Como reconhecer uma relação absorvente

· julho 12, 2018

Um influente jornalista norte-americano chamado Walter Winchell tinha uma máxima: “Nunca por cima de você, nunca por baixo de você, sempre ao seu lado”. Parece um pensamento lógico, mas nem sempre é assim. Na verdade, em uma relação absorvente, existe uma clara assimetria na dinâmica relacional. 

É normal que no dia a dia alguém passe bastante tempo com o(a) parceiro(a) ou inclusive pensando na pessoa. Mas o que não é saudável é invadir o espaço pessoal do outro e quase não ter vida pessoal devido às constantes exigências, como geralmente acontece nesse tipo de relação.

No entanto, há pessoas que não se dão conta de que estão imersas em uma relação absorvente, porque assumem determinados comportamentos como normais. Para elas, a perda de intimidade e individualidade está associada ao amor que se sente pela outra pessoa. Por essa razão, a seguir, vamos indicar alguns sinais que nos alertam sobre esse tipo de relação.

Perda de autonomia

De acordo com Eliana Heresi, doutora e professora da faculdade de psicologia UDP, o primeiro sinal que nos leva a reconhecer uma relação absorvente é a perda de autonomia. Embora na etapa inicial da paixão ela possa ser normal, uma vez superada essa fase, começamos a sair desse isolamento.

Casal abraçado

Se um membro do casal não superar essa fase, começa a fechar suas fronteiras e acaba se isolando do resto. Em princípio, os envolvidos não percebem, mas cedo ou tarde descobrem um certo isolamento social e a deterioração de suas relações individuais.

Por outro lado, Heresi afirma que uma pessoa precisa de um certo grau de individualidade dentro do relacionamento. Ou seja, precisa manter suas relações sociais e seus vínculos em diversos âmbitos. Se isso se perde, o indivíduo se torna mais propenso a abusos e recebe menos informação do meio. Dessa forma, nascem o ciúmes e os conflitos nas relações com terceiros, e ocorre a diminuição das relações sociais e familiares.

Uma relação absorvente é assimétrica

Outro aspecto relevante ao qual devemos prestar atenção para identificar uma relação absorvente é a assimetria. A existência de um papel dominante por parte de um dos membros do casal ou, inclusive, de ambos, dependendo da situação, impede o desenvolvimento pessoal e favorece as situações de dependência, manipulação ou maus-tratos. Um exemplo de assimetria pode ser a necessidade de aprovação e confirmação do outro para que a vida tenha sentido.

“A relação entre marido e mulher deve ser uma relação de melhores amigos”.
-B. R. Ambedkar-

Uma relação saudável acaba por ser simétrica. Ou seja, ambos os componentes se observam como pares. Se um estiver por cima do outro, essa simetria é perdida. No entanto, é difícil reconhecer, já que em muitos casos isso se confunde com amor, em vez de se identificar como controle ou ciúmes.

Tentativas fracassadas de recuperar a independência

Outro sinal que indica uma relação absorvente é a tentativa de um dos membros do casal de recuperar a independência e a negativa por parte do outro para que esse objetivo seja atingido.

Ser consciente de um vínculo absorvente não é nada fácil, mas sempre é possível tomar consciência, apesar dos medos, dos conflitos e dos problemas que possam surgir. No entanto, pode ser que uma das pessoas não esteja disposta a enfrentar os problemas que surgem ao tentar sair dessa situação. Na verdade, a reação mais comum costuma ser se colocar na defensiva, sem capacidade para reconhecer erros ou refletir sobre a relação.

Nesse sentido, expandir amizades e relações sociais pode ser algo positivo para ambas as partes. Pode ser tão simples quanto tomar um café com um colega de trabalho ou um familiar.

“Quando alguém lhe mostrar quem é de verdade, acredite”.
-Maya Angelou-

Dependência emocional

Medo da solidão

Esse é outro sinal que podemos identificar em uma relação absorvente. O medo de ficar sozinho se o parceiro nos abandonar pode fazer com que esse tipo de dinâmica se perpetue.

Geralmente, esses medos vêm de experiências passadas. Podem ter ocorrido anteriormente com o mesmo casal ou em relações anteriores. Seja como for, geram insegurança e prejudicam o vínculo com a outra pessoa.

Nesses casos, a comunicação é necessária, mas é preciso ter muito cuidado e escolher bem o momento, as palavras e o tom da conversa.  Contudo, às vezes as razões desse comportamento estão tão arraigadas que é preciso procurar ajuda profissional.