O que é a Síndrome de Adaptação Geral?

fevereiro 9, 2020

Em 1950, Hans Selye, professor e diretor do Instituto Experimental de Medicina e Cirurgia do Canadá, introduziu o conceito de Síndrome de Adaptação Geral. Baseado em diversos estudos, como os de Claude Bernard, Frank Hartmann e Cannon, o cientista estabeleceu uma rede de diferentes conceitos que explicam a resposta do estresse nos organismos.

Assim, o estudo sobre o estresse de Selye o considera não apenas como um processo fisiológico de adaptação, mas também como um processo que provoca doenças.

O objetivo de seu estudo era a busca de novos hormônios ovarianos. Para isso, injetou uma solução de extratos de ovário de vaca em ratas. Como resultado, notou-se que houve um crescimento e uma hiperatividade das glândulas adrenais. Além disso, alguns órgãos do sistema imunológico (baço, timo, gânglios linfáticos) reduziram seu tamanho. A solução também provocou úlceras no estômago e intestino das ratas.

A partir desse e de outros estudos, Selye considerou que existe um padrão em relação ao estresse que é sempre igual. Assim, este se mantém independente de qual seja o estímulo que o provoque. Dessa forma, a Síndrome de Adaptação Geral dá nome à síndrome que integra diversas reações adaptativas do corpo que estão estritamente relacionadas.

“A adaptação e a resistência ao estresse são requisitos prévios fundamentais para a vida, e neles participam todos os órgãos e funções vitais”.
-Selye, 1950-

Rato de laboratório

Estágios da Síndrome de Adaptação Geral

A Síndrome de Adaptação Geral se desenvolve em três estágios: a reação de alarme, o estado de resistência e o estado de esgotamento.

Fase de alarme

  • Acontece no início do perigo ou ameaça. O organismo começa a desenvolver uma série de alterações fisiológicas e psicológicas que o predispõem a enfrentar a situação;
  • O sistema nervoso simpático é ativado;
  • Ocorrem mudanças fisiológicas para “lutar ou fugir”.

Fase de resistência

  • Fase de adaptação à situação estressante;
  • Ocorrem mudanças fisiológicas no corpo para assegurar a distribuição de recursos;
  • O eixo hipotálamo-hipofisário-adrenal é ativado;
  • Tem início uma economia de energia: diminui a atividade sexual e reprodutora;
  • Caso ocorra uma adaptação, haverá consequências como: diminuição da resistência geral do organismo, diminuição do rendimento da pessoa, menor tolerância à frustração, etc.

Fase do esgotamento

  • Acontece uma perda da capacidade de resistência e adaptação do organismo;
  • Podem surgir doenças devido à falta de adaptação: úlceras gastrointestinais, hipertensão, infartos do miocárdio e alterações nervosas.
  • Alcançada essa fase, os transtornos fisiológicos, psicológicos ou psicossociais tendem a ser crônicos ou irreversíveis.

Alostase

Para se adaptar, o organismo inicia processos de adaptação diante da situação de estresse. Assim, a alotase tem o objetivo de conseguir retornar ao equilíbrio ou homeostase.

A homeostase é definida como a estabilidade dos sistemas fisiológicos que mantêm a vida. São processos fisiológicos coordenados que operam para manter constantes a maioria dos estados do organismo. Esse conceito foi definido no começo do século XX por Walter Cannon, que destacou também a importância da ativação do sistema nervoso simpático.

A carga alostática poderia ser definida como o desgaste acumulativo que ocorre nos diferentes sistemas do organismo depois de uma resposta prolongada ou regulada de maneira fraca. Assim, este seria o preço que o organismo precisa pagar por se ver forçado a se adaptar diante de circunstâncias adversas, tanto de caráter psicossocial quanto físico.

Tipos de alostase

  • Repetição;
  • Falta de adaptação e habituação;
  • Resposta prolongada por um atraso na recuperação;
  • Resposta inadequada pela hiperatividade compensatória de outros mediadores.

A alostase proporciona compensação para diversos problemas, como insuficiência cardíaca compensada, insuficiência renal compensada e insuficiência hepática compensada.

Mulher com a cabeça apoiada na parede

Assim, Sterling (2004) propõe seis princípios inter-relacionados que fundamental a alostase:

  • Os organismos são desenhados para ser eficientes;
  • A eficiência requer intercâmbios recíprocos;
  • A eficiência requer também ser capaz de prever as necessidades futuras;
  • Tal previsão requer que cada sensor se adapte à faixa de entrada esperada;
  • A previsão exige também que cada executor adapte a sua produção à faixa esperada de demanda;
  • A regulação previsiva depende do comportamento, enquanto os mecanismos neurais também se adaptam.

Assim, a Síndrome de Adaptação Geral é um exemplo de como o estresse é a origem de certas patologias. Em nossa vida diária, existem muitos estímulos estressantes que podem provocar esta síndrome, por isso é importante conhecer sua existência e ocorrência.

  • McEwen, B. S., & Wingfield, J. C. (2003). The concept of allostasis in biology and biomedicine. Hormones and behavior, 43(1), 2-15.
  • Selye, H. (1950). Stress and the general adaptation syndrome. British medical journal, 1(4667), 1383.
  • Sterling, P. (2004). Principles of allostasis: optimal design, predictive regulation, pathophysiology, and rational. Allostasis, homeostasis, and the costs of physiological adaptation, 17.