Em qualquer momento e circunstância, que não te falte amor próprio

28 Agosto, 2020
Nunca saia de casa sem uma boa dose de amor próprio. Não o deixe esquecido nos bolsos de outras pessoas nem permita que seja diluído e negligenciado. Descubra como aprimorar essa dimensão básica da sua arquitetura psicológica.
 

Onde quer que você vá e independentemente das circunstâncias em que estiver, que não te falte amor próprio. Encha seus bolsos com essa carga emocional positiva feita com seu autoconceito e autoestima e não a deixe esquecida em casa. Menos ainda, não a coloque nas mãos de outras pessoas. Ela é exclusivamente sua, assim como a responsabilidade de cuidar dela e fortalecê-la diariamente.

O filósofo Michel de Montaigne disse que “a melhor coisa do mundo é saber pertencer a si mesmo. Essa é uma daquelas lições que não nos ensinam na escola. Cultivar o amor próprio deve ser um assunto central da vida, integrado a qualquer currículo acadêmico. Porque se existe algo que todos sabemos, é que, às vezes, negligenciamos essa área psicológica ou até mesmo a alimentamos em excesso.

Amar a si mesmo, valorizar-se, sentir-se válido e merecedor do que você deseja é algo saudável.

O amor próprio deve ser cuidado e protegido. Faremos isso tanto para evitar a desvalorização quanto para não cair no orgulho excessivo que nos ajuda muito pouco.

Sem essa ferramenta excepcional da nossa arquitetura psicológica, a personalidade vai se desgastando. Como bem apontou o psicólogo humanista Carl Rogers, nós precisamos cuidar desse sentimento de valor, autoestima e capacidade de construir uma vida significativa.

Jovem no campo
 

Onde quer que você esteja, que não te falte amor próprio

Isso é algo que pode soar surpreendente. Muitas pessoas passam a vida sem saber que o relacionamento e os sentimentos que têm com os outros são determinados pelo amor próprio. Se eu não me amar, sempre vou esperar que os outros me deem aquilo que me falta; algo que nunca acontece e, portanto, surgem o sofrimento eterno e os relacionamentos codependentes.

No final, nos limitamos a aceitar o amor que acreditamos que merecemos e a amizade que não nos enriquece, mas que aceitamos porque pensamos que não podemos aspirar por algo melhor.

O mesmo acontece no trabalho e em qualquer aspecto da vida. Se essa dimensão falha, tudo fica distorcido e nos limitamos a existir abaixo do mínimo, mal sobrevivendo em qualquer esfera existencial, sem saber o que é satisfação ou felicidade.

Também não falta quem nos diga “Você tem que se amar mais! Se você se amasse, essas coisas não aconteceriam com você!”. Nós concordamos, mas… como fazer isso? Com que fórmula mágica isso pode ser conseguido?

Talvez seja suficiente olhar no espelho e nos dizer que valemos a pena, que tudo refletido no vidro é perfeito por si só? A resposta é não. Não se trata apenas de aceitar e apreciar a nossa aparência física.

O amor próprio vai além de se sentir bem com a nossa aparência, como somos ou o que temos. É um estado de constante apreciação por tudo o que fazemos, por tudo aquilo que acaba se revertendo no nosso crescimento como pessoas. É um processo dinâmico que nutre tudo e que nos dá brilho para trabalhar no que merecemos e, assim, sermos capazes de aumentar nossas forças psicológicas.

 

Que não te falte amor próprio; lembre-se de atender a essas dimensões

Não importa a circunstância ou o momento: onde quer que você vá, que não te falte amor próprio, porque, caso contrário, você se tornará alguém de quem não gosta. Uma cópia de si mesmo que tolera o que te machuca, que não se atreve a lutar pelo que quer e que aceita ao seu lado pessoas que não te fazem bem.

Portanto, é importante lembrar quais são os pilares que criam o amor próprio:

  • Autoconsciência. Essa dimensão implica perceber o que pensamos, o que sentimos, o que precisamos a cada segundo. Fazer contato com o nosso ser interior nos permite alinhar necessidades com ações e compromissos.
  • Autoestima. Esse tendão psicológico é a chave e o coração do amor próprio. É o apreço pela nossa própria pessoa e, por sua vez, pela maneira como pensamos que os outros nos veem. Essa avaliação perceptiva de nós mesmos é algo que devemos cuidar todos os dias.
  • Autocuidado. Essa dimensão vai além da boa nutrição, higiene ou cuidado com a nossa saúde. É cuidar das nossas emoções, é cuidar dos nossos pensamentos… A arte de cuidar bem deve estar sempre presente na esfera do mental e do emocional, para que você não perca o amor próprio em nenhum momento.
Mulher que ama a si mesma
 

A felicidade está no equilíbrio: nem muito nem pouco

Lembre-se, nunca deve faltar amor próprio porque da falta vem o sofrimento. Da mesma forma, lembre-se também: que nunca te sobre ou acumule em excesso o amor próprio, porque da sobrecarga se projeta o sofrimento nos outros. Um estudo realizado na Universidade do Texas pelo Dr. William Campbell apontou a mesma coisa.

Além disso, eles propuseram uma distinção: quem tende a reforçar demais seu amor próprio não é um narcisista. Os narcisistas tendem a usar os outros para reforçar as suas deficiências, drenando as energias daqueles que estão próximos.

No entanto, a pessoa com excesso de autoestima se percebe melhor do que as outras, tanto em aspectos intelectuais quanto morais.

Essas pessoas não precisam nem querem controlar ninguém, mas criam ambientes de alto desgaste para deixar evidências da sua alta arrogância. Não é apropriado, e muito menos recomendado.

A chave está no equilíbrio; a felicidade é encontrada ao amar os outros, ao nos posicionarmos no mundo para alcançarmos o que queremos, mas sabendo viver em harmonia.

Vamos manter isso em mente.

 
  • Campbell, W. K., Rudich, E. A., & Sedikides, C. (2002). Narcissism, self-esteem, and the positivity of self-views: Two portraits of self-love. Personality and Social Psychology Bulletin. SAGE Publications Inc. https://doi.org/10.1177/0146167202286007