Quando me irrito, não consigo me controlar: o que está havendo?

A irritação e a raiva são sentimentos que não gostamos de experimentar. No entanto, por que perdemos o controle quando estamos irritados? O que está por trás desse comportamento? Descubra as possíveis causas e como fortalecer o autocontrole a seguir.
Quando me irrito, não consigo me controlar: o que está havendo?

Última atualização: 18 Fevereiro, 2021

Você também tem problemas para controlar a raiva quando se irrita? Costuma falar a primeira coisa que te passa pela cabeça, para depois se arrepender? Perde os nervos? Por que isso ocorre? O que há por trás dessa irritação com a qual é tão difícil lidar?

Neste artigo, vamos analisar as possíveis causas que estão por trás da perda de controle. Já adiantamos que tudo isso tem a ver, em grande medida, com um autocontrole empobrecido e uma baixa tolerância à frustração. Essas, porém, não são as únicas causas; por trás disso, muitas vezes, também se esconde uma camada de tristeza que não sabemos como enfrentar, bem como outros sentimentos e emoções.

Antes de chegarmos a essas causas, daremos alguns truques para aprender a lidar com a irritação de forma saudável. O autocontrole é uma habilidade que pode ser desenvolvida! Descubra como.

Mulher gritando descontrolada

Quando me irrito, não consigo me controlar: o que está havendo?

Para muitas pessoas isso acontece com frequência, ou já aconteceu pelo menos uma vez… Se irritar e perder o controle, não conseguir se controlar. Sentir que a raiva é maior que nós. Por que isso acontece? O que está sendo expressado, exatamente? O que há por trás da raiva desenfreada?

Para entendermos, é preciso voltarmos ao conceito de “autocontrole”. Mais adiante, veremos também outros fatores que contribuem para a perda de autocontrole, circunstâncias que aumentam a probabilidade de nos tornarmos impulsivos.

A importância do autocontrole

O autocontrole é definido como a habilidade de dominar as próprias emoções, comportamentos, pensamentos e desejos. Também inclui a capacidade de controlar e lidar com o nosso próprio corpo.

De certa forma, o autocontrole faz parte da inteligência emocional e, por isso, é importante que seja trabalhado desde cedo com as crianças. É graças ao autocontrole que conseguimos aprender a gerir a raiva e outras emoções.

Como podemos ver, trata-se de uma habilidade de gerir e controlar não apenas nossas ações, mas também nossos pensamentos e a relação com as nossas emoções. Muitas vezes as emoções podem nos sobrecarregar, mas nem por isso devemos nos permitir perder o controle da situação. O autocontrole, como muitas outras habilidades, também pode ser treinado, ou seja, pode ser aprimorado com tempo, constância e esforço.

Como desenvolver o autocontrole?

O autocontrole nos permite gerir esses momentos de raiva ou irritação em que gritamos ou temos comportamentos que, na verdade, não desejávamos ter. Como trabalhar isso? Aqui estão algumas dicas:

  • Primeiramente, identifique com precisão aquilo que você deseja controlar. É ira? Raiva? Frustração?
  • Investigue as causas dessa ira, dessa irritação. É uma irritação mesmo ou isso está encobrindo outras emoções, como, por exemplo, a tristeza?
  • Encontre o “ponto sem volta”, ou seja, aquele momento que sabemos que não vamos nos acalmar, em que perdemos o controle e “explodimos”. Identifique esse ponto e encontre uma palavra ou gesto que te ajude a parar a tempo.
  • Exercite a respiração. Quando identificar o ponto sem volta, antes de chegar nele, pratique exercícios de respiração. Feche os olhos, ponha a mão em sua barriga e sinta o ar entrando e saindo do seu corpo.
  • Procure comportamentos alternativos à irritação, evitando que a raiva o domine. Podem ser exercícios de respiração ou outras atitudes como, por exemplo, ouvir músicas, tomar um banho relaxante, pintar ou desenhar, escrever, trocar de ambiente, etc.

Me irrito e perco o controle: o que acontece comigo?

Vimos algumas ideias para trabalhar o autocontrole e começar a lidar com a irritação de forma saudável. No entanto, da mesma forma que devemos aplicar essas técnicas, também é essencial entender o que está havendo conosco. Por que agimos dessa forma quando estamos irritados? Nessa altura, você já deve ter deduzido uma das causas… De fato, um autocontrole empobrecido é a principal causa que nos leva a agir assim, perdendo nossa compostura e o controle da situação quando somos consumidos pela raiva.

Por outro lado, uma baixa tolerância à frustração também pode estar por trás desses comportamentos. Pessoas impulsivas e temperamentais também são mais suscetíveis.

A boa notícia é que todas essas circunstâncias podem ser trabalhadas na terapia. Questionar de forma mais profunda as causas dessa “perda de controle” quando nos irritamos permite buscar estratégias para fortalecer nosso autocontrole e, consequentemente, melhorar nosso bem-estar (além de conhecermos melhor a nós mesmos).

Homem irritado

Por trás da raiva, a ferida

Muitas vezes, por trás de um ataque de raiva ou irritação se esconde uma enorme ferida que acabou sendo trazida à tona, ou que foi tocada sem intenção. A raiva, a ira e a irritação são emoções que encobrem outras, como a tristeza e a decepção. Quando não sabemos lidar e gerir essa tristeza (ou quando somos incapazes de aceitá-la), recorremos a atitudes mais viscerais que nos afastam, momentaneamente, desses sentimentos incômodos.

E o que acontece quando também não gerimos bem a raiva? Explodimos. Dessa forma, se você perde o autocontrole com frequência (por exemplo, falando coisas das quais se arrepende logo em seguida), queremos incentivá-lo a pedir ajuda.

Entender as emoções e as suas causas nos permite conhecer a nós mesmos e melhorar todos os dias como as pessoas imperfeitas que somos. É imperfeição que nos faz humanos! Vamos aprender a conviver com ela, a aprender com ela para melhorarmos… Não devemos afastá-la de nós mesmos!

“A raiva não discrimina, não entende, não raciocina. Ela só acredita em sua própria necessidade de ferir, porque a raiva é a resposta a uma ferida. A uma ferida grande, atemporal, enraizada no código-fonte da nossa psique. Às vezes, algo toca essa ferida. E, então, nos exaltamos.”

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