Como saber se a teia dos hábitos está lhe roubando oportunidades

novembro 14, 2019
O ruim não é o hábito, mas transformá-lo na nossa maneira de viver. Quando isso acontece, acabamos nos insensibilizando, emocional e intelectualmente. Também ficamos com medo e aprendemos a ficar alienados diante das possibilidades de crescimento e mudança.

A teia dos hábitos é uma armadilha. Isso significa que tem mecanismos muito sutis que primeiro oferecem suporte, mas depois envolvem e limitam os terrenos nos quais você se move.

No entanto, com o tempo você aprende a equilibrar os danos que isso lhe causa com os benefícios que lhe proporciona. E então você segue assim, indefinidamente.

O cérebro humano é um órgão fabuloso, projetado principalmente para criar. A criação é, em essência, o caminho que a inteligência toma para resolver problemas. As faculdades intelectuais e o mundo emocional atingem seu máximo desempenho quando enfrentam uma dificuldade.

“O hábito é como uma corda; vamos acrescentando fios a cada dia até que não podemos mais rompê-la”.
-Horace Mann-

O hábito é uma maneira de delimitar o terreno da experiência. Uma das funções da rotina é reduzir a quantidade de dificuldades que devemos enfrentar diariamente. Isso, de certa forma, nos impede de pensar. Podemos nos mover impelidos pela inércia.

É bom que não tenhamos que pensar em tudo o que fazemos, mas quando chegamos ao ponto de já ter tudo decidido de antemão, primeiro começamos a ficar entediados e depois a ficar deprimidos.

O cérebro humano é projetado para a mudança, para a novidade, e evitá-las tem consequências intelectuais e emocionais. Como saber se estamos sendo vítimas da teia dos hábitos? Leve esses sinais em consideração.

Mulher presa na teia dos hábitos

Você gasta mais tempo com o urgente do que com o importante

Chamamos de “urgente” aquilo que implica um dever. O hábito nos leva a nos enchermos de deveres, mas estes quase sempre estão relacionados a outras pessoas, e não a nós mesmos.

É isso que geralmente nos impele a agir. Existem deveres de trabalho, acadêmicos, familiares, afetivos, ideológicos, etc.

O importante, por outro lado, tem relação com o que realmente determina nosso bem-estar e nosso sentimento de satisfação com a vida.

O tempo de qualidade com as pessoas que amamos, por exemplo. Ou a reflexão que devemos a nós mesmos sobre algum sentimento que nos incomoda e não sabemos o porquê. Para isso, nunca temos tempo.

Você pensa que deve se contentar com o que tem

Quando estamos presos na teia dos hábitos, percebemos um desconforto em nós mesmos. Embora a rotina nos leve a ter tudo organizado e decidido previamente, experimentamos algum tipo de aborrecimento.

Apesar disso, silenciamos essa voz que nos diz que algo está errado. Muitas vezes acabamos dizendo a nós mesmos que “é assim” e que devemos nos contentar com isso.

Alimentamos esse conformismo, nos escondendo por trás de ideias e premissas (como a “maturidade”) que nem sempre são tão razoáveis ​​quanto parecem.

Um efeito da teia dos hábitos: medo do risco

Um dos efeitos mais prejudiciais do hábito é que ele gradualmente nos deixa excessivamente medrosos. Sem perceber, acabamos sentindo medo de tudo aquilo que não é familiar ou que implica algum tipo de mudança ou novidade.

Um certo automatismo se apodera de nós. Toda vez que enfrentamos algo novo, os alarmes disparam como se estivéssemos diante de uma ameaça. Não encaramos as mudanças com entusiasmo e curiosidade, mas com cautela e medo. Perdemos a disposição para o diferente.

Adiar indefinidamente

Na teia dos hábitos também há momentos em que ansiamos por algo diferente. Pensamos que, talvez, conseguiríamos ir mais longe ou nos sentiríamos mais satisfeitos se fizéssemos isso ou aquilo, se nos atrevêssemos a empreender alguma atividade ou nos animássemos a mudar.

O problema é que quase sempre acabamos colocando esses sonhos e esses projetos em uma gaveta. Ali, devem esperar até que haja condições mais favoráveis, ou que se apresente uma oportunidade, ou que sejam cumpridas certas condições, etc.

No final, o mais provável é que esses sonhos e desejos fiquem guardados nessa gaveta para sempre.

Mulher desanimada em sua casa

A teia dos hábitos provoca a falta de interesse

Um dos sinais claros de que estamos presos aos hábitos é o tédio. Ele se manifesta como um sentimento de desinteresse por tudo. Nada nos excita o suficiente e nada nos apaixona decididamente.

Não vibramos com a vida, predominam emoções superficiais diante da maioria das coisas. Sem estar totalmente ciente disso, começamos a viver como se estivéssemos “queimando tempo”. Acabamos assumindo esse estado como se fosse natural e lógico, quando não é.

O hábito é uma força muito poderosa. Não é negativo por si só, pois nos proporciona estabilidade. Mas quando se apodera de tudo, torna-se uma rede que nos prende e nos sufoca.

Não devemos ceder a isso. Pequenas mudanças, como tomar um caminho alternativo ou comer algo diferente, podem ser boas maneiras de começar a sair dessa prisão.

Anzoátegui, V. T. (2001). El poder de la costumbre. Estudios sobre el derecho consuetudinario en América hispana hasta la emancipación. Buenos Aires: Instituto de Investigaciones de Historia del derecho.