Recordar os finais não nos deixa imaginar como seria começar

Recordar os finais não nos deixa imaginar como seria começar

janeiro 30, 2017 em Psicologia 506 Compartilhados
Recordar os finais não nos deixa imaginar como seria começar

“Não entendo como isso pôde acontecer. Não posso acreditar que eu fui naquele lugar. Como é possível ter acabado se eu sinto que era isso que me dava vida?” Esses poderiam ser alguns dos seus pensamentos agora mesmo: os finais também não te deixam imaginar um novo começo.

Além disso, se você tem ideias semelhantes na sua cabeça nestes momentos, é precisamente porque ainda vive em dias passados e não foi capaz de superá-los. Uma história que acabou, mas que continua em aberto para você, ou uma cidade cujas vivências já se esgotaram, mas você não se atreve a aceitar isso.

No entanto, os finais não são mais do que a prova palpável de uma experiência que fica com uma parte de nós. Significam um adeus, isso não se pode negar; mas também que vivemos algo que ninguém nunca poderá roubar de nós, porque é algo que nos pertence.

Os finais também são começos

Agora mesmo você vive dentro de uma confusão agitada, em uma contradição entre a realidade que te assombra e a que você gostaria que fosse realidade. É totalmente natural e você não tem que se envergonhar: todos nós já sentimos alguma vez que o que desejávamos que ficasse acabava escorregando das nossas mãos.

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No entanto, quando os finais batem à porta e passamos um tempo na confusão absoluta, é hora de medir as forças. Isso irá nos ajudar a colocar os pés no chão para começar a consertar o que está quebrado e recomeçar.

Se temos um final, por que não começar algo por aí? Trata-se de tirar os aspectos positivos que recebemos através daquilo que já não pode continuar. Não é questão de começar sua vida do zero, mas sim de uma história com a maturidade adquirida a partir da experiência anterior.

Depois de um ponto final, há sempre uma letra maiúscula

As reticências que camuflam pontos finais não são saudáveis para ninguém, sem exceções. Se há algo que não pode continuar como está ou se já chegou a hora de fazer as malas e ir embora, não é benéfico continuar nos fazendo dano ao negar isso.

Há novas histórias para imaginar e que estão à nossa espera. Além disso, são histórias que devem começar com uma letra maiúscula. Aí vamos conseguir nos ver refletidos em um espelho que nos faz lembrar que apesar de termos nos perdido muito, podemos voltar a nos encontrar.

Dizia Julio Cortázar que nada está perdido se tivermos a coragem de proclamar que tudo está perdido. Por isso, render-se não pode ser uma opção quando estamos a ponto de dar o passo mais difícil para fechar as portas de casas em que já não podemos nos hospedar.

“Não continue olhando apenas para o fim das ruas antigas

que os princípios costumam estar onde você os deixa.

-Maldita Nerea-

Estranhar-se é começar a entender

Será difícil, estranho, e você irá precisar do máximo de coragem que conseguir juntar, mas irá conseguir fazer isso. No momento em que você começar a ter consciência e a se sentir estranho, o reflexo das novas oportunidades vai surgir diante de si.

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Aos poucos você vai entendendo, e só quando tivermos aprendido em totalidade o que aconteceu, a paz irá chegar. Finalizar, aceitar e passar por um processo de recuperação das feridas nos traz bem-estar e, ao mesmo tempo, melhora a nossa relação com os outros.

“Estar em paz consigo mesmo é o meio mais seguro

de começar a estar em paz com os demais.”

-Fray Luís de León-

Tendo isso conta, podemos recordar os nossos finais? É claro que sim; mas não podemos continuar vivendo neles. Eles já não são a sua realidade, são apenas recordações, e as recordações servem para serem filtradas e guardadas. Vamos imaginar nossos começos, vamos buscar a forma de estar no “hoje” e potencializar o que ele nos oferece.

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