O estresse financeiro e a sua relação com a saúde mental

11 Julho, 2020
O que é o estresse financeiro? Como ele pode afetar o dia a dia das pessoas? E a maneira como elas antecipam o futuro? Neste artigo, abordaremos essas e outras questões.
 

É normal cair às vezes. Inclusive, existem muitas situações na vida cotidiana de uma pessoa que podem levá-la a se sentir derrotada. No entanto, uma das mais comuns é o estresse financeiro. Em tempos de crise, as preocupações se multiplicam, mas como isso se relaciona com a saúde mental de uma pessoa? Quais estratégias podem ajudar a gerenciar essa situação?

Em dias de extrema preocupação com o que está acontecendo e o que está por vir, é importante entender o que acontece com o corpo, a mente e a emoções.

Estresse financeiro: o que é exatamente?

O dicionário define o estresse como uma “tensão provocada por situações avassaladoras que causam reações psicossomáticas ou, às vezes, transtornos psicológicos graves”.

Agora, quando falamos de estresse financeiro, nos referimos àquele relacionado aos bens e atividades que compõem a riqueza de uma comunidade ou um indivíduo.

O estresse financeiro pode ocorrer por vários motivos. A seguir estão alguns deles:

  • Enfrentar novas situações. Por exemplo, novos investimentos, crises, entre outras.
  • Problemas financeiros. Em outras palavras, quando a pessoa não consegue cumprir seus compromissos financeiros.
  • Discussões de casal. Quando as finanças estão envolvidas.
  • Pressão. Um dos cenários mais comuns, nesse caso, é dever dinheiro; talvez a pessoa não saiba quando poderá pagar suas dívidas.

Lembremos que o estresse também é uma resposta psicofisiológica a uma demanda do ambiente. Não está relacionado apenas ao que a pessoa pensa, mas também ao que ela sente e ao seu comportamento.

 

Portanto, quando alguém está estressado, há manifestações físicas, mentais e emocionais. Inclusive, são vistos padrões diferentes na interação.

O impacto do estresse na saúde mental

O impacto do estresse na saúde mental

O estresse tem um grande impacto sobre a saúde mental. Isso acontece porque o padrão de comportamento da pessoa pode alimentar a tensão, e ela se manifesta em conjunto com as emoções, muitas vezes carregadas de negativismo e frustração.

Existe outro cenário muito comum, que é quando a pessoa se coloca muito longe no futuro, o que acaba promovendo a ansiedade. Quando se trata especificamente de estresse financeiro, algumas consequências podem surgir, como:

  • Dificuldade para relaxar.
  • Sensação permanente de estar sobrecarregado.
  • Irritabilidade.
  • Tristeza.
  • Culpa.
  • Pensamentos ruminantes.
  • Preocupação.
  • Desorganização.
  • Pessimismo.

Também é possível sentir depressão, exaustão mental, vergonha, medo, confusão, autocrítica excessiva, dificuldade de concentração e de tomar decisões. No entanto, vale ressaltar que isso ocorre de forma diferente em cada pessoa. Fatores genéticos, aprendizado, fatores sociais, ciclo de vida, consciência, entre outros, exercem uma grande influência.

 

Além disso, embora o estresse financeiro tenha um forte impacto sobre a saúde mental, não é a única área que ele afeta; ele atua em conjunto com outras áreas importantes da saúde, como a física e a social.

Por exemplo, a mudança das emoções de uma pessoa pode causar desconforto em outras ao seu redor e fazer com que os seus relacionamentos sociais mudem; em outros momentos, podemos optar por comportamentos de isolamento.

Inclusive, estão sendo realizados vários estudos sobre o efeito das estratégias de enfrentamento e apoio social em pessoas com estresse financeiro. De acordo com A. Riquelme, J. Buendía e M.C. Rodríguez, em seu artigo publicado na Psicothema, o apoio social está positivamente e diretamente relacionado à saúde, uma vez que seu efeito repercute nas estratégias de enfrentamento.

  • É possível observar o estresse em diversos sintomas físicos, como instabilidade na pressão arterial, tensão muscular, aumento do colesterol, distúrbios do sono, contraturas, palpitações, fadiga, dor de cabeça, entre outros.
  • A nível comportamental, as pessoas podem começar a comer mais e a fazer menos exercícios físicos, a evitar ou adiar responsabilidades, e apresentar outros comportamentos como inquietação e roer unhas.

Como você pode ver, diferentes fatores influenciam o estresse financeiro.

Como lidar com o estresse financeiro?
 

Como lidar com o estresse financeiro?

Para lidar com o estresse financeiro, você precisa conhecer a si mesmo. Se você sabe o que quer, para onde quer ir e quais são os obstáculos que você pode encontrar, você estará mais perto de escolher o que realmente o beneficia. Muitas vezes, o estresse surge porque você não se sente capaz de atender a todas as demandas que você estabeleceu para si mesmo.

Assim, para não se sentir sobrecarregado, é necessário estabelecer prioridades. Nesse sentido, desejo não é sinônimo de necessidade. Em primeiro lugar, você deve destinar seus gastos ao que é realmente necessário.

É importante levar em consideração seus pensamentos, emoções e comportamentos tóxicos. Depois de identificá-los, você pode começar a trabalhar para gerenciá-los da melhor maneira. Isso não significa que você precise removê-los da sua vida; você deve apenas saber quando parar.

Além disso, é essencial prestar atenção ao que você está se expondo. Muitas vezes, o estresse financeiro está associado a crises que outras pessoas também estão passando, ou derivadas de uma grande mudança no sistema. Não há problema em compartilhar experiências, mas se é prejudicial para você, é importante ficar longe.

Fazer uma pausa pode ajudar. Além disso, é benéfico considerar quais são as circunstâncias que estão causando o estresse financeiro e organizá-las de acordo com o grau de controle que você tem sobre elas. Nesse sentido, elaborar e seguir um plano inteligente pode ajudá-lo.

 

Por sua vez, o apoio social também desempenha um papel relevante. Não tenha medo de recorrer e pedir ajuda àqueles em quem você confia.

Por fim, não negligencie a sua saúde física. Uma maneira de aliviar o estresse é fazer exercícios físicos, que permitem liberar endorfinas.

Lazarus, R.S. (2000). Estrés y emoción. Manejo e implicaciones ne nuestra salud. Bilbao: Desclée de Brouwer.

Riquelme, A. Buendía, J., & Rodríguez, M.C. (1993). Estrategias de afrontamiento y apoyo social en personas con estrés económico. Psicothema, 5 (1). 83-89.

Valdés, M. & De Flores, T. (1985). Psicobiología del estrés. Barcelona: Martínez Roca, 2.