Pessoas impositivas: entre a fraqueza e o narcisismo

· agosto 25, 2017

As pessoas impositivas não nascem, se tornam. Não existe um gene ou algum traço biológico ou fisiológico que induza a ser autoritário. Essa tendência ou necessidade de controlar os outros é transmitida culturalmente de forma integral. Primeiro pelo entorno, e logo pelo núcleo familiar.

O que faz com que as pessoas sejam impositivas é, por um lado, um sistema de valores, e por outro, um conjunto de traços de personalidade. O autoritário não acredita ter um problema. Ao contrário, costuma pensar que seu jeito de agir é louvável. Da mesma forma, seus vazios e conflitos psicológicos o reafirmam na sua posição.

“Não existe tirania mais cruel do que a que se perpetua sob o escudo da lei e em nome da justiça.”
-Montesquieu-

Esta forma de ser e de sentir prejudica a pessoa impositiva, mas também quem está ao seu redor. Impede a criatividade, detém avanços e mudanças e nutre formas de comunicação pouco saudáveis. Também torna os relacionamentos humanos um constante conflito, que às vezes explode e às vezes se mantém como uma tensão pesada e surda.

Os traços das pessoas impositivas

As pessoas impositivas nem sempre apresentam este traço no mesmo nível. Existem algumas que são mais, outras menos. O espectro vai desde quem tende a ser controlador até quem é absolutamente sádico. É claro que falamos de sadismo no sentido genérico, não na sua vertente sexual.

Pessoas impositivas: entre a fraqueza e o narcisismo

Contudo, todas as pessoas impositivas têm alguns traços em comum, ainda que com intensidades diferentes. Os principais são:

  • São agressivos. Acreditam que um problema pode ser resolvido através da violência física ou simbólica.
  • São dogmáticos. Não estão dispostos repensar as ideias, sob nenhuma circunstância.
  • Adoram mandar nos outros, colocar regras para tudo e impor castigos a quem não obedecer.
  • Reagem energicamente se questionados ou desafiados.
  • São insensíveis às emoções e às necessidades dos outros.
  • São pouco expressivos com seus sentimentos amorosos.

As pessoas impositivas adoram as instituições hierárquicas, especialmente se lhes outorgam alguma superioridade sobre os outros. Gostam de controlar a conduta dos outros. Se chegarem à violência, não sentem culpa. Sentem-se justificadas por um “bem superior”, como por exemplo, “pelo bem da empresa” ou “o bem-estar” de alguém.

Os diferentes tipos de pessoas impositivas

Nem todos os autoritários se comportam do mesmo jeito, por isso foi criada uma classificação que permite agrupar as variações existentes. Existem quatro grandes tipos de pessoas impositivas, que são os seguintes:

Pessoas impositivas: entre a fraqueza e o narcisismo

  • Impositivo que se “faz respeitar”. O eixo da vida e dos valores deste tipo de pessoa são as normas. Sentem que têm o direito de exigir seu cumprimento dos outros e de sancioná-los se não acatarem estes mandamentos.
  • Impositivo tirânico. É o tipo mais cruel e violento dentro das personalidades impositivas. São pessoas frias e calculistas, inclusive no jeito de infringir a dor sobre os outros. Corresponde, por exemplo, aos grandes ditadores.
  • Impositivo explosivo. Neste tipo estão as pessoas que têm grandes dificuldades de autocontrole e acabam administrando tudo com explosões de humor. Estas atitudes de descontrole são tão fortes que os outros acabam não os contrariando e deixam que façam o que queiram para não terem que suportar suas “birras”.
  • Impositivo frágil. São muito covardes e inseguros. Só mostram o seu autoritarismo para os mais fracos e indefesos. O usam como instrumento para criar uma imagem própria de força. A este grupo pertencem, por exemplo, os gângsters.

Diferentemente dos psicopatas ou antissociais, as pessoas impositivas ou autoritárias não são indiferentes ao dano que podem causar aos outros. Comportam-se como vigias ou guardas da moral, dos bons costumes ou de algum sistema de crenças. São o típico censurador que quer vigiar, aprovar ou desaprovar e castigar no caso de não haver obediência.

Pessoas impositivas: entre a fraqueza e o narcisismo

Existe algum jeito de deixarem de ser impositivos? O que este tipo de pessoa precisa é fazer um processo de “remoralização”. Isto significa que o que precisa mudar neles é, basicamente, o seu sistema de valores. Precisam entender que o respeito e a tolerância são virtudes do mais alto valor. Também precisam olhar para o seu interior e admitir que são seus medos e vazios que os levam a querer se impor sobre os outros.