A anorexia no cinema: 5 títulos para entender o transtorno

A anorexia no cinema: 5 títulos para entender o transtorno

Março 10, 2018 em Filmes 2 Compartilhados
A anorexia no cinema: 5 títulos para entender o transtorno

Neste artigo listamos algumas das melhores representações da anorexia no cinema.

Por trás do nome ‘transtornos alimentares’ estão uma série de situações em que a saúde mental é prejudicada pela relação da pessoa com a comida e com a forma de se alimentar, que é influenciada ou condicionada por diferentes variáveis psicológicas a depender do transtorno. Algumas dessas variáveis são bastante conhecidas: autoestima, ansiedade, imagem corporal…

A anorexia e a bulimia são, provavelmente, os tipos mais conhecidos, mas não são os únicos. São transtornos que costumam começar na adolescência e dos quais é muito difícil sair. Além disso, sabe-se também que sua prevalência é maior entre as mulheres, ainda que cada dia haja mais homens que também precisam de ajuda psicológica por padecer de algum transtorno desse grupo.

Os problemas de saúde que podem surgir desse tipo de transtorno são muitos, e estes também costumam ser acompanhados de outros tipos de transtornos e doenças. Algumas exemplo são a depressão, a ansiedade, transtornos de personalidade, além de diminuição da frequência cardíaca, queda de cabelo, pele seca, desidratação, fadiga, etc.

Quais são as causas desses transtornos?

As causas podem ser muito diversas, variando de uma pessoa para a outra. Falamos, de modo geral – como dissemos antes, cada caso é único – de pessoas com falta de autoestima. Geralmente muito perfeccionistas e exigentes, podem apresentar problemas nas suas relações familiares ou de amizade, etc. Não há um fator único desencadeante, e sim um contexto influenciado por múltiplos fatores.

São transtornos que sempre existiram e que se manifestam de muitas formas. Isso não muda o fato de que nas últimas décadas temos visto um aumento da sua incidência na população. O mundo da moda, os padrões de beleza tão extremos e rígidos, ou a contínua exposição da sociedade atual à propaganda e às redes sociais podem ser alguns dos fatores responsáveis por esse aumento.

A influência do cinema nos transtornos alimentares

A beleza padronizada de mulheres magras já há um bom tempo não guarda relação com o que é realmente saudável, física e mentalmente. A imposição por parte dos meios de comunicação é tão forte que, em muitas ocasiões, vemos a nós mesmos condicionados a pensar que o certo, que o normal, é ter um corpo extremamente magro. O problema é que os meios de comunicação não refletem a realidade da quase totalidade de pessoas. Não somos todos iguais, e normalizar a magreza extrema como padrão pode trazer muitos problemas para a população.

Nesse sentido, é importante que existam dentro desses meios, como no cinema, correntes opostas, contrárias à padronização, funcionando como uma via em direção à tomada de consciência e não como um espelho quebrado que só refletirá imagens distorcidas da realidade. O problema no fundo não é a imagem alterada em si, mas sim a publicidade que faz dela um ideal, desejável e comum. Pensemos por um segundo no corpo das grandes modelos e estrelas de Hollywood, quantas delas nos representam? Quantas possuem corpos que se aproximam da realidade da maioria?

Transtorno alimentar
É difícil ver no cinema uma representação não enviesada da realidade. Isso ocorre porque são poucos os atores existentes que fogem do padrão de beleza imposto. Idealizamos personagens, atores, modelos e, como consequência, queremos parecer com eles. E isso é muito perigoso, especialmente para os jovens.

Nem mesmo os próprios membros da indústria que admiramos estão livres das pressões. Não é de se estranhar que um grande número de celebridades já tenha confessado ter sofrido de anorexia ou bulimia. Entre eles Allegra Versace, Mary-Kate Olsen, Victoria Beckham, Lady Gaga e Elton John.

É frequente a periodicidade com que vemos na imprensa notícias que criticam alguma celebridade por esta ter ganho peso. Lembro de um caso já antigo, faz alguns anos, quando Christina Aguilera decidiu interromper uma vida de dietas e ganhou alguns quilos. Ela foi duramente criticada por isso. Se uma atriz ou ator, nesse caso uma cantora, ganha ou perde peso, será falado e criticado em qualquer um dos casos. Parece que a imagem é mais importante do que a qualidade do trabalho produzido, seja na área que for.

“A perfeição é uma coleção de erros maquiada.”
-Mario Benedetti-

Representações da anorexia no cinema

Se quisermos refletir a realidade no cinema, devemos buscar atores e atrizes que se aproximem mais dela, que fisicamente se pareçam mais com as pessoas “mortais”. Mas e se os transtornos como a anorexia fossem diretamente representados? É possível falar da anorexia no cinema?

Há algumas questões que envolvem a representação da anorexia no cinema, e por isso não encontramos muitos exemplos de títulos sobre o tema, sendo que a maioria o trata residualmente. Uma personagem que tem anorexia ou bulimia, mas não é o foco do longa, e este acaba não se aprofundando. Há, ainda assim, alguns filmes que se aproximam mais do assunto.

É bastante delicado e complicado se aprofundar nesse tipo de transtorno, pois cada caso é um caso e diferente entre si. Além disso, pressupõe uma perda de peso para os atores, por exigências de representação do contexto, que não é nem um pouco saudável e positivo para a saúde. Por isso não há muitos filmes, mas ficamos aqui com uma pequena seleção de 5 títulos que nos possibilitam tomar consciência do problema.

1. Primo Amore

É um filme italiano de 2004 que narra outra perspectiva da anorexia. Nesse caso, é a obsessão masculina por mulheres extremamente magras. Vittorio é um homem obcecado pela perfeição e deseja encontrar uma mulher que seja exatamente do seu gosto, uma mulher extremamente magra.

Logo conhecerá Sonia que, ainda não tenha o peso que ele gostaria, o deixa apaixonado e então eles decidem começar uma relação. Sonia perde peso por amor, mas o que está por vir é um autêntico pesadelo. O filme nos joga no inferno que é a anorexia, mas a partir de um enfoque diferente que não fala apenas do transtorno, mas também da idealização.

Filme: Primo Amore

2. Garota, interrompida

É um filme de 1999 protagonizado por Winona Ryder. Os transtornos alimentares não são o ponto central da história, mas sim um conjunto de vários tipos de transtornos que, nesse caso, ocorrem desde a adolescência, momento cheio de inseguranças e no qual costumam surgir os primeiros sintomas. Aqui aparecem personagens que sofrem de anorexia e de bulimia. O destaque é para a personagem de Daisy, uma jovem que sofre de bulimia e também foi vítima de abusos sexuais.

Garota, interrompida

3. Maus hábitos

É um filme mexicano de 2005 que se concentra em uma família na qual vemos diversos transtornos alimentares. É uma dura crítica a imposições dos padrões de beleza. Nesse caso, será a mãe que não lidará bem com o corpo de sua filha. Um filme que também trata do tema de uma forma um pouco diferente da convencional.

Filme: Maus Hábitos

4. Thin

Esse não é realmente um filme, e sim um documentário. De qualquer forma, merece estar aqui nessa seleção. Trata-se de um documentário que aprofunda realmente a questão da anorexia e a obsessão pela imagem que a sociedade atual tem. Convida o espectador a repensar como estamos contribuindo para a perpetuação dos padrões de beleza.

5. O Mínimo para Viver

É um filme da plataforma Netflix que estreiou no Festival de Sundance no ano de 2017. O filme acabou envolvido em uma grande polêmica por tratar um tema tão sério de forma doce e suave. Acredito, no entanto, que alcança seu objetivo através da personagem Ellen, uma jovem que sofre de anorexia. Descobrimos um pouco sobre a luta que é travada por esses pacientes e como, às vezes, essa pode não ser tão efetiva como gostaríamos que fosse.

Como curiosidade, cabe destacar que a atriz que interpreta Ellen, Lily Collins, confessou já ter sofrido da doença e estar hoje curada. Mas quando ela teve que perder peso para o papel do filme, sua magreza exagerada foi celebrada e isso a incomodou novamente. Uma vez mais estamos diante da normalização, e inclusive de um incentivo, tão perigoso.

“Um dia estava saindo do meu apartamento e uma pessoa que conheço, com a idade de minha mãe, disse: ‘Uau, olha só pra você!’. Comecei a explicar que tinha emagrecido para um papel, mas ela continuou dizendo ‘Quero saber o que você fez, esta incrível!’. Entrei no carro com minha mãe e disse a ela: ‘Essa é a razão de existir esse grande problema’”
-Lily Collins-

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