Talvez aos 20 a solidão não agrade, mas mais adiante se torna necessária

Talvez aos 20 a solidão não agrade, mas mais adiante se torna necessária

12, março 2017 em Psicologia 2712 Compartilhados
Xicara de chá em solidão

Com o passar dos anos, a solidão passa a ter outro sabor. Por quê? Porque à medida que vamos somando experiências chegamos nesse momento onde a solidão se torna sinônimo de espaço pessoal, íntimo e emocional.

É verdade, a solidão se torna um vício. Uma vez que você descobre a paz que existe nela, acaba precisando que o seu manto o cubra com certa frequência. Você passa a não suportar o barulho alheio com tanta tranquilidade e passa a gostar de se conhecer no seu próprio mundo.

Com o passar do tempo, você começa a se relacionar com a solidão sem medo, a gostar do seu interior, a se contemplar e a recuperar um equilíbrio que na juventude é muito difícil de conseguir. Aos 20 anos a sociedade não permite contemplar a solidão como uma coisa positiva da mesma forma que dos 30 em diante, quando as experiências o fazem topar com a necessidade de parar e reservar uma parcela para si mesmo.

“A solidão é nossa propriedade mais privada
velho ritual de fogos malabares
nela nos movemos e inventamos paredes
com espelhos dos quais sempre fugimos”.
-Mario Benedetti-

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O que a solidão tem que nos faz sentir tão livres?

A solidão é tão atraente porque nos ajuda a preservar uma parcela de nossas próprias almas. Através dela podemos nos ouvir, lidar com nossas inquietudes, observar nossos demônios e manifestar nossos desejos.

Nossos momentos a sós se transformam em um ponto de encontro que nos preenche e não nos machuca.
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Mas… cuidado!  Não se deve confundir a solidão escolhida com o isolamento social. Precisamos entendê-la como um lugar ao qual recorremos por escolha própria e com a necessidade de construir nossa personalidade através da observação plena.

Quando a gente escolhe estar sozinho, não se sente isolado. Não só isso, a solidão escolhida ajuda a desenvolver uma sensação de controle que a acelerada e ocupada vida adulta não nos permite cultivar.

A gente, nesses momentos de solidão, é responsável por construir a sua imagem no espelho e saber o que está acontecendo por trás do olhar. Podemos nos conectar com nossa própria capacidade de introspecção e analisar os antecedentes e as consequências de nossos próprios conflitos, nossas conquistas e nossas próprias experiências.

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A solidão nos traz momentos de deliciosa intimidade

Através do encontro íntimo com nós mesmos, dizemos adeus à dependência emocional e aos apegos insanos. Trabalhamos nossa própria essência ao precisarmos de nós mesmos, cultivamos e trabalhamos nosso próprio interior, tornando conscientes nossas necessidades e vencendo os medos.

Assim, o temor de não encontrar o sentido da vida se reduz, pois quando uma pessoa começa a apreciar os seus momentos de solidão, compreende que o sentido da vida é aquele que a gente quiser lhe dar. Nem mais, nem menos.
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As pessoas que gostam de ter momentos a sós enxergam as coisas de outra forma. Sabem o que é se deliciar com um dia sem planos, encontrar horas para passar tempo por sua conta, ser independente, considerar um café solitário como um dos maiores prazeres da vida.

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Isto ajuda a nos fortalecer em termos de poder de decisão e de análise. Não só isso, a necessidade de estar sozinho e o apreço por isso são duas facetas relacionadas com a criatividade e a originalidade. Isto transforma os pequenos detalhes em sutilezas que fazem a diferença.

Nós descobrimos a nós mesmos nos momentos em que estamos em contato com nosso próprio EU profundo. Isso é o que torna a solidão sinônimo de espaço pessoal e íntimo. Isso é o que muitas vezes nos impulsiona a encontrar e colecionar motivos para continuar crescendo.
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A solidão sempre é útil para nos recompormos, para entrarmos dentro de nós mesmos e compartilharmos a reflexão a cada parte de nossas vidas que está descuidada. O fundamental desse estado emocional é que ele nos ensina, seja lá como formos, a reservar um terreno e adubá-lo para trabalhar profundamente aquilo que nos sustenta:  o amor por si mesmo.

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