As principais teorias sobre a emoção

· novembro 4, 2018

A emoção é uma experiência psicofisiológica complexa que experimentamos como resultado de nossas interações com o ambiente. Nesse artigo vamos conhecer as principais teorias sobre a emoção. Ou seja, vamos ver as diferentes formas que a psicologia tem de explicar essas experiências humanas.

A partir do ponto de vista da psicologia, a emoção é um estado complexo de sentimentos que produz como resultado mudanças físicas e psicológicas no corpo que influenciam, por sua vez, o pensamento e o comportamento.

A capacidade de se emocionar se relaciona com uma grande variedade de fenômenos psicológicos que incluem o temperamento, a personalidade, o humor e a motivação.

Segundo David G. Meyers, professor de psicologia na Hope College em Michigan, nos Estados Unidos, e autor de quase duas dezenas de livros, a emoção humana implica “excitação fisiológica, comportamentos expressivos e uma experiência consciente”.

Entre as teorias sobre a emoção, há emoções de duas valências: positivas e negativas. Essas emoções podem estar relacionadas com um objeto, uma memória, uma previsão, etc. Algumas emoções têm, de acordo com as teorias, uma programação fisiológica inata, sendo universais.

As emoções universais seriam a felicidade, o amor, o cuidado, a surpresa, a raiva e o medo. Elas são conhecidas como emoções primárias. As emoções secundárias são aquelas que aprendemos apenas através de nossa experiência, como o orgulho, a vergonha, a simpatia, o terror, a negligência, etc.

A seguir, falaremos sobre algumas das teorias sobre a emoção para compreender a evolução do conhecimento sobre a experiência emocional, algo tão humano.

Teorias sobre a emoção

As emoções exercem uma força muito poderosa sobre o comportamento. Mas, por que sentimos emoções? O que faz com que tenhamos sentimentos? Pesquisadores, filósofos e psicólogos já propuseram diferentes teorias para explicar o como e o porquê da existência das emoções.

Como lidar com as diferentes emoções

As principais teorias sobre a emoção podem ser agrupar em três diferentes categorias:

  • As teorias fisiológicas propõem que as respostas dentro do corpo são responsáveis pelas emoções.
  • As teorias neurológicas argumentam que a atividade dentro do cérebro conduz a respostas emocionais.
  • As teorias cognitivas sugerem que os pensamentos e outras atividades mentais têm um papel central na formação das emoções.

Teoria evolutiva da emoção

O enfoque evolutivo se concentra no contexto histórico no qual as emoções se desenvolveram na espécie humana – e também em outros animais. De acordo com a teoria evolutiva sobre as emoções, elas existem porque são adaptativas. Ou seja, elas aumentam nossas chances de sobrevivência no ambiente.

Desse modo, por exemplo, o medo pode nos motivar a responder com maior rapidez aos estímulos do ambiente, o que ajuda a melhorar nossas possibilidades de ter sucesso e de sobreviver – e consequentemente de procriar e perpetuar nossos genes e nossa espécie.

Foi Charles Darwin quem propôs que as emoções teriam sobrevivido à evolução porque são adaptativas, e permitem que os seres humanos e outros animais sobrevivam e se reproduzam. Os sentimentos de amor e afeto levam, por exemplo, as pessoas a buscar um relacionamento e se reproduzir.

Os sentimentos de medo obrigam as pessoas a lutar, ou também fugir, com uma fonte de perigo. Identificar e compreender as emoções dos outros também tem um papel crucial para a segurança de uma pessoa e para a sobrevivência.

Ao poder interpretar corretamente as manifestações emocionais de outras pessoas nós podemos, por exemplo, responder de maneira mais acertada a fontes de perigo ou fontes de segurança e acolhimento.

A teoria da emoção de James-Lange

A teoria da emoção de James-Lange foi proposta de maneira independente por esses dois estudiosos, William James e Carl Lange. Essa teoria sugere que as emoções ocorrem como resultado de reações fisiológicas que temos diante dos eventos que acontecem conosco.

Desse modo, à medida que passamos por diferentes situações, nosso sistema nervoso gera reações físicas a esses eventos. A reação emocional dependeria de como essas reações físicas são interpretadas pela cognição.

Os exemplos dessas reações seriam um aumento da frequência cardíaca, tremores, dor de barriga, etc. Diante dessas reações físicas, por sua vez, são geradas reações emocionais, como a raiva, o medo e a tristeza.

A teoria da emoção de Cannon-Bard

A teoria da emoção de Cannon-Bard foi desenvolvida pelos dois fisiólogos Walter Cannon e Philip Bard. Walter Cannon não estava de acordo com a teoria da emoção de James-Lange em vários aspectos.

Cannon sugeriu que as pessoas podem experimentar reações fisiológicas que são comumente vinculadas a emoções – como o coração acelerado é vinculado ao medo – sem sentir de fato essa emoção.

Ele também sugeriu que as respostas emocionais ocorrem muito rápido para que sejam simplesmente produto dos estados físicos. Cannon primeiro propôs sua teoria na década de 1920, e seu trabalho foi ampliado posteriormente pelo também fisiólogo Philip Bard durante a década de 30.

De acordo com a teoria da emoção de Cannon e Bard, sentimos as emoções e experimentamos as reações fisiológicas – como suar, tremer e tensão muscular – ao mesmo tempo.

Mais especificamente, essa teoria sugere que as emoções são produzidas quando o tálamo – parte do nosso cérebro que faz parte do processamento de emoções – envia uma mensagem ao cérebro em resposta a um estímulo. Isso resulta em um reação fisiológica.

Ao mesmo tempo, o cérebro também recebe sinais que ativam a experiência emocional. A teoria de Cannon e Bard sugere que a experiência física e psicológica da emoção ocorre ao mesmo tempo, e não que uma causa a outra.

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Teoria de Schachter-Singer

A teoria da emoção de Schachter-Singer foi desenvolvida por Stanley Schachter e Jerome E. Singer. Segundo essa teoria, o elemento da razão tem um papel primordial na forma como experimentamos as emoções.

A teoria de Schachter e Singer se baseia tanto na teoria de James-Lange quanto na teoria da emoção de Cannon-Bard. Como? Assim como ocorre na teoria de James-Lange, a teoria de Schachter e Singer propõe que as pessoas deduzem a emoção baseando-se em respostas fisiológicas.

Então, a situação é um fator crítico, mas a interpretação que as pessoas fazem dela e das respostas que ela gera no corpo é ainda mais importante.

A teoria de Schachter-Singer sugere que quando um evento gera uma excitação fisiológica, tratamos de encontrar uma razão para essa excitação. Logo, experimentamos e rotulamos a emoção.

Assim como ocorre na teoria de Cannon-Bard, essa teoria também sugere que respostas fisiológicas similares podem gerar emoções distintas.

Teoria da avaliação cognitiva

Segundo as teorias de avaliação da emoção, o pensamento deve ocorrer primeiro, ou seja, antes de sentir a emoção. Richard Lazarus foi o pioneiro nessa área de estudo da emoção. É por isso que essa teoria é frequentemente conhecida como a teoria da emoção de Lazarus.

De acordo com essa teoria, a sequência de eventos implica primeiro um estímulo, seguido por um pensamento, que logo conduz a uma experiência simultânea de uma resposta fisiológica e de uma emoção.

Por exemplo, se você encontra um urso em um bosque, pode começar a pensar imediatamente que está em perigo. Isso leva a uma experiência emocional de medo, e as reações físicas associadas com essa resposta são lutar ou sair correndo.

Teoria da emoção de retroalimentação facial

A teoria da retroalimentação facial estabelece que o movimento facial pode influenciar a sua experiência emocional. Os partidários dessa teoria sugerem que as emoções estão diretamente relacionadas com as mudanças nos músculos faciais.

Por exemplo, uma pessoa poderia melhorar seu humor simplesmente ao sorrir. Igualmente, ela poderia piorá-lo ao franzir o cenho. Ou seja, a consequência mais surpreendente dessa teoria é que ela nos diz que podemos gerar emoções simplesmente manipulando o nosso rosto.

Isso pode ser feito a qualquer momento de maneira voluntária, reproduzindo as expressões mais características das emoções quando ocorrem de maneira involuntária.

Podemos perceber que essas teorias não necessariamente eliminam as outras, e podem ser conjugadas. Charles Darwin foi um dos primeiros a sugerir que as mudanças fisiológicas causadas por uma emoção teriam um impacto direto na emoção, em vez de ser apenas consequência desta.

Seguindo essa ideia, William James propôs que, contrariamente à crença comum, a consciência das mudanças corporais ativadas por um estímulo é o que seria a emoção.

Dessa forma, se nós não sentíssemos mudanças corporais, haveria apenas um pensamento intelectual desprovido de qualquer sentimento ou emoção. Seria isso possível?