A receita da felicidade, segundo Dan Gilbert

junho 2, 2020
A fórmula da felicidade é algo muito discutido hoje em dia, mas a perspectiva de Dan Gilbert é uma que vale a pena conhecer. O que esse psicólogo social propõe é simplificar o objetivo, identificando, por sua vez, a vontade como elemento central do modelo.

Dan Gilbert é um psicólogo social, escritor e professor da Universidade de Harvard. Ele se tornou famoso por seu livro ‘O Que Nos Faz Felizes’, que já foi traduzido para mais de 30 idiomas. Ele também ficou famoso porque, em suas palestras e conferências, garante ter encontrado o que todos os seres humanos, alguns incessantemente, tanto buscam: a receita da felicidade.

À primeira vista, as ideias de Gilbert poderiam parecer frívolas. A ideia de uma receita para a felicidade parece mais algo associado ao mercado de autoajuda do que uma abordagem profunda do homem. No entanto, esse psicólogo é rigoroso em suas conclusões.

Ele está convencido de que existe uma receita para ser feliz, mas também destaca que não há atalhos na busca por esse objetivo.

Ele afirma que o primeiro problema é que há muitas pessoas que não sabem exatamente o que as faz felizes. Também diz que não se pode, e não se deve, ser feliz o tempo todo. Se assim fosse, então não poderíamos sequer diferenciar entre ser feliz e não ser.

Ele ressalta que uma bússola que aponta sempre para o mesmo lugar não serve para nada. Ela deve flutuar, ser sensível às mudanças.

“O olho e o cérebro são conspiradores e, como a maioria das conspirações, negociam a portas fechadas, no cômodo de trás, fora da nossa consciência”.
-Dan Gilbert-

Garota tranquila em um campo

A ciência da felicidade

Dan Gilbet garante que ser feliz é um objetivo mais fácil de atingir do que a maioria das pessoas pensa.

A felicidade não está escondida em algum lugar, nem é um tesouro que deve ser encontrado por acaso. Também não é o resultado de alcançar determinados objetivos nem um presente que vem com a sorte ou após ganhar na loteria.

Gilbert diferencia a felicidade sintética e a felicidade natural. A sintética é aquela que aparece depois de conseguir algo a que nos propormos. Um trabalho, um casamento, uma viagem, o primeiro lugar em um concurso, um ‘like’ nas redes sociais, seja lá o que for. No seu julgamento, essa felicidade é transitória e está fortemente condicionada a um resultado específico.

Por outro lado, temos a felicidade natural. Essa não é um sentimento, mas sim um estado que surge e vira um padrão. Ela está lá quando alcançamos um objetivo, mas também quando não conseguimos chegar lá.

Ela vem de dentro, e o que acontece fora não consegue modificá-la substancialmente. E sim: existe uma receita para a felicidade. Ela é, na verdade, bastante simples.

A receita da felicidade

A receita da felicidade tem apenas dois ingredientes e ambos estão ao alcance de qualquer pessoa que queira se apropriar deles. O primeiro passo é não supervalorizar o sofrimento.

Há um grande número de pessoas que nutrem as memórias ruins e as experiências negativas pelas quais já passaram na vida, fixando-se nas mesmas. Além disso, também supervalorizam o sofrimento que está por vir.

Esse ingrediente está associado com o segundo passo da receita da felicidade: confiar na própria resiliência. Isso quer dizer que devemos nos convencer de que seremos capazes de resolver qualquer situação que nos cause dor.

Precisamente, a falta de confiança em nosso poder para gerir a dor é um dos fatores que mais alimentam o sofrimento.

Muitas vezes deixamos de embarcar em um projeto simplesmente por medo de que haja sofrimento em algum momento. Desse modo, acabamos nos limitando pela antecipação de um sofrimento que pode não vir.

Esse é o pior: muitas vezes o sofrimento não é nem mesmo concreto, ele pode já ter passado ou pode nunca vir a existir. Na verdade, o medo, no fundo, não é viver o sofrimento, mas sim não ter a capacidade de aguentá-lo. Mas nós sempre aguentamos.

Menina abrindo os braços no campo

Onde está a felicidade?

A receita da felicidade se complementa com algumas práticas habituais que nos ajudam a ter mais confiança em nossa própria resiliência. Ela inclui cinco atividades simples que estão ao alcance de todos nós.

Dan Gilbert diz que aprender a ser feliz é como emagrecer: temos que fazer um esforço. As práticas cotidianas às quais devemos nos dedicar são:

  • Querer ser feliz. A felicidade é uma decisão diária.
  • Cuidar de si. Comer de forma saudável, fazer exercício meia hora por dia, dormir 7 horas seguidas. Todas essas são condições para a felicidade.
  • Estabelecer e manter relações saudáveis. Afastar-se de quem te faz se sentir mal e se aproximar de quem você ama.
  • Atividades prazerosas. Ter uma lista das atividades que você mais gosta de fazer e não colocá-las como o último lugar na sua lista de prioridades, depois de todas as milhares de obrigações.
  • Agradecer. A si mesmo, à vida, a tudo aquilo que te traz algo, te ensina muitas coisas e te permite crescer de alguma maneira. Ajudar os outros sempre aumentará o nível de felicidade.

A felicidade natural é um estado que vamos construindo passo a passo, dia após dia. A boa notícia é que, dentro das nossas possibilidades, todos somos capazes de alcançar esse objetivo em algum momento.

Nesse sentido, a convicção e a motivação são a energia que nos impulsiona, enquanto habilidades como a inteligência emocional facilitam a transição. De algum modo, a receita da felicidade está aí, na vontade de querer aproveitar a vida.

Gilbert, D., & Medina, V. C. (2006). Tropezar con la felicidad. Barcelona: Destino.