Lembre-se: as pessoas fazem as coisas e você decide se elas irão afetá-lo

Lembre-se: as pessoas fazem as coisas e você decide se elas irão afetá-lo

janeiro 7, 2017 em Psicologia 7759 Compartilhados
Lembre-se: as pessoas fazem as coisas e você decide se elas irão afetá-lo

As pessoas fazem coisas que nem sempre harmonizam com os nossos gostos, com os nossos princípios ou valores. No entanto, só você pode decidir se elas irão afetá-lo ou não. Porque nos amargurarmos pelo que não podemos mudar é perder qualidade de vida. No final das contas, trata-se de algo tão simples quanto “ser e deixar ser”.

Em física quântica existe um conceito conhecido como “entrelaçamento quântico” que inquietou desde sempre o próprio Albert Einstein e que, de certa forma, pode ser aplicado ao comportamento humano. Segundo este princípio, quando duas partículas fazem contato entre si, elas mudam em algum aspecto para sempre. Além disso, mesmo que não estejam perto uma da outra, aquilo que criaram juntas causa um impacto sobre o resto das partículas.

Este entrelaçamento quântico também nos caracteriza. É fácil de entender, vamos pegar um exemplo. Temos um colega de trabalho com um hobby muito particular: semear críticas. O mau humor que seu comportamento e sua atitude produzem em nós é introduzido todos os dias na nossa mochila emocional, até o ponto de que este mal-estar afeta a forma como tratamos a nossa família.

Todos nós somos como partículas caóticas chocando-nos umas com as outras e magnetizando certas cargas emocionais. O que uns fazem outros sofrem, e os que sofrem começam uma cadeia de contágio deste sofrimento. Temos que quebrar essa interligação que dizima todos os dias a qualidade das nossas relações. Vamos educar nossas mentes para que seja capaz de se afastar e romper esse jogo de forças.

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Há coisas que não me afetam mais: o princípio da flutuabilidade

Certamente que neste momento da vida, há muitas coisas que já não te afetam. Você aprendeu que não é bom esperar tanto das pessoas, que é melhor ser cauteloso e deixar que o trato diário revele a verdadeira essência daquele suposto amigo.

No entanto, e apesar de toda a sua bagagem experiencial, você ainda tropeça na mesma pedra: a da decepção. Porque nessas nossas selvas comportamentais, a conhecida frase “ser e deixar ser” se transforma muitas vezes em um “eu sou e não te deixo ser”.

Como evitar que este tipo de atitude nos afete? Não se trata de modo nenhum de sermos passivos, de colocarmos em prática a “não resistência” onde nos transformamos pouco a pouco nos alvos de todas as flechas envenenadas. O conhecido analista laboral e escritor Daniel Pink nos introduz um termo muito interessante e, ao mesmo tempo, útil neste mesmo contexto: a flutuabilidade.

Para compreender este termo, basta visualizar uma bela boia suspensa no mar. Este objeto sabe muito bem o que é e como o oceano o trata, no entanto, jamais afunda. A boia está sempre a flutuar sobre a superfície, sem se importar com as ondas do oceano ou com as tempestades. Esta resistência mental procede deste ponto sutil de equilíbrio e força onde a pessoa sabe muito bem quais são os seus valores, seus pontos fortes interiores e suas dificuldades emocionais.

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O que eu sou e o que você é também está em harmonia

As pessoas esperam e merecem respeito, consideração e reconhecimento. Quando um destes pilares se desmorona, temos pleno direito de nos defendermos, de reagirmos e de nos protegermos. No entanto, temos que ter vários aspectos claros.

  • “Você é você e eu sou eu”. O que os outros dizem ou pensam de nós NÃO determina o que somos. Não importa quanto fogo saia por suas bocas, nem que tipo de veneno desejam lançar. Quem decide se queimar ou não somos nós. Quem tem o poder para retirar a mão e escolher não se envenenar também somos nós.
  • “Te aceito como você é”. Aceitar uma pessoa não significa estar de acordo com o que ela diz ou faz. Significa deixar de brigar com ela para aceitá-la como alguém diferente de nós. Portanto, aceitar neste caso é renunciar a mais brigas, a investir mais tempo, esforço e sofrimento no que não vale a pena.

Além disso, também existe uma certa harmonia nesta renúncia que gera aceitar uma pessoa como ela é para podermos ser livres. É se desprender de algo para recuperar um equilíbrio interno: para subir e voltar a flutuar.

Falamos no início do princípio de “entrelaçamento quântico”. Sabemos que não estamos sozinhos nos nossos entornos, nestes campos gravitacionais onde todos nos chocamos com todos em uma dança por vezes fora de sintonia.

Neste jogo de forças e interações, como dizia o próprio Einstein, quase sempre levamos algo dos outros. Portanto, vamos tentar não ser magnetizados só pela carga negativa, essa com a qual, de alguma forma, podemos contagiar os nossos entes mais queridos.

Vamos deixar, simplesmente, que os outros sejam como desejam ser. Permita que o falador fale, que o desordenado perca tempo em sua desordem. Deixe que o amargurado amargue a própria vida e que o crítico se envenene com sua própria língua. Deixe as pessoas serem como bem quiserem, mas quando estiverem perto de você, não se esqueça de COMO VOCÊ É.

Aja como essa boia firme no oceano, bem aferrada aos seus princípios, às suas forças internas. Mais cedo ou mais tarde a tempestade sempre passa.

Imagens cortesia de Willoughby Owen, Nature PhotoSky e Paul Scott Fawler

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