Venustrafobia: mulheres bonitas podem provocar medo?

13 Setembro, 2020
É normal se sentir nervoso ao precisar interagir com uma pessoa que nos atrai. No entanto, o que aconteceria se este nervosismo se transformasse em um pânico que nos impedisse de nos mover? Isso é o que acontece com as pessoas que sofrem de venustrafobia.
 

O mundo das fobias é imensamente variado e fascinante. Existem fobias de todo tipo, desde a clássica fobia por aranhas até a super complexa (até mesmo por sua pronúncia) hipopotomonstrosesquipedaliofobia, o medo de palavras longas. Entre as fobias raras ou pouco frequentes encontra-se a venustrafobia, o medo de mulheres bonitas.

As pessoas que sofrem de venustrafobia ou caligenefobia têm fobia de mulheres que parecem muito atraentes para elas. Nesses casos, a simples presença da mulher atraente é suficiente para provocar medo e ansidade, não sendo necessária qualquer interação com ela. Também não é necessário que exista um interesse afetivo ou sexual especial pela figura temida.

O termo provém da união da palavra Vênus (na mitologia romana, deusa do amor, da beleza e da fertilidade) e da palavra fobia.

Como sabemos, uma fobia consiste em um medo muito intenso e irracional que faz com que a pessoa realize grandes esforços para evitar o temido estímulo; por não poder evitá-lo, o suporta com uma ansiedade elevada.

Costuma acontecer com mais frequência em homens heterossexuais, embora também tenham sido descritos casos em mulheres homossexuais e heterossexuais. Este tipo de fobia pode acometer tanto pessoas adultas quanto crianças.

A fobia de mulheres bonitas
 

Como a venustrafobia se manifesta?

Como já mencionamos antes, os principais sintomas das fobias em geral, e da venustrafobia de forma específica, consistem no medo irracional e desmedido diante da presença do estímulo fóbico (neste caso, mulheres consideradas atraentes).

O medo costuma estar acompanhado por comportamentos de evitação e de grande ansiedade e mal-estar. Além disso, pode estar acompanhado dos seguintes sintomas fisiológicos:

  • Taquicardia
  • Calafrios
  • Tremores nas pernas
  • Suor frio
  • Gagueira
  • Pensamentos irracionais com respeito à periculosidade da aproximação de uma mulher atraente
  • Enjoos, náuseas e vômitos em casos mais graves da fobia

Como todas as fobias, ela tem grande repercussão na vida das pessoas, e pode limitar seu funcionamento em certas áreas.

Além disso, ter sofrido um episódio de venustrafobia em algum momento pode provocar o desenvolvimento de ansiedade antecipatória, o que pode levar a pessoa a evitar qualquer situação na qual possa encontrar uma mulher atraente, levando inclusive ao isolamento social.

Quais são as causas?

Embora a origem não esteja 100% clara e seja multifatorial, acredita-se que a venustrafobia possa ser provocada por experiências traumáticas na infância.

Estas podem ser desde um divórcio próprio ou dos pais, de um fracasso amoroso, até mesmo ter convivido com uma mãe negligente, indiferente ou abusiva. Neste caso, através de um processo de condicionamento, a pessoa pode acabar associando mulheres bonitas à dor, sofrimento e mal-estar.

 

No caso dos homens heterossexuais e das mulheres homossexuais, a fobia poderia ser mais frequente entre aquelas pessoas com mais timidez e baixa autoestima e, provavelmente, com sentimentos de inferioridade.

Para estas pessoas, pode ser muito embaraçoso interagir com mulheres mais atraentes por medo de se sentirem ridicularizadas ou de ficarem em evidência. Nas mulheres heterossexuais, a venustrafobia pode ser desencadeada por um contexto de competitividade.

Tratamento da venustrafobia

O tratamento de escolha para as fobias, ou seja, o mais eficaz, é a exposição progressiva ao estímulo temido. Isso consiste em fazer uma lista hierarquizada das situações temidas para começar a se expor a elas.

Com a exposição, busca-se conseguir fazer com que a pessoa se acostume à ansiedade gerada pela situação e veja que esta vai diminuindo conforme percebe que as consequências temidas não se tornam reais.

Se, durante a exposição, a pessoa for dominada pela ansiedade ou mesmo sofrer um ataque de pânico, pode-se permitir que a situação seja abandonada. Este abandono deverá ser momentâneo e a exposição precisa ser retomada o quanto antes.

É preferível ensinar técnicas de relaxamento e respiração que possam ser realizadas em momentos de máxima ansiedade com o objetivo de evitar a fuga. É importante que estas técnicas não se transformem em uma forma de evitação encoberta.

Devem ser identificadas, também, as possíveis crenças irracionais ou distorções cognitivas que estejam levando a uma superestimação do perigo. Estes pensamentos devem ser trabalhados utilizando técnicas cognitivas, através da busca de pensamentos alternativos mais racionais ou pela busca de evidências a favor e contra a veracidade destes pensamentos.

 

Além disso, se a venustrafobia chegar a limitar a vida da pessoa de forma que acabe se transformando em um transtorno de ansiedade social, não podemos nos limitar a abordar a fobia de forma simples.

O mesmo acontece se o transtorno acompanhar uma depressão. Em caso de comorbidade, a única forma de melhorar o problema será intervindo, de forma integrada, sobre os sintomas dos distintos transtornos.

“O medo sempre está disposto a ver as coisas piores do que são.”
-Tito Livio-

Homem fazendo terapia com psicóloga

Reflexão

Vivemos em uma sociedade que cultua demais o corpo e na qual os padrões de beleza podem ser inalcançáveis. Às vezes, a atração física é considerada o único sinal de sucesso na vida. Isto provoca a aparição de crenças determinantes como, por exemplo, a de que uma mulher atraente só pode ter um parceiro com, no mínimo, um nível igual de beleza.

A comparação com um determinado ideal de beleza permite que muitos poucos sejam privilegiados, e isso pode afetar gravemente a autoestima de muitas pessoas. Deveríamos começar a valorizar de forma mais positiva nossas qualidades e, inclusive, nossos defeitos (que para os outros podem ser considerados virtudes).

 

Principalmente, devemos nos lembrar de que a beleza física é algo finito e de que, quando tudo ficar enrugado e mudar de forma, o que vai restar de nós é a nossa essência.