Uma reflexão sobre morrer de amor - A mente é Maravilhosa

Sobre morrer de amor

Carolina Baeta Janeiro 26, 2017 em Emoções 1374 Compartilhados
Sobre morrer de amor

Quando eu tinha 9 anos me apaixonei por um coleguinha da igreja. Foram 3 anos em que vivi o famigerado ‘amor platônico’ (nem tão platônico assim porque eu contava para todo mundo).

Achei que ia morrer por gostar tanto de alguém que não gostava de mim (ainda bem que ele não gostava. Seria estanho um adolescente de 13 anos querendo namorar uma criança de 9).

Uma vez eu assisti a um clipe na TV e quis fazer igual. Quando eu achei a oportunidade, olhei nos olhos dele, disse “eu gosto de você”, e corri achando que ele correria atrás de mim, me seguraria pelo braço e então me beijaria. Mas aí eu fui correndo, ele não fez nada, eu tropecei e cai no chão como um saco de batata apaixonado (essa é uma historia leve, a da caixa d’agua é bem pior). Eu achei que ia morrer…

Com 15 anos eu me apaixonei e namorei com um cara de 26. Foi uma das melhores experiências da minha curta vida. A adrenalina corria quando estava com ele, me sentia no clipe da Katy Perry, me sentia tão viva e tão completa. Eu fui uma garota de sorte por tê-lo conhecido. Pelos motivos óbvios, nós terminamos e eu achei que ia morrer

sofrer por amor

Com 16 anos namorei com um rapaz de 17, éramos da mesma igreja, jovens, românticos (inclusive, sempre que estávamos no culto, ele levantava pra beber água e trazia um pouco pra mim. Ownt! S2).

Ele falou que íamos casar, planejamos muitas coisas juntos. Mas um dia descobri que ele tinha outra namorada além de mim e quem terminou comigo por ele, foi ela. Nas palavras dela, “Então, querida. Acho que entramos num consórcio”. Foi o término mais filme indie da minha vida. Eu coloquei música triste no fone de ouvido, deitei no chão do quarto e chorei em posição fetal. Eu achei que ia morrer…

Com 17 anos as coisas foram diferentes, eu prometi a mim mesma que nunca mais seria trouxa! Daí eu me apaixonei. Ele me dava os presentes mais fofos do mundo, me deu caixas de bombons, o livro do meu escritor favorito e eu fui a sua primeira namorada (o pedido de namoro foi lindo). Nos conhecemos no ensino médio e eu achei que seria pra sempre, mas quando terminamos os estudos, ele precisou ir embora pra São Paulo morar com o pai e fazer faculdade. Eu achei que ia morrer…

amor proprio

Com 20 anos eu já estava totalmente entregue ao fracasso, meu lema era “azar no amor e sorte no dinheiro”. Aí conheci alguém, ele tinha 30 anos na época, primeiro ele foi meu amigo, conversávamos sobre política, filosofia e religião, ele já havia morrido por amor bem mais do que eu.

Era um cara divorciado e com filhos lutando por um futuro melhor. Aprendi com ele lições valiosas, aprendi que ciúmes não é sinônimo de amor e sim de desejo de posse, e quem ama não prende. O amor não arde em ciúmes. Aprendi a resolver conflitos conversando ou silenciando, e não jogada no chão do quarto.

Quando terminamos, eu não achei que ia morrer, pelo contrário, o sentimento era como quando terminamos um ano letivo no ensino fundamental. A gente deixa marcas na camisa dos colegas, comemoramos tudo o que vivemos juntos e sentimos saudades pelos bons momentos, mas nunca tristeza. Eu não morri.

Eu não morri de amor com 9 anos, nem com 20

Eu não morri ontem e nem morrerei amanhã, mas aprendi coisas valiosas com tudo isso.

1) Eu fui uma adolescente performática
2) Chifre é como consórcio, em algum momento somos contemplados.
3) Ninguém morre de paixão.
4) Eu tinha 7 vidas, e agora só me restam 3 para morrer.
5) Morrer de amor não é derrota, é renascimento.

Carolina Baeta

Carolina do Amaral Baeta, 22, acadêmica de psicologia. Amante de artes, literatura, poesia e música. Seu maior hobby é ler e escrever. Dá aula em suas horas vagas, porque acredita que a educação é a base para tudo.

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