Transtornos mentais: como podemos explicá-los melhor?

O que são os transtornos mentais?

janeiro 25, 2018 em Psicologia 398 Compartilhados
transtornos mentais

Os transtornos mentais são como doenças da mente. Pode ser bastante difícil entender isso a partir de explicações abstratas. Mas podemos tentar explicar os transtornos mentais comparando-os com construções. Se transtornos mentais fossem casas, a depressão seria a mais solitária. A ansiedade seria como uma prisão asfixiante. A insônia seria um lugar habitado por relógios sem ponteiros, porque lá o tempo não passa. Foi isso que pensou Federico Babina, um arquiteto que quis mostrar para nós como seriam as realidades da nossa mente quando esta se converte em nosso maior problema.

Quem já passou por ou sofre agora mesmo de algum tipo de transtorno mental com certeza se identificará com esse curioso e impactante trabalho artístico. Mas também não é necessário sentir na própria pele essas questões para entendê-las. Isso porque muitos de nós temos contato direto com pessoas que já tiveram ou têm transtornos mentais: alguma pessoa com Alzheimer, algum parente com esquizofrenia, transtorno do espectro autista, algum tipo de fobia ou mesmo insônia crônica.

“A dor mental é menos dramática que a dor física, mas é também mais comum e mais difícil de suportar”.
-C. S. Lewis-
As características dessas condições da mente humana descrevem lugares em que podemos ficar presos, isolados, ou até perdidos. Por mais evidente que isso pareça para a maioria, há pessoas que ainda não entendem a possibilidade de adoecer pela mente, ou sequer acreditam nisso. Os transtornos mentais, queiramos ou não, seguem sendo estigmas na nossa sociedade.

Cada pessoa, no entanto, é um mundo. E cada mente está presa dentro de paredes bastante grossas que a separam da realidade. Isso é o que sente Federico Babina. O arquiteto italiano quis trazer visibilidade a partir do seu campo de trabalho para a dureza dessas doenças e transtornos mentais. Esse projeto foi chamado de “Archiatric”, em um trocadilho entre as palavras arquitetura e psiquiatria em inglês, e merece ser conhecido.

E se os transtornos mentais fossem casas?

1. A depressão

A depressão é um dos tipos de transtornos mentais mais frequentes. A Organização Mundial de Saúde (OMS) chega a considerá-la uma epidemia. Longe de ter curas rápidas ou óbvias, a questão pode se converter nos próximos ano em uma das principais causas de incapacidade entre as doenças.

Por outro lado, algo que frequentemente descuidamos e que as instituições médicas tentam nos lembrar é de que a depressão aumenta o risco de aparição de outros problemas. Doenças do coração, diabetes ou inclusive o abuso de substâncias químicas têm seu risco aumentado entre os depressivos. É uma realidade muito grave, uma doença que acaba com a nossa qualidade de vida. A condição consome todo o nosso lar: você não perde só o chão, mas pode perder também o teto, as paredes…

Depressão

2. A ansiedade

A ansiedade é, para Federico Babina, uma casa contida por grades. Cercada por arame farpado, por espinhos que nos tornam prisioneiros de um cenário que se torna cada vez menor e mais asfixiante.

Como podemos ver, esse tipo de transtorno tão comum nos dias atuais está quase na ordem do dia devido ao ritmo de nossas vidas. Ele é representado por um lugar onde não há portas nem janelas. A ansiedade nos cerca e nos deixa sem saída.

Ansiedade

3. A esquizofrenia

A esquizofrenia é um transtorno cerebral grave. A pessoa se vê sujeita a uma deterioração psicológica progressiva que aos poucos mina as capacidades de racionalizar e de processamento da informação, da percepção, da vontade e das emoções.

A mente se fragmenta. Há uma completa desordem e pedaços caem de forma irremediável e terrível. Federico Babina representa essa situação muito bem com uma imagem. Podemos ver uma pessoa segurando com muita dificuldade em um pequeno pedaço da casa que está vindo abaixo.

Não podemos esquecer que a esquizofrenia é um tipo de demência precoce. Algo que muitas pessoas não sabem é que os pacientes com essa doença, que começa cedo, costumam falecer de forma prematura. Perdem uma ou duas décadas de vida com o diagnóstico.

Esquizofrenia

4. O mal de Alzheimer

O mal de Alzheimer é um dos transtornos mentais mais tristes. É também um dos que tem mais impacto a nível familiar. Atualmente, não há tratamento possível que possa reverter ou parar essa deterioração cognitiva. Se essa doença fosse uma casa, seria uma construção em decadência. Um lugar que um dia foi belíssimo mas que, agora, está se quebrando, está se dissolvendo, se desmontando pouco a pouco pelo impacto do tempo…

Alzheimer

5. Transtorno do Espectro Autista

O transtorno do espectro autista é um transtorno neurobiológico do desenvolvimento. Tal como a própria terminologia indica, cada pessoa se situa em um ponto determinado desse amplo espectro. Dessa forma, não há duas crianças iguais, nem dois adultos com as mesmas características. Cada um terá mais ou menos comportamentos repetitivos, uma maior ou menor capacidade intelectual e diferentes aberturas para o uso da linguagem.

O que costuma caracterizar a pessoa com esse transtorno, no entanto, costuma ser seu isolamento social. Seu hermetismo pessoal. Assim, se essa condição fosse uma casa, seria na realidade uma casa dentro de outra casa. Por sua vez, haveria outra casa ainda menor dentro da última casa. É um labirinto psicológico em que a pessoa fica presa nos muros de sua própria mente…

Autismo

Para concluir, e como podemos ver com esses exemplos acima da obra de Federico Babina, os transtornos mentais podem ser representados de muitos modos. Todos, no entanto, têm um ponto em comum: o sofrimento e o isolamento. Os pacientes, essas pessoas com nome e sobrenome que ficam presas em seus próprios muros, no caos de seu próprio micro universo, sofrem sem janelas nem portas e sem ninguém que possa entrar.

Se algum de nossos leitores deseja conhecer mais sobre o trabalho desse arquiteto e seu projeto “Archiatric”, pode conferir mais imagens no vídeo a seguir:

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