A síndrome da felicidade adiada

· novembro 28, 2018

A síndrome da felicidade adiada é uma consequência da má gestão de tempo. Nela, os planos desejados são sempre adiados por diversas obrigações que surgem, de forma inevitável, uma atrás da outra.

As emoções de valor negativo que derivam deste perverso costume podem afetar nosso rendimento, nossas relações pessoais e profissionais. Inclusive, podem mudar nossa personalidade. Por isso, é importante saber separar obrigações de prazeres.

A felicidade e outras emoções

A felicidade é uma das chamadas emoções positivas porque, no geral, seus efeitos são positivos sobre o organismo e as relações. Podemos dizer que sentimos felicidade quando experimentamos uma satisfação plena, ocasionada pelo cumprimento de um objetivo ou uma experiência prazerosa.

Pode parecer que a felicidade é uma emoção sempre positiva. Isso, no entanto, nem sempre é verdade. A priori, seus efeitos são positivos, mas cuidado, porque nossa mente pode nos enganar.

Os seres humanos experimentam um âmago de felicidade (ou, pelo menos prazer) quando imaginam, se lembram ou anseiam por momentos felizes. No entanto, essa ilusão de felicidade não dura muito e, consequentemente, pode se transformar em frustração, desgosto e estresse.

Ser feliz em meio à natureza

Sintomas da síndrome da felicidade adiada

Para saber se você sofre dessa síndrome, pode prestar atenção aos seguintes sintomas:

  • Você busca constantemente algo melhor. Nunca está satisfeito com as suas conquistas e sempre vê oportunidades de melhora que, inevitavelmente, fazem com que você perca interesse por suas conquistas e não dê valor a elas.
  • O dinheiro torna-se obsessivo e você economiza tudo o que pode, com planos de gastá-lo somente quando precisar, mas este momento nunca chega, já que nada é tão urgente para gastá-lo.
  • O medo do fracasso também é uma obsessão, tanto que você prefere se manter na situação na qual se encontra em vez de crescer pessoal, familiar ou profissionalmente.

Estes três sintomas, somados ou individualmente, são causas inequívocas de que você precisa fazer uma mudança. Postergar a felicidade não faz nada além de dar liberdade a emoções negativas e impedir que você seja realmente feliz. Muitas vezes a verdade é que, de tanto adiar a felicidade, ela nunca chega.

Consequências de adiar a felicidade

Os efeitos da síndrome da felicidade adiada são evidentes: no estado oposto à felicidade, ficamos apáticos, melancólicos ou irritáveis. Na realidade, o que a pessoa que sofre dessa síndrome está fazendo é sempre adiar essa felicidade, projetando-a de maneira constante para o futuro, de forma que tal felicidade nunca chega.

Como consequência, acaba sendo gerado um medo, não só do fracasso, mas também do risco por si próprio, por medo de colocar em risco um estilo de vida considerado razoável ou estável. A verdade é que, muitas vezes, essa imagem de vida não é real; ela é fruto da aceitação de que “não devemos ter mais aspiração”.

Como enfrentar a síndrome da felicidade adiada?

Se estivermos imersos nessa síndrome, talvez não tenhamos consciência de qual é o problema, mas sabemos que algo está acontecendo e que é importante agir o mais rápido possível.

Buscar a sua felicidade

Reorganize suas prioridades

A solução passa por dar abertura ao que é verdadeiramente importante, que nem sempre coincide com o que é urgente. Isso significa priorizar ou destinar tempo para aquilo que você gosta. Trata-se, simplesmente, de ver que você também precisa de um espaço para se sentir bem, e não só para sofrer ou se sacrificar. Por mais que este sacrifício possa lhe fazer bem mais tarde, ele não é saudável.

Consequentemente, é provável que este desejo de ser feliz o leve a correr riscos, mas estes são realmente necessários para que você avance. Se evitarmos os riscos de maneira sistemática, vamos acabar perdendo qualidade de vida… e tudo isso graças às limitações autoimpostas que nos deixam com um espaço minúsculo para nos movermos.

Pense no que já te faz feliz

Ninguém é totalmente infeliz. Todos nós temos algo em nossa vida que nos dá prazer, e este é um ponto de partida interessante. Em vez de continuar projetando a felicidade para o futuro, por mais que seja com o objetivo de reorganizar as prioridades, viver o presente vai ajudá-lo na mudança que estamos propondo.

Ou seja, se você já tiver hábitos que fazem com que você se sinta bem, como ler ou dedicar alguns dias por ano a viagens, tente fazer com que isso não seja deixado de lado por conta de suas obrigações. No fim das contas, diante da síndrome da felicidade adiada, o plano da hipótese é muito menos tangível do que a realidade.