A terceira onda, uma experiência surpreendente

A terceira onda, uma experiência surpreendente

julho 6, 2015 em Psicologia 1 Compartilhados
terceira onda

Steve Conigio era um estudante de segundo grau como qualquer outro. Um dia, na aula de história que tinha com o professor Ron Jones, formulou uma pergunta interessante: “Como foi possível que o povo alemão, os cidadãos comuns, alegassem ignorância sobre o que estava acontecendo com os judeus?”. O seu professor ficou ruminando; não sabia o que lhe responder. Este foi o começo de uma experiência desconcertante com a mente humana, que foi chamada de “A Terceira Onda“.

Ron Jones decidiu tirar uma semana das suas aulas para ensinar aos estudantes na prática como tinha sido possível que uma sociedade livre se transformasse em um regime fascista.  Seguiu um plano cuidadoso e assim conseguiu provar o seu ponto:  submetidos a certas pressões constantes, muitos seres humanos terminam aceitando o totalitarismo como norma de vida.

A disciplina

O professor começou o processo usando a persuasão. Primeiro tentou convencer os alunos sobre a beleza e a grandiosidade da disciplina. Ordenou-lhes que assumissem uma postura corporal muito rígida nas suas carteiras e corrigia severamente até a mais mínima falha.

Os alunos assimilaram rapidamente os novos parâmetros e Jones se perguntou até onde seria capaz de levá-los. Então introduziu novas normas, como a exigência de se dirigirem a ele chamando-o de “senhor”, ou a obrigação de colocar-se de pé e dar um passo ao lado antes de falar à classe.

O curioso é que a produtividade do grupo aumentou significativamente. Os alunos mais passivos logo se mostraram mais interessados e participativos. Todos pareciam responder de forma positiva frente ao autoritarismo.

O senso de pertencimento

No segundo dia, o professor Jones escreveu na lousa um lema que resumia o que fora aprendido no dia anterior: “Força através da disciplina”. E adicionou uma nova frase: “Força através da comunidade”. Logo lhes falou da importância de pertencer a um grupo. Inventou histórias para reforçar a ideia.

Mais adiante fez com que cada estudante repetisse os dois lemas aprendidos, em duas ocasiões. Eles se mostravam muito satisfeitos e pareciam experimentar cada vez mais o sentimento de pertencimento do grupo. No fim, o professor inventou um cumprimento com a mão para que os membros se reconhecessem entre si. Foi então quando outros estudantes souberam desta nova “comunidade” e pediram para entrar.

O passo à ação

No terceiro dia, implementou-se uma carteirinha obrigatória para pertencer ao grupo da Terceira Onda e mais de 200 estudantes pediram para serem admitidos. Também se definiu um ritual de iniciação, em que os novos integrantes deveriam jurar fidelidade aos princípios do grupo. Também se alertou a todos sobre a necessidade de vigiar os demais para que não infringissem as normas.

Não passou muito tempo para que começassem a chegar acusaçõesProliferaram “os informantes”, mas a ideia estava crescendo a pleno vapor. Os alunos que antes mais se sobressaiam agora se viam desorientados e passivos. Quem anteriormente estava isolado, de repente se integrou ao grupo sem maiores problemas. Inclusive o reitor da escola começou a usar o comprimento da “Terceira Onda”.

O orgulho

No dia seguinte o professor Jones chegou a sua aula e encontrou um grupo de 80 alunos, completamente silenciosos e atentos ao que tinha a dizer. O professor falou do orgulho nacional, da importância de fazer do país a melhor nação do planeta. Em seguida os convidou para uma reunião pública, exclusiva para os membros da Terceira Onda, na qual um candidato a presidente anunciaria um programa de governo para a nação. Todos estavam entusiasmados e começaram a preparar a atividade sem nenhuma alteração.

Descobre-se a experiência

O último dia da experiência começou com os preparativos para a manifestação. No auditório, Jones cumprimentou os alunos que responderam com o gesto combinado. Também pediu-se que repetissem o mantra (Força através da disciplina!) e eles o fizeram várias vezes, com plena convicção.

Logo, Jones ligou uma televisão para que todos conhecessem o líder esperado. A imagem permaneceu em branco. Pouco a pouco começou a se propagar a angústia e se impôs um longo silêncio.

Foi então que Jones pegou o microfone e disse estas palavras: “Ouçam com atenção, tenho algo importante para lhes dizer. Não há nenhum líder. Não há nenhum movimento nacional chamado Terceira Onda. Vocês foram usados, manipulados, e não são melhores do que os nazistas alemães que estudaram.”

Em seguida, passou um filme sobre o Terceiro Reich. Alguns choraram; outros simplesmente se levantaram e foram embora em silêncio, decepcionados.

Imagem cortesia de James Vaughan.

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