Pregorexia: o medo de engordar das gestantes

· junho 28, 2018

Quando uma mulher está grávida, o mais comum é que ela engorde de 9 a 14 quilos. Apesar dessa cifra variar, o normal é que, depois do primeiro trimestre, a mãe engorde um quilo e meio a cada mês. No entanto, algumas mulheres desenvolvem a pregorexia, um transtorno conhecido como a anorexia das gestantes, que invalida essa norma.

A perda ou a ausência do ganho de peso, assim como a falta de nutrientes essenciais, impedem que o feto possa crescer corretamente. Por isso, e apesar de acontecer em um pequeno número de casos, as repercussões da pregorexia podem ser muito graves, tanto para a mãe quanto para o feto.

Como as mulheres grávidas evitam engordar?

Este anglicismo deriva de pregnancy (em inglês, gravidez) e anorexia. É um transtorno alimentar que afeta as mulheres grávidas que desenvolvem um medo irracional de engordar durante o período da gestação. Elas teimam tanto em querer manter o seu peso corporal que fazem todo tipo de ação para poder manter a forma.

Optam por restringir ao máximo o que comem seguindo dietas hipocalóricas e restritivas. Evitam os alimentos com muitos carboidratos e gorduras, e se privam de qualquer tipo de “desejo” característico da sua condição. Também fazem atividade física de maneira excessiva e obsessiva. Além disso, fazem uso de práticas purgativas depois de assaltar a geladeira, forçando vômitos e, inclusive, utilizando laxantes. Que perigo!

Medir a barriga na gravidez

É uma prática exclusiva de mulheres que sofreram de anorexia?

É possível que a gestante desenvolva a pregorexia sem nunca ter apresentado um transtorno alimentar anteriormente, mas isso não é comum. O mais frequente é que ela tenha sofrido com algum transtorno desse tipo, como a anorexia ou a bulimia nervosa, em outro momento da vida. No entanto, ter sofrido com isso no passado, apesar de aumentar o risco, não quer dizer que a gestante vai desenvolver um distúrbio durante os meses da gestação.

As causas desse transtorno têm a sua origem em fatores psicológicos, biológicos e interpessoais que predispõem a mulher a desenvolver um distúrbio deste tipo.

Sintomas da pregorexia

Os principais indicadores verbais de que a gestante sofre desse distúrbio são: evitar falar da gravidez, negar o seu problema e rejeitar tanto o seu estado quanto as mudanças próprias do mesmo. Tudo isso é fruto do seu sentimento de medo e da ansiedade de engordar. No fundo, elas acreditam na crença que, se não falarem sobre o assunto, ele não vai existir.

Fisicamente, é notório o pouco ganho de peso ou, inclusive, a perda dele durante a gestação. Isso é mais evidente durante o segundo trimestre, pois é o momento em que as mudanças corporais são mais notáveis.

Além disso, a dieta hipocalórica, o exercício físico excessivo e as práticas purgativas estão associadas a tonturas ou dores de cabeça e a uma fadiga excessiva. Isso causa dificuldades de concentração e problemas para dormir. Todos estes sintomas não só aumentam a possibilidade de uma gravidez de risco, mas também podem provocar problemas durante o parto e prejudicar o posterior desenvolvimento da criança.

Consequências da pregorexia para a mãe

As repercussões que envolvem este transtorno são, por um lado, as derivadas da falta de ingestão de alimentos: a desnutrição, a anemia, a bradicardia, as arritmias, a hipertensão, a queda de cabelo ou a pele muito seca e rachada. Junto com todas elas, que já são bastante graves, devemos acrescentar as consequências que elas têm para a gravidez.

A diminuição dos minerais essenciais, fruto da ingestão insuficiente, pode provocar a descalcificação óssea, assim como uma posterior baixa produção de leite materno. Isso dificultará que, uma vez nascido o bebê, a amamentação seja adequada e satisfatória.

Por outro lado, a mulher pode ter um menor volume de líquido amniótico, fluido vital para o feto, que o circunda e protege de lesões externas e possíveis golpes. Além disso, pode ocorrer um descolamento da placenta. Esta condição chega a ser muito grave, principalmente se acontecer no terceiro trimestre.

Enjoos na gravidez

Como a pregorexia afeta o feto?

A alimentação da mãe é crucial para o desenvolvimento do feto. Por isso, as consequências que este transtorno causa nele podem ser muito perigosas. A pregorexia aumenta a possibilidade de que ocorram complicações durante o parto. Algumas delas podem ser a insuficiência respiratória, o peso abaixo do normal ou valores muito baixos no Teste de Apgar. Também podem causar um parto prematuro (antes das 37 semanas de gravidez), malformações no feto, alterações neurológicas, TDAH ou deficiência intelectual.

Caso a mãe tenha sofrido um descolamento grave da placenta, o bebê com certeza terá problemas de crescimento. A pregorexia também aumenta a chance de falecimento do bebê durante seu primeiro mês de vida, assim como de um nascimento sem vida.

Tratamento integral

A maneira como a grávida come e o que ela come são dois aspectos igualmente importantes durante a gestação. Ingerir uma maior quantidade de alimentos é diferente de aumentar a qualidade dos mesmos. Por isso, a gestante deve prestar atenção à sua alimentação, mas não se obcecar com isso. Quanto antes for detectada a pregorexia, melhor. Haverá mais chances de que as suas consequências não causem um dano irreversível para a mulher e a criança.

Dado que se trata de uma doença com origem psiquiátrica, para poder aplicar um tratamento correto é necessária a presença de uma equipe multidisciplinar e especializada. Assim, médico psiquiatra, psicólogo, obstetra e nutricionista poderão ajudar a traçar uma abordagem complexa e integral do caso.

É conveniente criar um ambiente relaxado e cordial durante as refeições, assim como normalizar os horários das mesmas. É recomendável que a família não obrigue, nem se estresse com a quantidade de alimentos que a paciente deve comer. Isso pode ser muito prejudicial.

Tanto a obesidade quanto a magreza extrema podem provocar uma gravidez de risco. Por isso, o melhor é que a alimentação durante este período seja equilibrada e variada. Além disso, é conveniente fazer exercício físico de maneira regular, particularmente ioga, pilates ou caminhada. A estética nunca deve ser priorizada se a saúde está em jogo, muito menos a saúde do seu filho!