Todos estão contra mim!

· maio 21, 2015

Às vezes, em conversas informais ou em consultas, alguém costuma se queixar das ofensas de outra pessoa. Geralmente, referem-se à emissão de opiniões. Estas afetam a pessoa e sua forma de se relacionar, seja no trabalho, na família, socialmente, e até mesmo quando interage diante de autoridades ou profissionais da saúde.

Um dos principais problemas que se apresenta nas relações interpessoais tem a ver com a comunicação, seja ela profissional, familiar, social ou amorosa.

Dessa forma, uma situação típica entre os casais é: o marido chega em casa e, ao notar que o jantar não está pronto, tira conclusões sobre a sua esposa, como por exemplo “passou o dia com as amigas”. Diante do argumento do marido, a esposa reage “Acha que sou estúpida?”.

No âmbito profissional, temos um empregado convencido de que o seu chefe lhe desqualifica diante de outros, apenas por ter ouvido uma parte de uma conversa.

A pessoa que costuma se queixar da sua relação ruim com os demais pode sentir raiva, ira, tristeza, amargura ou desconfiança, entre outras emoções negativas. Elas podem dar respostas agressivas a outras pessoas ou cair em estados de depressão e ansiedade. Quando revisamos com atenção o problema, vemos que parte dele se origina na maneira de perceber.

As distorções cognitivas

O principal erro na comunicação das pessoas é a tendência à interpretação ou suposição do que o outro disse, dando-lhe um significado mais além do expressado e com base nas emoções e crenças do que escuta.

As distorções são, com frequência, formas prejudiciais de pensar. São uma quebra do pensamento lógico e da probabilidade. Entre elas, temos a especulação, a generalização, maximização, catastrofismo, e assim sucessivamente, até completar os 9 estilos de pensamento nocivo, conhecidos como distorções cognitivasna psicologia cognitiva de conduta.

As expressões e a maneira de utilizá-las, habitualmente, sinalizam qual o clima que envolve a comunicação. Uma generalização muito conhecida entre as mulheres é que todos os homens são iguais. Alegação que costuma ser muito recorrente em conversas que tratam da infidelidade. Mas, 2 ou 3 pessoas representam estatisticamente os bilhões de homens na Terra? Uma vida não basta para conhecer um por um. Portanto, analisar objetivamente tal crença nos leva a reconhecer um erro na lógica.

Quando as pessoas estão com o estado de ânimo alterado, costumam interpretar o que escutam no sentido desse estado de ânimo. O problema não é de quem fala, e sim de quem interpreta. Nós não precisamos ser interpretados. Tal conduta tem como base a projeção de quem escuta.

Dessa forma, as projeções e distorções, juntamente com o ego, são um coquetel tóxico que prejudica ou interfere a comunicação. Famílias separadas, pessoas feridas, divórcios e até assassinatos foram produzidos tão somente por dar trela à maquinação mental. As ofensas irreais são produto dessa situação. Quantas novelas não teriam terminado em dois capítulos se os dois personagens tivesses conversado em tempo?

O ego costuma aparecer para defender com veemência o domínio da razão, que distorce e interpreta, dando um significado que as palavras não possuem. Ele não escuta e nem permite a reflexão, já que relaciona a expressão que escutou ou o gesto que viu com a sua avaliação pessoal e a falsa crença de que é perfeito.

Em muitas ocasiões, as pessoas se provocam um impacto afetivo negativo pela sua maneira de pensar. Dentro das distorções, quando uma pessoa está arraigada nessa conduta nociva, pode apresentar “ideias referenciais”. Ela pode ouvir ou escutar uma conversa, uma notícia, uma entrevista de rádio e concluir que se refere a ela. Surgem assim pensamentos paranoicos: de caráter persecutório, de que os demais querem lhe fazer mal, que o que acontece é de propósito, etc.

Para ter uma comunicação de qualidade é importante:

1. Não especular. Pergunte e pergunte mais uma vez, caso não entenda o que se está comunicando. Não coloque palavras na boca da outra pessoa.

2. Não interpretar. Nosso idioma não precisa de interpretação. As interpretações são subjetivas e estão recheadas do significado que lhe são dados com base em crenças e emoções que cada um possui.

3. Não generalizar: Cada pessoa é única. Temos livre-arbítrio, então não generalize. Somos todos diferentes, até mesmo os filhos criados na mesma família.

4. Não projetar. 

5. Fazer pausas. Se está com raiva, decepcionado, irado, etc., primeiro se acalme. Depois se pergunte: que evidência eu tenho de que isso que estou pensando está correto?

6. Não utilizar a leitura de mente: nenhuma pessoa pode ler a mente de outra.. Ainda que conheça uma pessoa há muito tempo, isso não lhe dá o direito para conhecer os seus pensamentos e suas emoções.

7. O objetivo da comunicação é estabelecer  um canal onde transmitimos nossas emoções, sensações e pensamentos de uma pessoa para a outra. Para isso, uma escuta ativa é positiva.

8. Ser empático: É se colocar no lugar da outra pessoa. Não é pensar pelo outro. Como você gostaria que lhe tratassem? É assim a empatia. Dar ao outro aquilo que gostaríamos de receber.

9. Evitar o catastrofismo: É esperar sempre o pior, o que leva à ansiedade.