A sabedoria de Mafalda

· julho 8, 2015

Poucas personagens foram mais inquietas, críticas e cativantes do que essa menina argentina criada pelo grande cartunista Quino. No entanto, o que a tornou tão especial a ponto de chegar a meio século sem envelhecer? Mafalda está mais viva do que nunca: a força da sua humanidade, seus questionamentos e inquietações lhe permitem manter o mesmo encanto de antes. O vento não leva as palavras sinceras e a rebeldia nunca perde seu desejo de mudar o mundo.

Filosofia cotidiana

“Não é verdade que o passado foi melhor; o que acontece é que aqueles que estava em má situação não haviam percebido isso.”

Mafalda é uma menina argentina de classe média, curiosa e contestadora. Uma personagem rebelde e com consciência de que, apesar de representar o idealismo e uma visão utópica do mundo, não aceita críticas destrutivas que enfatizem o anarquismo. Sua luta tem um propósito e ela pretende fazer parte dessa mudança. Ela quer estudar idiomas para trabalhar na Organização das Nações Unidas e assim conseguir criar um mundo melhor e mais humano. Para ela, sua luta tem uma aspiração simples: a paz e a harmonia desse nosso mundo louco.

Mafalda é generosa e patriota, mas seu patriotismo não abrange apenas a sua amada Argentina; ela pensa em todo o mundo. O problema é que o mundo é grande demais, e ela muito pequena. Sua precocidade consegue despertar mentes e abrir fronteiras, começando por seus pais, que normalmente são passivos e conformistas.

Ela odeia a injustiça, as armas nucleares, o racismo e as incompreensíveis convenções criadas pelos adultos, mas se há alguma coisa que ela odeia acima de tudo… é a sopa.

O que podemos aprender com a Mafalda

O legado que essa menininha de franja espessa nos deixa é o despertar da consciência. Não importa que ela tenha nascido na turbulenta década de sessenta. Os anos se passaram, mas continuamos sentindo o mesmo vazio e a mesma incompreensão. Se o animal de estimação da Mafalda era uma tartaruga chamada “burocracia”, por se locomover lentamente, parece que poucas coisas mudaram desde então…

Quino nos deixou um arquétipo social do inconformismo que todos nós deveríamos desenvolver. Ter uma visão crítica do mundo nos ajuda a avaliar e melhorar a nossa realidade. Mafalda vive até hoje e continuará vivendo enquanto houver injustiça em qualquer parte do mundo.

A incompetência social, as injustiças e a maldade sempre existirão. No entanto, muitas vezes basta uma pequena voz para tirar a nossa passividade, para nos questionarmos através de insistentes perguntas a esse sistema estático, coisas que muitas vezes nem percebemos. Mafalda representa nossa aspiração ao idealismo, com uma sombra de pessimismo, mas com força suficiente para mudar o mundo.