A vida do criador de Peter Pan - A Mente é Maravilhosa

A traumática vida do criador de Peter Pan

junho 21, 2015 em Curiosidades 0 Compartilhados
A vida do criador de Peter Pan

Apesar de ter nascido no seio de uma família da alta sociedade britânica vitoriana, sua infância não foi muito alegre. Quando tinha 6 anos de idade, seu irmão David, de 13, morreu num acidente de patinação, sobre um lago congelado. Era o preferido de sua mãe (eram 10 irmãos no total) e ela nunca se recuperou dessa perda tão trágica. Quando a mulher estava em seu quarto e James ou qualquer uma das outras crianças entravam, ela sempre pensava que era David; e quando ela percebia que, na verdade, não era ele, os tratava muito mal. Além disso, o pai não tinha nenhum tipo de contato com seus filhos.

James sempre quis agradar sua mãe e ocupar o lugar deixado por seu irmão. Ela o educou e lhe apresentou o amor pelos livros e pelo estudo. Sempre o tratava como se ele fosse mais velho do que realmente era (talvez pensando que estava falando com David). Dessa maneira, James se tornou uma criança com pensamentos e comportamentos de adulto. Era muito doente, tinha medo de crescer, não se relacionava com outras crianças pequenas e estava obcecado com a ideia de que se casar era uma desgraça, além de ser muito melancólico.

As únicas alegrias que teve em sua infância relacionavam-se aos livros de aventura de Robert L. Stevenson e a passar momentos muito breves com seus irmãos, vizinhos e amigos mais novos que ele. Outro dos problemas que teve que enfrentar foi que sua altura não aumentava em relação a idade, e chegou somente a um metro e meio em sua vida adulta.

Juventude, Londres e casamento

Sua vida mudou completamente quando viajou para a capital inglesa e se estabeleceu por lá, onde abriu sua mente, pôde se desenvolver e escrever melhor. Entre seus amigos da universidade, encontravam-se Arthur Conan Doyle e Robert L. Stevenson, que trabalharam no jornal da faculdade. Ele também forjou uma amizade com Charles Frohman, produtor de suas obras e vítima do navio de Lusitania, que foi afundado na Primeira Guerra Mundial, fato que marcou consideravelmente James.

Já em sua vida pessoal, casou-se com a atriz britânica Mary Ansell em 1894, mas eles se divorciaram poucos anos depois. Há diversas teorias em relação ao término de seu matrimônio, uma das mais fortes é a de que ela se casou com ele por sua posição social e pela fama que ele podia lhe oferecer; outra hipótese diz que o matrimônio nunca chegou a ser consumado porque ele não procurava uma parceira sexual, mas uma mãe. No momento da separação, Mary estava saindo com outro homem.

Após o divórcio, James procurou consolo na amizade com um grupo de irmãos que conheceu num passeio por Kensington. Estas crianças se chamavam George, Jack, Nico, Peter e Michael. Quando seus pais morreram, ele os adotou e, a partir daí, se inspirou para logo escrever o romance mais importante de sua carreira, “As aventuras de Peter Pan”, que foi publicado no começo do século XX. No entanto, também há tragédia nesta história; George morreu na Guerra, Michael se suicidou afogando-se em um lago com seu amante (era homossexual) e Peter se jogou debaixo de um vagão do metrô alguns anos mais tarde.

Carreira literária de James Barrie, criador de Peter Pan

Várias de suas obras se ambientaram em seus anos em Kirremuir, na Escócia, e era comum que alguns diálogos das histórias estivessem escritos em escocês. Logo escreveu obras teatrais como  “Quality Street” (1901), “What Every Woman Knows” (1908) e “The Admirable Crichton” (1932). A última desse estilo se chamava “David” e a realizou em 1936.

Também se especializou em romances que fizeram muito sucesso em sua época. Alguns deles são: “Auid Licht Idylls” (1888), “A window in Thrums” (1889), “O Pequeno Ministro” (1891) e “Sentimental Tommy” (1896) com o “Tommy e Grizel” (1902), relacionados ao que logo seria o personagem de Peter Pan.

Essa foi, sem dúvidas, sua obra mais conhecida, a qual foi representada, pela primeira vez em dezembro de 1904, mas tinha o nome de “Wendy”, se inspirando numa menina que ele conhecia e que havia morrido aos 5 anos de idade, em 1894.

No entanto, como personagem, Peter Pan já havia aparecido antes num livro de contos chamado “Little White Bird”. Esta obra, finalizada em 1904, trata de seus assuntos preferidos: o instinto feminino da maternidade e a conservação da inocência infantil. O eterno adolescente era o protagonista da história, que abandonou a casa de sua família para não se tornar adulto. Nos jardins de Kensington, em Londres, pode-se ver a estátua do personagem. O mesmo lugar onde Barrie conheceu os irmãos Llewalyn Davies, em quem se baseou para escrever o conto.

James Matthew Barrie faleceu em junho de 1937, de pneumonia, e foi enterrado em sua cidade natal na Escócia, Kirriemuir, ao lado de seus pais e de dois de seus 9 irmãos. Deixou todo seu patrimônio (com exceção do que ganhou com Peter Pan, que foi destinado ao Hospital Great Ormond Street) para sua secretária, Cynthia Asquith.

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