Sistema nervoso parassimpático: características e funções

março 19, 2019

Relaxar depois de um esforço ou uma situação de estresse. Regular as batidas do coração depois de um susto ou uma corrida. Relaxar nossos pulmões ao reduzir a entrada de oxigênio e favorecer um estado de calma… Todos esses processos tão essenciais o nosso dia a dia são regulados e controlados por uma parte essencial do nosso corpo: o sistema nervoso parassimpático.

Há pouco tempo falamos em nosso espaço do sistema nervoso simpático e de sua participação em outros tipos de comportamentos: os relacionados com a ativação, a resposta fisiológica diante de uma ameaça, diante do estresse, etc. Nesse caso, estamos falando da parte do sistema nervoso autônomo que facilita o restabelecimento da energia corporal. Em qualquer dos casos, são tarefas que esse conjunto de fibras nervosas e ramificações realiza sem o controle consciente.

Apesar de parecer algo bastante simples, o tema é muito mais interessante do que pensamos. Isso porque conhecer o funcionamento desse tipo de estrutura facilita o entendimento e a construção do conhecimento de por que somos como somos, além de descobrir como podemos intervir para favorecer nossa saúde e bem-estar. Um exemplo disso é o que explicam alguns estudos realizados pela Universidade de Medicina de Harvard e publicados na revista científica Music Perception.

Segundo esse trabalho, a música tem um impacto terapêutico sobre o sistema nervoso parassimpático em pessoas que têm alterações nessa área. Isso acontece por meio da melhora das suas atividades e funções. Esse efeito pode ser explicado, sem dúvida, pela capacidade da música de motivar a calma e o relaxamento, mediando assim a característica de ativação que define esse sistema. Vejamos mais dados a seguir.

“Como o osso para o corpo humano, o eixo para a roda, a asa para o pássaro, o ar para a asa, assim é a liberdade para a essência da vida. Se ela não está presente, há imperfeição”.
-José Martí-

Como a música influencia a internalização de mensagens?

Onde está o sistema nervoso parassimpático?

Como já falamos no início, o sistema nervoso parassimpático é parte do sistema nervoso autônomo. Agora, para termos uma ideia melhora de onde ele está, devemos entender a organização do encéfalo. É aqui que está localizado, pelo menos parte dele – a parte que comanda as ramificações do sistema por meio de uma série de nervos.

A seguir, devemos entender também outra área, a zona da medula espinhal que se chama área sacra. Vejamos com mais detalhes essas duas áreas:

  • Área craniana: nessa zona o sistema nervoso parassimpático se conecta com o hipotálamo, o mesencéfalo e o rombencéfalo. Além disso, aqui o nervo vago tem uma grande relevância, já que chega até o coração, os pulmões e o tubo digestivo para realizar diversas funções vitais.
  • Área sacra: essa região não está conectada na região intracraniana, mas diz respeito à própria medula espinhal. Há uma conexão com a zona urogenital para regular tarefas como a micção.

Além disso, cabe destacar que a comunicação entre os neurônios acontece por meio da acetilcolina, tanto a nível pré-ganglionar quanto pós-ganglionar.

Funções do sistema nervoso parassimpático

Sabemos que o sistema nervoso parassimpático media nosso consumo e economia energética. Ou seja, ele nos ajuda a passar de um estado de alerta para um estado de calma. Cabe dizer, no entanto, que ele possui ainda mais tarefas, mais funções essenciais para nossa sobrevivência que realizamos de forma inconsciente ou involuntária. São as listadas a seguir.

Sistema cardiovascular

As funções do sistema parassimpático no sistema cardiovascular são controladas pelo nervo vago. Desse modo, sua principal tarefa é regular o ritmo cardíaco, tanto a frequência quanto a força de contração. Reduz também a pressão sanguínea.

Desse modo, e não menos interessante, cabe dizer que graças ao sistema nervoso parassimpático podemos melhorar processos cognitivos importantes, como a memória, a atenção, a resolução de problemas…

Segundo um estudo publicado pela Universidade de Psicologia Ruhr Bochum, na Alemanha, quando nossa frequência cardíaca se regula e o ritmo cardíaco fica menos acelerado, nosso cérebro trabalha muito melhor.

Sistema digestivo

O sistema parassimpático media os processos da digestão de diversas formas: controla a parede do estômago, facilitando as contrações e a atividade peristáltica, e facilita a secreção de hormônios como a gastrina, secretina e insulina. Também regula a salivação e a deglutição.

Por outro lado, há um aspecto que não podemos esquecer: a digestão demanda um alto custo energético. Por isso, o que o sistema nervoso parassimpático faz é concentrar toda a energia no sistema digestivo durante esse processo de digestão.

Jovem comendo chocolate

Sistema excretor

O sistema parassimpático controla e regula tanto o processo de eliminação dos esfíncteres quanto a coordenação da micção.

Sistema genital

Essa estrutura formada por nervos e gânglios tem uma relevância chave na nossa sexualidade. Graças a esse sistema, a excitação sexual acontece.

Sistema respiratório

A função desse sistema em nossos pulmões é fundamental para estimular a constrição dos brônquios. Ou seja, o mecanismo por meio do qual as vias aéreas se estreitam para bloquear ou diminuir o fluxo de oxigênio que recebemos.

Sistema visual

Quando estamos em um estado de repouso e esse sistema considera que não é necessário captar mais luz, ele contrai a nossa pupila.

Sistema visual

Para concluir, assim como pudemos perceber ao longo desse artigo, o corpo humano é tão complexo quanto perfeito. Somos seres preparados para reagir diante de qualquer estímulo, para nos adaptar a qualquer circunstância e regular nosso organismo de acordo com nossas necessidades.

Entender cada processo do sistema nervoso autônomo (incluindo o sistema simpático e o parassimpático) nos permite, sem dúvida, saber muito mais sobre nós mesmos.