Mesmo que o vento mude, o meu veleiro me leva a você

· abril 2, 2017

Mesmo que o vento mude, o meu veleiro me leva a você, sempre a você. Não sei navegar em outros mares, não conheço outra forma de velejar a não ser a favor do vento. Mas você é o meu vento e faz o mar ser o manto de lágrimas que me provoca, porque diz que estar ao meu lado está sobrecarregando você.

Você diz que gosta de mim, mas que precisa respirar e não ficar tão colado. Diz que o amor não precisa ser demostrado estando junto comigo em todo lugar. E estes comentários me doem e me machucam como se você estivesse me deixando, sem me deixar completamente. Para mim o amor é fazer tudo e de tudo, por você e para você.

Esta dependência emocional que me faz voltar para você apesar da dor é uma coisa que sei que pode ser mudada, mas é difícil aceitar que a minha forma de amar não é a mais adequada. Também é difícil aceitar que o amor não é demonstrado ficando atento a uma pessoa o tempo todo, mas que se demonstra com a confiança que se tem no outro quando não está ao seu lado.

Você é tudo para mim e eu já não posso viver sem você. Me diluí na ideia de estarmos juntos e agora não sei ser eu mesmo, só resta o nós.

O vento se tornou tempestade

Nem tudo era ruim quando começamos. A princípio era como a brisa suave que aparece nas tardes de primavera. Aquela que quando acaricia a pele arrepia e faz a gente se sentir muito confortável na sua presença. Suave, cálida e confortável, assim era estar na sua presença.

Eu logo me apeguei a você como se disso dependesse a minha sobrevivência. Você era o meu mundo e deixei de fazer outras coisas para estar sempre ao seu lado. Eu não dava um passo sem pensar antes no que você falaria, e você me manipulava como se eu fosse um boneco. Você tinha nas mãos o leme do barco e eu me limitava a pensar que, se fizesse tudo o que você dizia, se fizesse tudo por você, nenhum pirata atacaria o nosso barco.

Cheguei a precisar tanto de você como o ar que respiro, e me afoguei nas lágrimas pensando que sem você a minha vida não tem sentido.

Mas um belo dia tudo mudou e você começou a me pedir mais espaço, a dizer que eu estava sufocando você. Você não pediu para que eu dependesse de você dessa forma, mas era a única forma de amar que eu conhecia.

Mas o vento se transformou em tempestade e agitou o mar. Começaram os ciúmes e as censuras. A raiva e o medo. Eu não queria perder você, mesmo sabendo que o meu jeito de amar me consumia por dentro. Então pedi ajuda e entendi o que era a dependência emocional e como podia evitar que isso me acontecesse de novo. Aprendi que amar é ser livre e confiar no outro, e pude voltar a ser eu incluída no nós.

mar-vento

“Desejo que você seja sempre essa mulher, essa que nunca se detém nem com a pior das tempestades, a que se conhece melhor do que ninguém e não se importa com o que pensam. Desejo que você seja sempre a dona da sua vida, e que se o mundo abandoná-la, que você possa encontrar companhia nos seus braços. Desejo que você nunca mude seu jeito de ser simplesmente para agradar, e se um dia você se empenhar em se esconder, que a felicidade sempre a encontre.”
-Kelbin Torres-

Como sair da dependência emocional

Ninguém precisa depender de ninguém para ser feliz. Isto é assim tanto nos relacionamentos como fora deles, porque a dependência emocional não acontece apenas com o parceiro, mas também pode acontecer com a família ou os amigos. Por isso, trabalhar os próximos pontos pode ajudar a estabelecer relacionamentos saudáveis:

  • Não priorize automaticamente os desejos do outro sobre os seus: o seu próprio bem-estar é importante. Antes de amar outras pessoas é preciso gostar de si mesmo para poder fazê-lo de forma sadia.
  • Ninguém pode fazer todo mundo feliz: agradar aos outros não é a sua obrigação. Você não pode esperar que tudo que você fizer agrade a todo mundo, assim como não deve deixar de fazer coisas porque os outros não gostam.
  • Se você precisa do outro para ter prazer e ser feliz, repense o vínculo que estabeleceu: a felicidade e o gozo sempre precisam partir de nós mesmos, e se quisermos podemos compartilhá-los com os outros.
  • Aprenda a estar sozinho: desfrutar da sua própria companhia sem depender de outros é um gesto de amor próprio muito saudável. Ser o próprio vento do seu veleiro lhe permitirá aproveitar melhor as pequenas coisas que você agora não valoriza.
  • Redefina o que o amor significa para você: o amor não é possessão. O fato de você passar mais tempo ao lado de alguém e fazer o que a pessoa gosta não demonstra mais amor. Amar é ser você mesmo e fazer as suas coisas com o outro.

Estes passos podem ajudar a fazer com que, nos seus relacionamentos, o vento não se transforme em tempestade. Porque para amar primeiro é preciso amar a si mesmo, e se você não sabe fazer isto, a psicologia pode ajudá-lo. Peça ajuda sempre que precisar.