Foi o sofrimento que me ensinou quem eu realmente sou

O sofrimento me ensinou quem eu sou

março 12, 2017 em Psicologia 0 Compartilhados
O sofrimento me ensinou quem eu sou

O sofrimento me ensinou quem eu sou. Me permitiu conhecer partes de mim que antes eu não tinha visto ou não quis assumir. Eu sempre desejei que nada de ruim tivesse acontecido na minha vida, mas entendi que desejar isso é querer uma coisa impossível.

Todos sofremos de alguma forma. Passamos por diversas circunstâncias que nos marcaram. Circunstâncias que gostaríamos de não ter vivido, mas é preciso entender que isso é impossível. A vida não é cor-de-rosa para ninguém, mesmo que para alguns, dentro das mesmas circunstâncias, possa ser mais agradável que para outros. Essa é a chave.

Em vez de nos concentrarmos em tentar viver a vida sem sofrer, deveríamos aprender a viver o sofrimento de forma diferente. Aprender a utilizá-lo para crescer e se reconstruir e para isso, muitas vezes, é preciso desenvolver diferentes habilidades no espaço seguro da terapia.

Não se trata de evitar o sofrimento, mas sim de aprender a incorporá-lo na sua história de vida como um capítulo a mais que o levou exatamente até onde está.

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A terapia como espaço seguro

A terapia psicológica precisa ser entendida como um espaço seguro para todo aquele que recorra a ela. Na terapia não existe julgamento, não existem verdades absolutas, e tudo o que é dito permanece sob sigilo profissional. Este segredo só pode ser quebrado se o paciente estiver em vias de causar dano a si mesmo, a outros ou mediante ordem judicial.

Além disso, a terapia é um lugar onde se estabelece uma base segura que traz estabilidade, mesmo que a sua vida tenho sido difícil. Para isso, os psicólogos – junto ao paciente – procuram construir uma aliança terapêutica como um vínculo seguro no qual assentar a terapia.

Este vínculo único, se bem estabelecido, permite consolidar um clima de confiança. Este clima facilita que todos os medos e o sofrimento que se escondem nele possam ser tratado. Porque, antes de adquirir as habilidades de enfrentamento que nos permitem dar os passos para tratar o que causa o sofrimento, é preciso ter suficiente confiança para poder falar disso sem medo.

Muitas vezes não se coloca ênfase em expor os medos, mas sim em criar uma base firme para poder caminhar com eles.
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Dando nome ao sofrimento

Dar nome ao sofrimento não consiste em usar rótulos diagnósticos. Muitas vezes sequer é possível usar um desses rótulos porque não existe uma correspondência. Às vezes, a causa dos nossos sofrimentos é tão única ou tão mundana que não tem um nome, mas é preciso lhe dar um.

Esse nome talvez tenha significado apenas para aquele que o deu, e isso é suficiente. Pode ser o meu lado obscuro, pode ser nervosismo, pode ser a sombra ou pode ser o que você quiser. É um nome que será usado no espaço terapêutico para definir alguma coisa própria, e, portanto, uma coisa tão individual que, mesmo que tenha um nome comum, terá um significado único.

Dar nome ao sofrimento ajuda a definir o problema que é a causa do nosso próprio tormento, e assim poder mudá-lo ou incorporá-lo.
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Um vez tendo um nome, esse sofrimento passará a ter um novo significado. Passará de um sentimento a uma coisa mais clara. Uma coisa que adquiriu forma e assim pode ser explicada e compreendida tanto pelo psicólogo quanto pelo paciente. Portanto, é uma coisa que pode ser mudada ou incorporada.

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Incorporar a experiência a um novo eu

Quando a causa do sofrimento é uma coisa que ocorreu no passado e não pode ser mudada, a melhor forma de superá-la é incorporá-la à sua história de vida. Isto não é uma coisa simples, mas também não é algo impossível.

Para incorporar algo, é preciso aceitá-lo. É preciso aceitar que independentemente do que tenha acontecido, sentir-se culpado agora não serve de nada. Também não serve jogar a culpa nos outros porque o passado é passado e não se pode mudá-lo. O trabalho que esta integração exige, esta aceitação do sofrimento, é muito grande. Mas é preciso deixar fluir o que é ruim e aceitá-lo com naturalidade para construir um novo eu.

Reconstruir-se é um grande passo, mas um passo que leva à aceitação desse lado obscuro que emerge do seu interior. Você já não sentirá um vazio cheio de dor ou lutará contra o seu demônio interior. Terá se reconstruído e terá aprendido que o que aconteceu o transformou em quem você é agora.

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