Síndrome de Procusto: quero que você fique bem, mas não melhor que eu

Síndrome de Procusto: quero que você fique bem, mas não melhor que eu

setembro 17, 2017 em Psicologia 0 Compartilhados
Síndrome de Procusto: quero que você fique bem, mas não melhor que eu

A síndrome de Procusto faz referência a pessoas que menosprezam quem é superior a elas em talento e habilidades. E mais, não hesitam em discriminá-las e até mesmo em persegui-las. São pessoas que não progridem nem deixam os outros progredirem, perfis frustrados ou com autoestimas muito exageradas que estão presentes em muitos ambientes do nosso dia a dia.

É muito provável que nesse mesmo instante a muitas pessoas venha mais de um nome à cabeça, a lembrança de mais de uma pessoa. Vale dizer também que essa caricatura – com muitos contornos de realidade, infelizmente – inspirou, como seria de esperar, inúmeras tramas literárias e cinematográficas. É, por assim dizer, o clássico antagonista que encontramos em qualquer cenário acadêmico, profissional e até mesmo familiar, e que vai muito mais além do que costumamos conhecer como “oportunismo”.

“Procusto: Se você se destacar, cortarei seus pés. Se você demonstrar ser melhor que eu, cortarei sua cabeça…”
-Mitologia grega-

Paralelamente, é interessante saber que apesar da síndrome de Procusto não estar presente em nenhum manual de diagnóstico nem ter entidade clínica, contempla perfeitamente um comportamento específico reconhecido pelos psicólogos. Um comportamento que tem como objetivo destruir de forma hostil quem é considerado mais brilhante e boicotar quem é mais preparado por mera intolerância e puro egoísmo. Porque para essas pessoas, não existe nada pior do que ser superado pelos outros em qualquer aspecto, por mais irrelevante que seja.

O mito de Procusto

Apesar de o mito de Procusto não ser muito conhecido, vale dizer que é sem dúvidas um dos mais sombrios e terríveis. A mitologia grega conta que esse personagem trabalhava em uma estalagem nas altas colinas de Ática.  Nesse local, ele oferecia hospedagem para os viajantes. No entanto, sob aqueles tetos simpáticos que convidavam ao descanso e ao conforto, se escondia um segredo macabro.

Procusto tinha uma cama na qual convidava seus hóspedes a se deitarem. À noite, quando estes dormiam, ele aproveitava para amordaçar e amarrar suas vítimas. Se a pessoa fosse mais alta e seus pés, mãos ou cabeça não coubessem nas dimensões da cama, Procusto os cortava. Se a pessoa fosse menor, ele quebrava seus ossos para ajustar as medidas.

Esse sombrio personagem realizou suas macabras atitudes durante anos até que um homem muito especial chegou a sua estalagem: Teseu. Como já sabemos, esse herói se tornou conhecido por ter enfrentado o Minotauro na Ilha de Creta e por ter, mais tarde, se tornado rei de Atenas. Conta-se que quando Teseu descobriu o que aquele sádico fazia durante a noite, decidiu aplicar em Procusto o mesmo castigo que este aplicava em todas as suas vítimas.

Desde então, teve origem um aviso em forma de ditado que diz o seguinte: “Cuidado, há pessoas que, quando percebem que suas opiniões não se encaixam nas delas ou quando veem que você é mais brilhante que elas, não hesitam em fazer você se deitar na cama de Procusto”.

Síndrome de Procusto

Como as pessoas com síndrome de Procusto agem?

É claro que no nosso dia a dia ninguém aplica a mesma violência que o Procusto do mito grego, mas sim uma agressividade encoberta que frequentemente vemos no mundo do esporte, da política ou no âmbito empresarial. De fato, uma coisa que todos nós sabemos é que aqueles que ocupam os cargos de maior relevância em uma organização nem sempre são os mais capacitados nem os melhores preparados.

Isso faz com que, quando aparece alguém brilhante, proativo, criativo e capaz de superar essas pessoas em mais de um aspecto, elas não hesitem em aplicar mil estratégias e desprezíveis artimanhas para anular, humilhar e encurralar os recém-chegados na esquina da indiferença onde deixam de ser “um risco”. Uma ameaça capaz de derrubar seu pequeno mundo de incompetência e vulgaridade.

Características das pessoas com síndrome de Procusto

  • São perfis que vivem em meio a uma contínua frustração e contam com uma pequena sensação de controle.
  • Podem ter uma autoestima muito baixa ou, pelo contrário, muito alta ou exagerada.
  • São muito sensíveis emocionalmente: qualquer situação em que elas fiquem em evidência frente às capacidades ou os acertos dos outros, tomarão como uma grande ofensa.
  • Ao mesmo tempo, essas pessoas costumam “vender” a ideia de que possuem empatia, de que valorizam o trabalho em equipe… Contudo, o que há por trás das suas palavras é um verdadeiro egocentrismo e um pensamento inflexível e extremamente hostil.
  • Elas vão monopolizar todas as tarefas. Seu nível de competitividade tem apenas um objetivo: se sobressair em relação aos demais.
  • Elas têm medo das mudanças, característica muito comum nas empresas dirigidas por líderes tradicionais e nada proativos que enxergam qualquer pequena mudança como uma grande ameaça.
  • Por vezes, assumem uma posição irracional. Se, por exemplo, fazemos uma ação que pode significar um benefício para a empresa, essas pessoas a veem como um erro, uma ingenuidade e uma ideia sem valor.

A pessoa com síndrome de Procusto usa todas as suas energias para limitar as capacidades dos outros: são exterminadores de sonhos, são repressores de esperanças, manipuladores psicológicos e mestres da agressão encoberta.

Por fim, e não menos importante, vale também dizer que não hesitam em manipular os outros ou em usar sua posição para “acabar” com quem se destaca.

Marionetes simbolizando Síndrome de Procusto

Devemos escapar das jaulas construídas pelas pessoas com Síndrome de Procusto

Quando convivemos com pessoas complicadas, pessoas caracterizadas por determinados transtornos ou comportamentos que consideramos prejudiciais, quase sempre propomos aquela história de “primeiro aprenda a compreendê-las e depois a lidar com elas”.

“O talento é bastante comum. O que existe não é falta de inteligência, mas de consistência e coragem.”
-Doris Lessing-

Nesse caso, e quando falamos de perfis que executam o nível mais tóxico e ameaçante da Síndrome de Procusto, o mais recomendado é manter distância. Não podemos nos esquecer de que talento não combina com ameaça nem com o poder mais rígido e prejudicial.

Esse comportamento vai muito além da simples competição. Quando se transforma em ataque, quando temos um diretor ou até mesmo um familiar que nos boicota de forma constante para nos humilhar e nos anular, é necessário tomar a iniciativa e fechar essa porta. Por sua vez, esse é o momento em que devemos dar mais um passo à frente e buscar ambientes em que possamos nos desenvolver ao máximo, de acordo com nossos talentos.

Vale lembrar também que, apesar de haver tantos Procustos no nosso dia a dia, não devemos nos render a eles. Todos nós nascemos para nos destacar em algum aspecto, devemos desenvolver essa habilidade e encontrar o ambiente mais adequado para tirar proveito em liberdade.

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