Sempre me mostrei forte, por isso me quebrei como nunca antes

Sempre me mostrei forte, por isso me quebrei como nunca antes

11, novembro 2016 em Emoções 7 Compartilhados
Sempre me mostrei forte, por isso me quebrei como nunca antes

Sempre me mostrei forte, serena e em pé. Resistente às tempestades e aos golpes sem pedir asilo emocional nem direito a um abraço. Resignei-me a silenciar meus sofrimentos e minhas reivindicações, por considerar que o fracasso já estava assegurado se não fizesse as coisas segundo o estabelecido. Mostrei-me sempre forte, por isso me quebrei como nunca antes. Um dia qualquer, sem poder controlar.

Neguei-me a derramar lágrimas e fui acumulando emoções. Elas se transformaram no que chamam de sintomas isolados de doença, mesmo que eu continuasse considerando o preço a pagar por um ambiente que me pedia e pedia sem eu receber nada em troca.

Não coloquei fronteiras ao apoio emocional que os outros me exigiam, minhas fronteiras eram amplas e espaçosas para os outros e, no entanto, meu espaço emocional ia se transformando em território árido e com arame farpado apontados para mim mesma.

Minhas fortalezas alheias, meu ouvido paciente, minhas concessões eternas se tornaram meus prisioneiros emocionais particulares. Todos tinham a chave para entrar no meu espaço, e para mim era cada vez mais necessário sair para tomar um fôlego. Quando me dei conta, já fazia tempo que havia transpassado a linha que delimita o que é humanamente suportável. Eu continuava acreditando que tudo consistia em ser forte, sem estar forte.

Emoções minimizadas: buracos enormes na saúde emocional

Ao longo da vida fui calando hipocrisias, silenciando reclamações e mutilando a necessidade de carinho. Quando eu quis sair, todas as minhas forças estavam no exterior. Elas haviam sido adquiridas por proprietários diferentes e isolados que já não as tomavam como uma ajuda temporária, mas como uma forma de transformar a minha energia em sua bengala.

Quando as pessoas estão fracas, elas se rompem pelo mau uso da sua vida interior. Você se rompe de forma interna, vegetativa. Chega um dia qualquer em que você não consegue se levantar porque os seus músculos já não respondem. Uma depressão desencadeada pelo estresse acumulado por aí, um ataque de pânico por ali.

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De uma forma ou de outra, às vezes parecemos nos desarmar de qualquer tipo de força, e ficamos completamente indefesos diante do que já não se pode nomear ou explicar. Nossa resistência tem sempre um limite, aquele que nunca soubemos estabelecer em relação aos outros. As pessoas sensíveis, mas autossuficientes, devem conhecer os indícios de uma ruptura emocional iminente antes que esta chegue a ocorrer.

A educação psicológica deficiente tem consequências

Em um estudo recente, a revista Annals of Internal Medicine explicou as diferentes estratégias de abordagem da depressão e realçou uma vez mais o péssimo trabalho educativo de determinados países. A falta de coordenação que existe no tratamento conjunto dos transtornos psicológicos por parte dos psiquiatras, psicólogos e outros profissionais da saúde.

A falta de coordenação que existe no tratamento conjunto dos transtornos psicológicos por parte dos psiquiatras, psicólogos e outros profissionais da saúde faz com que o suicídio seja uma das principais causas de morte da população. Além disso, faz com que a depressão seja considerada a principal causa da incapacidade profissional nos próximos anos.

As altas exigências profissionais e sociais atuais, juntamente com uma falta de conhecimento sobre a saúde mental, aumentam as possibilidades de incidência de transtornos psicológicos na população.
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Toda esta situação conduz a um clima de ignorância, no qual profissionais não qualificados se apropriam desta abordagem. Uma intrusão onde quem sofre é a população, nauseada pela publicidade de todo tipo de invenções que dizem curar ou ajudar a nossa mente a funcionar melhor, ao passo que falta qualquer tipo de apoio científico. 

Quebrar-se com mais frequência e saber pedir ajuda

Você tem o direito de estar e de se sentir triste, de não parecer sempre forte. Você tem o direito de colocar limites nas pessoas ao seu redor, seja seu parceiro, mãe ou filho. Você tem o direito de conhecer sua natureza e de saber que o ser humano tem um processamento emocional complexo e que cada um de nós tem uma forma única de perceber a realidade e de buscar a nossa própria felicidade.

Você tem o direito de se quebrar e voltar a se recompor; sempre será melhor do que ir recolhendo os pedaços que os outros vão deixando no seu caminho. Você tem o direito de saber que se cuidar não é ser egoísta.

Não se mostrar sempre forte e não ter por que suportar de bom grado as contínuas agressões do ambiente nos impede de instalar-nos em uma fraqueza permanente. Saber que você tem o direito de não fazer sempre a melhor cara diante de algo que faz tempo que ultrapassou os limites da sua paciência é se armar de assertividade para proteger o seu espaço. Saber se mostrar fraco a tempo é não voltar a se desfazer em pedaços por dentro mais uma vez.

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