Existem pessoas incapazes de amar?

O trauma da infância costuma ser um dos principais fatores por trás da dificuldade (ou incapacidade) de amar. No entanto, existem mais variáveis que vale a pena conhecer.
Existem pessoas incapazes de amar?

Última atualização: 01 Setembro, 2021

Existem pessoas incapazes de amar? A resposta para esta pergunta é complexa e, embora possamos dizer “sim”, existem nuances. Há quem tenha claras dificuldades de amar e de se deixar amar. São muitos os homens e mulheres que, em decorrência de uma infância traumática, apresentam sérios problemas para construir relacionamentos plenos e felizes.

Desta forma, mais do que uma incapacidade clínica ou neurológica para experimentar o amor, o que existe é “medo”, medo de ser magoado, ansiedade de sentir um apego por alguém que depois o abandona ou magoa. Por outro lado, quando se trata de pessoas com transtorno de personalidade antissocial, psicopatia ou narcisismo, a questão é ainda mais complexa.

Nesses casos, eles desenvolvem um relacionamento baseado em um apego desorganizado. Sim, eles podem estabelecer relacionamentos românticos, mas eles geralmente são regidos por interesses específicos, como satisfação, desejo ou complacência. Assim, como podemos intuir, este tópico envolve um caleidoscópio de nuances interessantes que vale a pena conhecer.

A evitação ou retração emocional é uma das principais características daquelas pessoas com claras dificuldades em estabelecer relações afetivas.

Homem triste incapaz de amar

Pessoas incapazes de amar: possíveis causas associadas

O que torna as pessoas incapazes de amar? Elas são uma “falha” da natureza? Este é o primeiro raciocínio a que chegamos quase sem pensar. Agora, antes de concluir isso, convém nos fazermos uma pergunta simples: por que o ser humano ama? Talvez, entendendo por que esse sentimento nos define, vislumbremos o porquê de alguns carecerem dele.

A conhecida antropóloga Helen Fisher explica em seu livro Por que amamos? que as pessoas se movem, basicamente, por instinto. Neurotransmissores, como a oxitocina, a serotonina, a dopamina e a vasopressina, impulsionam a atração, o desejo do outro, a necessidade de cuidar, de compartilhar experiências… Somos o resultado do que nosso cérebro manda.

Por outro lado, trabalhos de pesquisa como o realizado pela Dra. Elaine A. Aaron explicam outra coisa. As pessoas amam por necessidade de expandir o seu “eu”. Além da atração, existe o desejo de compartilhar a vida com alguém, de crescer como pessoa ao lado de alguém no mesmo processo, projeto e objetivo.

Somos seres sociais e o amor nos permite criar laços estáveis com os quais evoluir, sentir-nos seguros… Portanto, sabendo disso: por que existem pessoas incapazes de amar?

Transtorno de privação emocional

O transtorno de privação emocional é uma condição psicológica definida pelos psiquiatras Conrad Baars e Anna Terruwe em meados do século XX. Deve-se notar que ele não aparece em nenhum manual de diagnóstico e que não temos uma documentação científica extensa sobre ele.

No entanto, é comum que este termo seja referido sempre que se aborda o assunto de pessoas que não sabem ou são incapazes de amar. Os Drs. Baars e Terruwe encontraram um padrão muito característico neste perfil:

  • São pessoas que não mantêm contato visual.
  • Experimentam sentimentos de solidão, mas ao mesmo tempo não gostam de socializar.
  • Eles se sentem constantemente julgados pelos outros e são desconfiados.
  • Muitas vezes afirmam que nunca foram e nunca serão amados e que, portanto, não podem oferecer afeto.
  • Experimentam sentimentos de culpa e exibem uma clara baixa autoestima.

Esses tipos de características tendem a aparecer com frequência em pessoas com autismo e também com transtorno de acumulação.

As pessoas incapazes de amar e os traumas de infância

Por trás de boa parte das pessoas incapazes de amar, o que existe, na realidade, é o medo. É o medo de se machucar. É desconfiança e angústia por repetir os mesmos padrões traumáticos da infância. Em muitos casos, o que explica essa dificuldade de amar e ser amado são os traumas de infância, como abuso físico e psicológico, abandono, abuso sexual, etc.

Essas pessoas estão emocionalmente fraturadas. O tempo dificilmente cura e resolve alguma coisa, especialmente se a terapia não for usada. Isso faz com que elas tenham grandes dificuldades para estabelecer relações afetivas. Amor é conexão, e se o que foi recebido cedo foi um substituto do amor envenenado que causou uma imensa dor, é comum evitá-lo.

Muitas pessoas que sofreram abusos ou maus-tratos na infância estão desconectadas do amor. Elas não o entendem e não o concebem porque nunca o receberam. Elas temem se abrir emocionalmente com os outros porque isso as faz sentir vulneráveis, e esse sentimento as coloca em alerta e os assusta.

Jovem triste

A alexitimia

A alexitimia define um tipo de distúrbio de aprendizagem emocional. Muitas vezes, a origem está em um problema neurológico que dificulta a compreensão do universo das emoções. Nesse caso, a pessoa é capaz de se apaixonar, mas não sabe com certeza o que é esse sentimento e o que fazer a respeito.

Eles não têm empatia, não reagem às emoções dos outros e não conseguem entender o que está acontecendo dentro deles. Este distúrbio ou alteração cerebral afeta mais pessoas do que pensamos. Muitos deles estão suspensos em um limbo a partir do qual é difícil estabelecer amizades, relacionamentos, etc.

Deve-se observar que essa condição também pode estar presente em homens e mulheres com autismo e com personalidade psicopática.

Para concluir, existem vários motivos pelos quais existem pessoas que não conseguem amar. O mais decisivo é entender a causa por trás do problema e trabalhá-la. Todos nós merecemos aprender a amar e a sermos amados.

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  • Aron, EN & Aron, A. (1996) “Love and Expansion of the Self: The State of the Model”, Personal Relationships 3, 1: 45–58
  • Baars, Suzanne and Bonnie Shayne. The Discovery of Deprivation Neurosis. Conrad Baars. Retrieved January 15, 2006.
  • Fisher, Helen (2004) ¿Por qué amamos?. Madrid: Taurus