A pressa nos relacionamentos: um erro de muitos casais em formação

janeiro 10, 2020
A pressa não é uma boa conselheira quando se trata de tomar decisões importantes. Uma delas tem a ver com os compromissos amorosos, que muitas vezes são feitos antes que o relacionamento amadureça o suficiente.

Conhecemos aqueles amores que surgem repentinamente e crescem sem controle em pouco tempo: nós os vimos, talvez os tenhamos vivido. Ok, é possível que o cupido tenha feito seu trabalho muito bem e você esteja diante de um grande amor que tenha se manifestado desde o início. No entanto, também é possível que esse grande amor seja arruinado pela pressa presente em muitos relacionamentos.

Acontece, sobretudo, em casais jovens e em casais mais velhos que sentem o passar do tempo como uma guilhotina afiada sobre suas cabeças. Queimam etapas a uma velocidade avassaladora e, quando menos esperam, o relacionamento parece esgotado.

A pressa os faz querer viver tudo em um único momento e, de repente, a partir de uma experiência muito intensa, ficam apenas aquelas cinzas que podemos identificar com desinteresse e tédio.

A paixão altera os hormônios e os neurônios. É um estado delicioso que todos gostariam de prolongar até o infinito. De fato, é possível estender esse sentimento quando, em vez de se apressar, o casal decide impor certas restrições. No entanto, quando se bebe em um único gole, a relação geralmente tem os dias contados.

“O homem comum, quando empreende uma coisa, estraga-a por ter pressa de terminá-la”.
-Lao Tsé-

Os hormônios e a pressa nos relacionamentos

Na primeira fase de um relacionamento amoroso, os hormônios costumam marcar presença. A efervescência é tanta que muitas pessoas se sentem literalmente bêbadas de amor.

É a fase em que o outro ocupa todas as lacunas do pensamento. Quando aparece, o coração se agita. Os olhos brilham e as borboletas no estômago se agitam como se alguém tivesse acabado de interromper a sua paz.

Nenhum dos envolvidos tem a menor dúvida de que encontrou o amor de sua vida. Esse coquetel de hormônios, que condiciona boa parte da química do cérebro, tem a capacidade de alterar significativamente nosso julgamento e nossa capacidade crítica. Sim: o amor é cego, ou pelo menos míope ao discutir a lógica.

Alguns casais cometem um erro nesta fase. Esse erro consiste em fechar prematuramente as amarras de seu compromisso. A pressa de viver tudo em um instante nos relacionamentos toma conta de sua razão, e é por isso que avançam para áreas que têm implicações no futuro que ainda não avaliaram.

Surgem as promessas e juramentos. Os pactos e o acesso ilimitado à vida do outro. Por outro lado, ninguém dá um passo atrás com medo de que o outro possa fazê-lo.

Casal trocando confidências de amor

Decisões apressadas

Ao tomar decisões importantes, a pressa não é uma boa conselheira. Há casais que já estão pensando em ter um filho quando seu relacionamento ainda não atingiu o primeiro aniversário. Ou avançam em direção a áreas mais comprometedoras sem conhecer o outro, sem ter uma cumplicidade estável, sem ter discutido nem uma única vez.

Para um casal avançar em direção à consolidação, é necessário muito mais do que uma revolução hormonal. É necessário conversar. Muito. Também é importante dar tempo para que esse processo de moldagem mútua seja configurado.

Por mais que se sintam almas gêmeas, é preciso dar tempo ao tempo para que as diferenças apareçam e sejam construídos mecanismos pacíficos para superá-las. A pressa não nos deixa ver essas diferenças nos nossos relacionamentos. E se elas são vistas, não recebem relevância.

Na primeira fase, cada um está disposto a aceitar qualquer coisa que venha do outro, sem fazer muito sentido crítico disso. É óbvio que seja assim, já que nesta primeira fase o objetivo implícito é alcançar o mais alto nível de identificação com o vínculo gerado.

Casal abraçado

O encanto da pausa

Há muitas pessoas sedentas de intensidade. Elas se sentem vivas apenas quando perdem a razão momentaneamente e se entregam sem reservas a experiências que disfarçam os problemas cotidianos.

Experiências como ver o time de futebol favorito vencer, enlouquecer em um show ou sentir o vazio de uma queda livre com um pára-quedas, por exemplo.

A primeira fase do amor está classificada nesse grupo de experiências. É maravilhoso senti-la e vivê-la completamente, mas entendendo o que ela é: um momento do relacionamento, não o relacionamento em si.

Vão aparecer os desejos de recriar planos futuros. Talvez viver juntos e criar um novo núcleo. No entanto, pensemos que o que sobe muito rápido geralmente desce de forma igualmente rápida… e não há descida pior do que perceber um dia que estamos diante de um desconhecido que não nos une a nada.

Talvez a convivência em casal já não tenha mais tanto mistério quanto antes. No entanto, muitos casais se deixam levar pela pressa e não dão tempo para o relacionamento amadurecer. Assim, o primeiro contratempo quebra o vínculo antes de florescer.

Pensemos que dosar e pausar também permite que a cumplicidade crie raízes na terra, que logo será esperança e suporte ao mesmo tempo.

Villegas, M., & Mallor, P. (2017). Parejas a la carta: Las relaciones amorosas en la sociedad postmoderna. Herder Editorial.