O que caracteriza o sentimento de felicidade?

· novembro 19, 2017

Durante décadas, os psicólogos se focaram em estudar os aspectos negativos do ser humano, como as patologias ou as doenças. No entanto, nos últimos anos a chamada psicologia positiva tem se aprofundado mais nas características e estados psicológicos positivos das pessoas, como o sentimento de felicidade.

O senso de humor, o afeto, a resiliência, o amor, a harmonia e a gratidão são aspectos psicológicos e emocionais que vão nos ajudar a alcançar nossas metas e nos transformam em portadores de emoções positivas. Mas, quantas vezes e com qual intensidade precisamos experimentar essas emoções para sermos felizes?

Emoções positivas: ingredientes do sentimento de felicidade

Alguns autores definem as emoções positivas como emoções nas quais predomina o prazer ou o bem-estar e que permitem cultivar pontos positivos e virtudes pessoais. Ambos os aspectos necessariamente conduzem à felicidade.

Mulher pulando feliz em jardim

No entanto, categorizar as emoções como positivas ou negativas envolve alguns riscos. Por exemplo, a tristeza nem sempre possui uma conotação tão negativa como se costuma considerar. Sentir tristeza pela perda de um ente querido, além de ser natural, é adaptativo, necessário e demonstra a maturidade da pessoa. É inegável o fato de que esse tipo de emoção não tem por que ser prejudicial. Elas são, na verdade, pouco prazerosas e senti-las com certa frequência nos deixa em um estado emocional não desejado.

Como definir o sentimento de felicidade?

A felicidade é um estado de espírito, um estado emocional e um estado mental. Mas, como é possível definir uma pessoa feliz? Para fazer isso, é possível tomar como referência suas emoções e o grau de prazer ou desprazer que causam nela.

Em termos eudaimônicos (“de felicidade”), as pessoas mais felizes não são as que experimentam emoções prazerosas mais intensamente, mas as que têm emoções positivas com uma intensidade moderada de forma frequente. Os momentos gratificantes de alta intensidade são pouco comuns, até mesmo para as pessoas mais felizes. Por isso, a felicidade está associada a um sentimento de plenitude interna e de bem-estar psicológico.

Se perguntarmos a homens e mulheres do nosso meio se são realmente felizes, certamente vão nomear acontecimentos específicos que lhes fizeram sentir um êxtase momentâneo. Por exemplo, o nascimento de um filho ou a compra de uma casa nova são acontecimentos que normalmente são associados a momentos de alegria, satisfação e plenitude.

Mas, cuidado! Esse tipo de fato não costuma acontecer com frequência. Por isso, basear a felicidade de toda uma vida na esperança de que aconteçam eventos extraordinários pode levar à infelicidade.

O sentimento de felicidade é sentido por aquelas pessoas que valorizam emoções positivas com uma intensidade moderada de forma freqüente.

A insatisfação constante nos torna infelizes

Buscar o sublime ou o prazeroso constantemente e em qualquer aspecto da vida nos leva ao erro, até mesmo quando se obtém os resultados desejados. As pessoas que buscam a todo momento “a máxima felicidade ou o máximo prazer” tendem a mudar reiterada e compulsivamente de companheiro ou companheira, de emprego, e não se envolvem em relações de amizade duradouras.

Elas vivem sempre em um pensamento baseado no “não é suficiente” e no “sempre haverá ago melhor”. Assim, é exatamente essa incessante busca pela excelência e esse inconformismo viciante o que as desespera e as deixa fartas.

Mulher pensativa olhando pela janela

No entanto, não se deve confundir a busca por esses momentos pontuais de máximo bem-estar com a rejeição por sentir felicidade. Muitas pessoas não aceitam alguns golpes de sorte da vida porque acham que na vida existe um equilíbrio imposto (“karma”), baseado na lei de causa e efeito, devido à qual uma fase boa na vida é inevitavelmente seguida por outra de azar.

Algo parecido acontece com as experiências que causam muito prazer. Ter experimentado um momento de entusiasmo intenso pode ser uma desvantagem se servir como ponto de referência com o qual comparar outras experiências positivas. Ou seja, algo que a priori é um acontecimento agradável pode se transformar em um acontecimento apenas um pouco agradável se o compararmos com um evento passado que foi espetacular. Nesse sentido, também não podemos nos esquecer de que somos herdeiros de uma forma de pensar que associava o prazer, sobretudo quando era muito alto, ao pecado.

As mulheres são mais emotivas que os homens

Entre homens e mulheres também há diferenças na expressão e na forma de sentir as emoções. Muitas pesquisas demonstraram que as mulheres sentem mais emoções: com maior frequência e intensidade do que os homens. Dentre as emoções de valor negativo, elas costumam sentir mais medo e tristeza que eles.

É interessante analisar como muitas das discussões de casais estão relacionadas com queixas que os homens têm das mulheres no geral e vice-versa. Os tópicos giram em torno do fato de que os homens não expressam suficientemente suas emoções e de que as mulheres são muito emotivas: “é impossível entender se você não me disser o que sente” ou “não é para tanto, você é muito sensível”.

Por isso, saber que os homens não expressam suas emoções porque literalmente não as sentem com tanta frequência ou intensidade quanto as mulheres pode estabelecer mais pontes entre ambos os gêneros, ajudar no mútuo entendimento e contribuir para a resolução de diferentes aspectos desse tipo de conflito.

Como manter o sentimento de felicidade

Quando atingimos um objetivo, sentimos satisfação. Mas se não soubermos lidar com esse sentimento, para além do imediato e momentâneo, ele pode desaparecer muito rapidamente. Por exemplo, a alegria de ter conseguido um aumento de salário pode ser relegada a um segundo plano se dermos mais importância e ficarmos muito mal-humorados ao demorar para encontrar uma vaga para estacionar.

Mulher feliz andando de bicicleta

Para poder atingir a felicidade e manter um ritmo adequado de emoções de intensidade moderada é preciso atribuir a cada acontecimento a sua devida importância. A moderação, o equilíbrio, a prudência e a relativização são aspectos fundamentais para poder lidar adequadamente com nossos sentimentos.