo a OMS, cerca de 15% da população mundial apresenta alguma limitação que prejudica o correto funcionamento da sua vida cotidiana.

Este amplo coletivo demanda, acima de tudo, uma mudança de percepção e uma visão mais real sobre ele, a partir da qual construir, entre todos, um futuro mais inclusivo.

Quando falamos desse setor da nossa sociedade, é comum que surjam termos como “inválidos” ou “incapacitados”. As palavras importam, porque a linguagem dá visibilidade e define fatos reais que acontecem ao nosso redor.

Assim, algo que os organismos correspondentes demandam, em primeiro lugar, é que optemos sempre por falar, simplesmente, de pessoas com deficiência. Desse modo, evitamos a conotação negativa.

Estes termos se ajustam muito melhor a esta realidade social, porque com eles designamos um grupo de pessoas que, por algum problema específico, tem a sua funcionalidade limitada.

Graças a diversos recursos, como apoios técnicos e outros produtos, suas limitações deixam de ser tão amplas. Mais do que isso, às vezes esta deficiência está em um entorno não adaptado que não sabe dar uma resposta a ela, e também em uma sociedade que ainda não proporciona algo indispensável: a inclusão.

“A única incapacidade na vida é uma má atitude”.
-Scott Hamilton-

Pessoas com limitações físicas

As pessoas com deficiência não são diferentes; elas têm necessidades específicas

Todos os anos, no dia 3 de dezembro, é celebrado o dia das pessoas com deficiência, em uma tentativa de promover os direitos e o bem-estar deste coletivo. 

É essencial facilitar recursos adequados a cada homem, cada mulher e cada criança que se encontre em uma situação de vulnerabilidade. A atenção é o primeiro passo. No entanto, ainda precisamos trabalhar muito em outros aspectos.

Um exemplo: atualmente não há muita visibilidade das pessoas com deficiência em nossas esferas públicas. No mundo da cultura, das empresas ou da política, não vemos muitos nomes que pertencem a este coletivo.

Seria maravilhoso, sem dúvida, termos líderes com algum tipo de deficiência, diretores ou diretoras de cinema, artistas, etc. Em nossa mente podem surgir nomes como Stephen Hawking, que apesar de sofrer de ELA (esclerose lateral amiotrófica), conseguiu avançar em sua carreira e se tornar uma figura de renome em seu campo.

Precisamos empoderar mais estas pessoas para criar um futuro mais inclusivo e igualitário.

Por outro lado, o relatório mundial da OMS destaca diversos aspectos sobre os quais deveríamos refletir para analisar a situação atual das pessoas com deficiência. Vamos nos aprofundar neles a seguir.

Dados sobre as pessoas com deficiência

  • Mais de um bilhão de pessoas vivem com alguma deficiência. Elas compõem, portanto, a “minoria” mais extensa da nossa sociedade.
  • Os problemas de deficiência têm um impacto maior em pessoas sem recursos.
  • A atenção médica recebida nem sempre é a mais adequada.
  • Elas têm um risco maior de sofrer maus-tratos, tanto físicos quanto psicológicos.
  • As crianças com alguma deficiência continuam apresentando uma maior vulnerabilidade do que as crianças sem problemas físicos, intelectuais ou de desenvolvimento.
  • Ter algum tipo de deficiência implica ter menores oportunidades de emprego.
  • Algo tão básico quanto receber recursos, reabilitação e apoio social e médico muda por completo a vida das pessoas com deficiência.
  • Este coletivo sofre de problemas para se integrar à sua comunidade e participar de atividades cotidianas.
Crianças surdas conversando

Do que precisamos para proporcionar uma inclusão real e efetiva para as pessoas com deficiência?

Uma pessoa com deficiência não é incapacitada. É uma pessoa que tem a sua funcionalidade limitada em um aspecto específico que, com os recursos adequados, poderia até se desenvolver com normalidade.

Como fazer isso? Do que precisamos para garantir a inclusão? Estas seriam algumas chaves.

Elas precisam de apoio, e não apenas de cuidados. Querem respeito, e não pena

Uma pessoa com deficiência não espera que cuidemos dela (pelo menos não em todos os casos), nem que supervisionemos cada um dos seus passos para acudir ao seu resgate.

O que ela quer e precisa são meios para viver por si própria, na medida do possível, dispor de autonomia e das mesmas oportunidades que qualquer outra pessoa.

Portanto, se nos limitarmos apenas a ver o que nos diferencia delas, estaremos discriminando. A conscientização é, sem dúvida, o primeiro passo para a inclusão.

Apoio social e político

Os governos e organismos públicos devem aplicar as seguintes estratégias:

  • Facilitar o acesso das pessoas com deficiência a qualquer serviço da comunidade.
  • Facilitar o acesso deste coletivo ao mercado de trabalho, evitando qualquer discriminação.
  • Melhorar a educação por meio de recursos adequados e apoio às crianças com deficiência.
  • Fomentar a realização de pesquisas para melhorar a vida de pessoas com deficiência.
Meninos com síndrome de down

Para concluir, este coletivo tão amplo e importante da nossa população não deveria precisar de um dia específico no calendário para nos lembrarmos dele.

Muito além do dia 3 de dezembro, há mais 364 dias nos quais eles seguem presentes, aguardando, talvez, o seu primeiro emprego, esperando um professor de apoio em sua sala de aula, e sonhando com uma vida plena e feliz como qualquer um de nós.

Pensemos nisso.