Sou o herói da minha história, não a vítima - A Mente é Maravilhosa

Sou o herói da minha história, não a vítima

janeiro 15, 2017 em Psicologia 2715 Compartilhados
Sou o herói da minha história, não a vítima

Finalmente chega o momento em que decidimos dar esse passo, decidimos ser o protagonista da nossa história, e não a vítima. Mudamos a nossa vida para criar com bravura e coragem a nossa própria realidade: onde não se encaixam humilhações, chantagens ou ofensas.

Muitas vezes a palavra “vítima” pode incorporar uma conotação desrespeitosa. Alguns definem este perfil como uma pessoa que se caracteriza por uma atitude passiva que simplesmente culpa os outros por aquilo que acontece na sua vida. No entanto, o “vitimismo” não tem nada a ver com as “vítimas reais”. Estes são dois aspectos completamente opostos que devem ser diferenciados com respeito e sensibilidade adequada.

“A paz interior começa quando você opta por não permitir que outra pessoa ou acontecimento controle as suas emoções”.
 -Provérbio Oriental-

Muitos de nós fomos vítimas de uma pessoa ou circunstância em um determinado momento das nossas vidas. Existem injustiças nas áreas públicas, mas especialmente nos espaços privados. Não importa o quanto somos respeitosos, se somos apenas crianças, se temos um elevado status social ou se somos muitos experientes, isso pode acontecer com qualquer pessoa.

A vida nos machuca quando assim deseja. E por um tempo podemos ser vítimas de uma fraude, de um acidente, da hipocrisia, de um relacionamento ruim, das nossas próprias decisões, ou de qualquer nuvem escura que paire sobre os nossos corações.

Nem sempre podemos controlar os fios condutores do destino. No entanto, podemos escolher a melhor resposta para deixar a vítima para trás e se tornar o herói ou heroína da nossa própria história.

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O “eu” separado” que a vítima constrói

A vítima nem sempre escolhe a sua posição ou não consegue sair sozinha da prisão pessoal e psicológica que criou. Para entendermos melhor, vamos dar um exemplo. Elena é um nome fictício, ela tem 18 anos e sonha em estudar Direito em Budapeste, Hungria. No entanto, os problemas financeiros e especialmente os familiares a incentivam a aceitar uma oferta de trabalho.

Ela vê um anúncio onde solicitam empregadas para trabalhar na Espanha. O salário é bom e, se poupar o suficiente, poderá começar seus estudos depois de um tempo. Ela não hesita e aceita o trabalho. No entanto, essa decisão que, inicialmente, foi um ato de coragem, dias mais tarde se transforma na pior escolha da sua vida: ela se tornou uma vítima do tráfico de pessoas.

Quando ela chega à Espanha, percebe que não tem nenhuma opção a não ser se prostituir para pagar a viagem. Então, acaba guardando seus sonhos e vivendo a realidade injusta que existe nesse país de destino.

Quando é finalmente resgatada desse mundo por uma organização social, Elena continua sendo uma vítima. Tudo isso por uma razão muito simples: ela construiu um “eu” separado, com o qual se identifica agora. Essa entidade que foi criada deixou de confiar nas pessoas, se sente culpada pelo que aconteceu e acredita que não tem controle sobre nada, absolutamente nada do que a rodeia.

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Seu condicionamento é tal que não vive mais no presente e nem tem esperança de um futuro. A identidade da vítima se enraizou em todo o seu ser. No entanto, Elena pode se “reconstruir” e voltar a ser ela mesma, para ser o que desejar.

Reconstruir as identidades, curar as feridas e se transformar em heróis

A história aqui citada é apenas um exemplo das muitas realidades que homens e mulheres sofrem todos os dias. Os facilitadores e especialistas neste tipo de processo de reconstrução pessoal indicam que esta é uma espécie de ferida que nem sempre cicatriza. No entanto, as vítimas podem reintegrar este “eu separado” à sua identidade no momento em que encontrarem um propósito para suas vidas; uma alternativa, um sentido.

Os especialistas dizem: “Você pode ser o que quiser. Você pode ser tudo o que você se propuser”. Mas para se tornar herói ou heroína é necessário, em primeiro lugar, deixar de lado a identidade da vítima. É preciso quebrar os condicionamentos e emergir com um firme propósito: ser feliz novamente.

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Estratégias para seguir em frente e deixar de lado a nossa identidade de vítima

Cada pessoa vai passar ou já passou por algumas circunstâncias que a colocaram nessa situação de vulnerabilidade. A última coisa que devemos fazer é culpá-la ou fazer comentários como “foi ela que procurou quando iniciou esse relacionamento” ou “essas coisas acontecem porque você não tem caráter”.

  • Uma vítima não escolhe ser vítima. Ela não luta apenas para escapar de um foco externo que causa dor, também é uma luta interna porque a sua autoestima está totalmente fragmentada.
  • As pessoas que foram feridas não conseguem sair de um dia para o outro do seu abismo pessoal. É um processo lento, sofrido e delicado de reconstrução da identidade, onde é preciso voltar a sentir confiança: a confiança em si mesmo e no seu ambiente.
  • A pessoa que é vítima de uma determinada circunstância, seja ela qual for, acredita que não há como escapar. No momento em que deixar de lado essa atitude, e se deixar ser guiado em um processo de acompanhamento e apoio, descobrirá que há outros caminhos. Existem outras opções que podem mudar a sua realidade.

Para concluir, a vida pode nos machucar quando assim o desejar, e seremos vítimas por um certo tempo. No entanto, só até quando a nossa força interior disser que basta, que já sofremos o suficiente; só até tomarmos as rédeas da nossa vida e nos tornarmos os criadores da nossa própria realidade e de novos horizontes como autênticos heróis.

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