As pessoas são «um presente»

· março 10, 2017

Somos «um presente». Um presente, isso mesmo. Porque nossos olhos têm vida própria e uma luz que serpenteia ao som das nossas próprias emoções. Somos produtos de constelações neuroquímicas que abrem estradas na nossa mente, nos nossos corpos e, por fim, na existência dos outros.

Não podemos desligar nossas atitudes da sua influência no entorno, e por isso nos envolvemos na eletricidade, nas baterias carregadas dispostas a ter experiências. Experiências que, na sua magnificência, refletem o manifesto de fé que a natureza relata quando nascemos, quando crescemos e quando o destino coloca fim a nossas vidas.

Quem pode duvidar disso? Qualquer vida, em si mesma, é um presente para si e para os outros. Acontece que as pessoas bonitas são feitas de partes individuais recompostas, pedaços do seu eu reunificado quando chega a calma depois das tempestades.

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Acontece que, na verdade, todo mundo sofre contratempos na vida. Quanto mais numerosos forem, mais aprendemos e amadurecemos. Não só isso, costumamos dizer que quando aprendemos a lição a dor desaparece, mesmo que fiquem as cicatrizes no corpo e na alma.

É por isso que as pessoas mais belas são aquelas para as quais não foi fácil percorrer os caminhos da sua história. Não se trata de terem vencido o mal e a dor, é que elas sabem que não se pode curar o que a gente se nega a enfrentar.

“As pessoas são um presente. Algumas estão magnificamente embrulhadas; já à primeira vista são atraentes. Outras estão embrulhadas com papel muito simples. Algumas estão estragadas pelo correio. É possível que tenham uma distribuição especial.

Mas a embalagem não é o presente. Às vezes o presente é difícil de abrir, e é preciso procurar ajuda. Talvez porque dê medo? Talvez porque machuque? Talvez porque já foi aberto e menosprezado…?

Eu sou um presente e, em primeiro lugar, um presente para mim mesmo. Já olhei bem para o meu interior? Será que tenho medo de fazer isto? Talvez nunca aceitei o presente que eu mesmo sou. É possível que, dentro de mim, exista alguma coisa diferente do que imagino. Talvez eu nunca soube o presente maravilhoso que eu sou”.

Adaptado de «Yo soy un regalo»

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Como presentes que somos, oferecemos todos os dias belíssimos sentimentos aos outros, maravilhamos com palavras o reflexo dos seus olhares e damos sentido a cada pequena interação que temos com o mundo. Por isso é tão importante espiarmos o mundo com a firme convicção de que somos um presente.

Temos que acrescentar e absorver com gosto as contribuições dos outros. Essa é a verdadeira riqueza, o valor de que todos sejamos presentes com muitos destinos. Presentes de amor, presentes de amizade, presentes de família, presentes de profissão, presentes de tudo que se imagina e que se possa imaginar.

Mas cuidado, porque a nossa embalagem guarda, desconfiada, um mundo interior que nada mais é do que uma aparelhagem de crescimento e de intimidade. Talvez o poder social da nossa embalagem nos impeça de sermos donos da nossa aparelhagem interior. É quando então, com mais força, precisamos tentar gritar para nós mesmos algo que nos construa, como por exemplo: “Eu sou um presente. Para mim e para os outros”.

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