Como os diferentes estilos de criação influenciam os filhos – A mente é maravilhosa

Como os diferentes estilos de criação influenciam os filhos

9, abril 2015 em Psicologia 36 Compartilhados
estilos de criação

A maioria dos pais nem sequer sabe que há diferentes estilos de criação, simplesmente fazem o melhor que podem com base no que aprenderam por experiência própria, e levando em conta as suas ideias e princípios.

Independentemente do que saibam ou não, é possível afirmar que os pais adotam algum dos diferentes estilos de criação.

Quais são esses estilos de criação?

De acordo com a psicóloga de desenvolvimento Diana Baumrind, os estilos de criação são determinados por dois aspectos principais: 1) sensibilidade e interesse e 2) exigência e firmeza.

Esta autora desenvolveu uma das teorias mais conhecidas sobre estilos de criação. Ela propôs três categorias (estilo autoritário, estilo indulgente e estilo assertivo), mas depois a teoria foi ampliada, incluindo também os pais negligentes.

Cada estilo tem uma combinação diferente destes dois aspectos (pontos 1 e 2). Não é de estranhar que, como em todos os campos da vida, o melhor estilo seja o que possui um equilíbrio dos dois.

– O estilo Autoritário: o pai diz: “É assim porque eu disse e ponto.” (100% exigência e firmeza). Exerce-se uma supervisão muito forte e a ternura fica restrita. Em casos extremos, pode tornar-se abusivo.

– O estilo Permissivo: o pai diz: “Faça o que quiser, filho lindo.” (100% sensibilidade e interesse). O nível de cuidado é de moderado a alto, com pouco controle. Não há coerência na aplicação das regras de disciplina; todos os desejos e impulsos de crianças são aceitos.

– O estilo Negligente: o filho diz: “Onde está papai/mamãe?” (0% exigência e firmeza e 0% sensibilidade e interesse). Esses pais carecem do compromisso necessário com seus filhos e a supervisão está ausente.

– O estilo Democrático: o pai diz: “Agora você entende por que é tão importante que você obedeça as regras?” (50% exigência e firmeza e 50% sensibilidade e interesse). Costumam ser pais muito amorosos que exercem um controle moderado e favorecem as habilidades sociais. Costumam acompanhar as exigências com razões e respeitam a independência dos seus filhos.

O que dizem as provas?

Todos os estudos concordam que as crianças com pais que usam o estilo de criação democrático, ou seja, que têm uma disciplina moderada, muita comunicação, usam a lógica para obter cooperação, e dar bons exemplos, têm maior sucesso a curto e longo prazo .

Essas crianças são adaptáveis, independentes e colaboradoras. A pesquisa mostrou também que essas crianças são menos suscetíveis à pressão negativa de um grupo e sabem escolher bons amigos. Elas têm boa autoestima e respeitam os outros. Sim, parece um sonho, certo? Quem não quer ter filhos assim…?

A verdade é que, embora o estilo de criação democrático seja o mais saudável e eficaz, é também o mais difícil de pôr em prática. Por quê? Porque exige muito tempo e energia por parte dos pais; talvez por isso muitos optem por algum dos outros estilos.

Realmente importa que estilo “escolhemos”?

Os pais de temperamento não conflitivo talvez optem pelo estilo permissivo. Não estabelecem regras nem administram disciplina. São “todo amor e compreensão”. Superficialmente não parece tão ruim. Afinal, ninguém gosta de ser “o mau da história”, especialmente com uma criança. No entanto, os resultados nem sempre são tão bons. Estudos mostram que as crianças com este tipo de criação são as mais propensas a sofrer de depressão. Além disso, revelam uma ligação entre o estilo de criação permissivo demais com o abuso de drogas, crime e promiscuidade. O mais irônico de tudo isso é que muitas dessas crianças chegam a acreditar que seus pais não as amam…

Que tal o estilo autoritário? Você provavelmente já ouviu dizer: “Meu pai era muito rígido e não me dava tanto amor, mas eu me saí bem.” De acordo com Dene Garvin Klinzing, professor da Universidade de Delaware, o resultado da criança não só tem a ver com o estilo de criação, mas também com o próprio temperamento do filho. Se a criança tem um temperamento positivo e uma mente aberta, ela pode chegar a florescer, apesar de suas circunstâncias. No entanto, ela tem muito mais chances de sucesso com uma boa criação.

Crianças com pais autoritários aprendem desde cedo a não falar sobre suas preocupações com seus pais e, portanto, são mais influenciados por seus amigos. Frequentemente se sentem frustradas e se rebelam contra os valores e crenças de seus pais. Além disso, um estudo do Boston Medical Center descobriu que filhos de pais autoritários com concepções extremamente rígidas têm quase cinco vezes mais chances de serem obesos do que os filhos de pais com um estilo mais flexível e democrático.

Claro, todos concordamos que qualquer tipo de criação é melhor do que estar ausente. Na verdade, os estudos também indicam que as crianças de pais negligentes são as que apresentam mais problemas no seu desenvolvimento e também na sua vida adulta. Eles têm pouco controle sobre suas emoções e é difícil para eles formarem e manterem relacionamentos saudáveis.

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