Troco fada madrinha por vassoura – A mente é maravilhosa

Troco fada madrinha por vassoura

julho 22, 2015 em Emoções 0 Compartilhados
fada madrinha

Me nego a ser princesa. Rejeito os vestidos, meus risos de ouro e joias.

Odeio o meu castelo encantado, minha solidão ainda rodeada de mil sombras.

Rejeito a minha jaula de cristal.

A torre, o cativeiro. Esperar a ser resgatada.

Nego a minha fragilidade e a minha beleza.

Renuncio aos privilégios, ao status e ao meu castelo.

Não quero uma fada madrinha que me faça lindos vestidos para ir ao baile. Também não quero carruagens encantadas ou mordomos.

Troco fada madrinha por vassoura.

Mas me dê uma vassoura.

Prefiro ser bruxa.

Quero sapos e lagartos.

Não quero esquilos, coelhos ou corças. Quero brincar com dragões.

Nego a minha alvura e inocência. Troco meu reino por ter astúcia e sagacidade.

Prefiro a noite ao dia. A escuridão à luz. Somente rodeada de escuridão é possível encontrar a mim mesma.

Salvar-me eu mesma, sem esperar que outros o façam. Quero apostar em mim, na minha essência.

Onde assino?

Não quero passar os meus dias olhando o horizonte, esperando chegar o meu príncipe encantado sobre o seu cavalo para me resgatar. Quem é esse senhor? E por que tenho que viver feliz para sempre com ele ?

Quero montar na minha vassoura, sair para procurá-lo e passar a noite com ele acordada.

Quero sair da torre. Voar com a lua e as estrelas.

Porque enquanto as princesas dormem, as bruxas voam.

Quero me rodear de outras bruxas, outros vilões, aprender com eles, com a sua engenhosidade para ganhar a batalha frente aos reis e princesas.

Quero voar em liberdade. Toda a noite. Voltar ao amanhecer e dormir até tarde. E me esquecer da ervilha debaixo dos quatorze colchões.

Não quero que ninguém me espere em vigília. Não quero rainhas frustradas com a crise dos quarenta. Não quero madrastas invejosas que queiram o meu coração em um cofre. Não quero reis que definam meu casamento para ampliar o seu reino.

Que ninguém me vista, me penteie ou me banhe.

Não quero cantar com os passarinhos. Quero voar com eles.

Prefiro sentir, respirar, viver, amar e sofrer. Somente com o sofrimento chegamos à verdadeira essência de nós mesmos. Desejo tocar fundo e ressurgir das minhas cinzas.

As princesas não se expõem, não escolhem. Não falham. As princesas não sofrem. Aceitam o seu destino escrito com resignação, pacientemente, porque creem que no fim comerão perdizes e viverão felizes para sempre. Ou isso é o que lhes prometeram. Porque não questionam, não rebatem, não suspeitam.

Eu não quero ser princesa.

Eu quero escolher o meu príncipe encantado. E se possível, que não seja nem príncipe, nem encantado.

Quero um vilão que não me enfeitice, mas que me faça sentir encantada todos os dias.

Que não tenha um castelo onde me sentir segura, prefiro que tenha uns olhos que me façam cair no abismo. Sentir a vertigem ao seu lado. Que não me prometa riquezas, que me prometa luta.

Troco belo príncipe por canalha.

Que me queira como bruxa, e não como princesa.

Que também seja perseguido, para que cada dia tenhamos que nos esconder em um lugar diferente. Que me apaixone com suas travessuras, não com seu sorriso.

Troco matrimônio e amor eterno por liberdade e loucura.

Eu não quero um conto com final feliz. Quero escrever a minha história a cada dia.

Eu não sou das que querem comer perdizes, prefiro tomar champanhe.

Viver arriscando ou morrer tentando. Ser agradecida por estar viva. Viver cada dia como se fosse o último. Porque amanhã pode ser que me julguem e terminarei na fogueira.

Porque as bruxas queimam na fogueira, mas as princesas são mortas em vida.

Por isso, devolvo a minha fada madrinha, mas por favor, me dê uma vassoura.

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