Reciprocidade, um dos alicerces dos nossos relacionamentos

Reciprocidade, um dos alicerces dos nossos relacionamentos

junho 14, 2016 em Psicologia 1455 Compartilhados
Reciprocidade, um dos alicerces dos nossos relacionamentos

Vivemos em uma sociedade onde medimos tudo o que damos e o que recebemos em troca. Passamos muito tempo avaliando o que o outro nos devolve em troca da nossa dedicação: transformamos a reciprocidade em uma moeda de troca.

Provavelmente isso vai nos fazer sofrer, pois muitas vezes recebemos muito menos do que damos. Nos sentimos injustiçados e insatisfeitos com as relações interpessoais. A reciprocidade não é um sofrimento se você perceber que pode desfrutar os relacionamentos, assim como a nossa dedicação aos outros.

Esperar dos outros

Temos uma tendência e esperar demais dos outros, no mínimo a mesma dedicação que nós oferecemos a eles. No entanto, nem sempre é assim. Isto gera sofrimento, frustração e nos sentimos usados, porque poucas vezes somos correspondidos como gostaríamos.

O fato de esperarmos algo dos outros, muitas vezes de uma determinada forma e maneira, pode ser uma dolorosa decepção; nos faz repensar nossa atitude de continuarmos nos doando sem receber nada em troca.

Agradar aos outros

Muitas vezes o que nos motiva a dar algo aos outros é a preocupação com o seu bem-estar. Queremos que esteja bem, que não lhe falte nada, etc. Em princípio, podemos dizer que não queremos nada em troca.

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No entanto, quando nos sentimos sozinhos e precisamos de apoio, nos sentimos ainda mais tristes ao perceber a falta de uma resposta. Quando precisamos de “uma mão” e ninguém está disposto a estendê-la, começamos a pensar que o que temos não depende do que damos.

Necessidade de valorização

Muitas vezes, mesmo sem percebermos, muitos dos nossos comportamentos que visam agradar o outro são gerados pela necessidade de receber. Damos desesperadamente porque precisamos de algo em troca.

De forma subconsciente, acreditamos que “se cuidarmos do outro, ele cuidará de nós”. Essa é uma crença equivocada que nos leva ao sofrimento e a conflitos nas relações interpessoais. Já comprovamos mil vezes que isto não é assim, mas estamos convencidos de que “deveria ser assim” e acabamos sofrendo por isso.

É muito mais saudável cuidar de si mesmo sem esperar nada dos outros. Isto não quer dizer que não vamos ajudar ninguém, mas o faremos por vontade própria, sem querer agradar e sem a condição de receber algo em troca.

Dessa forma, a satisfação de ajudar os outros é a única motivação que nos move. A reciprocidade pode até acontecer, mas deixará de ser uma tortura para nós quando acontecer, ou não, de uma forma diferente daquela que esperamos.

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Eu tenho direito a reciprocidade

“Eu tenho direito a reciprocidade” significa receber com alegria o que os outros queiram nos dar. Se não esperamos nada de ninguém, a gratidão e a satisfação farão parte da nossa vida.

Dessa forma, entenderemos que a reciprocidade é um ato de liberdade e cada pessoa decide o que quer dar, quando e como. Respeitando a decisão dos outros podemos desfrutar plenamente os benefícios da reciprocidade.

Cada um decide como agir

Cada pessoa decide se quer fazer ou dar algo para os outros. Ninguém deve nada a ninguém, somos livres e não temos obrigação de retribuir.

Então vamos parar de medir o que os outros nos dão; isso é uma decisão deles. Não existe essa obrigatoriedade de dar e receber. Ninguém é obrigado a devolver o que já recebeu.

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O equilíbrio nas relações interpessoais

Quando respeitamos as decisões dos outros, descobrimos outra forma de entender os relacionamentos. No entanto, muitas vezes recebemos muito de pessoas que não esperávamos e provavelmente essas pessoas não são as mesmas que receberam muito de nós.

Este é o equilíbrio das relações interpessoais; ele existe de forma natural e nos surpreende a cada momento: muitas vezes recebemos muito e não damos nada ou nos doamos demais e não recebemos nada em troca. A reciprocidade é um instrumento de troca espontânea, de satisfação e de gratidão.

Com o conceito de reciprocidade bem entendido, nos sentiremos mais livres, donos das nossas decisões, aceitando e agradecendo o que os outros queiram nos dar, desfrutando os relacionamentos e tudo que a vida nos trouxer.
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